Por um bom tempo, o ato de fazer compras nos supermercados era quase uma exclusividade feminina. Talvez por isso, a imagem da mulher ficou associada à pesquisa de preços, pechincha, etc. Mas na prática não é bem isso que acontece. Há consumidoras que preferem comprar tudo no mesmo lugar a ‘‘perder tempo’’ fazendo pesquisas, pelo menos quando se trata de produtos da cesta básica. Em compensação, alguns homens fazem questão de pesquisar os preços antes de irem aos supermercados.
  A comerciante Fátima Barros afirma que não faz pesquisa de preços antes de fazer a compra doméstica. ‘‘Para ser sincera, não faço pesquisa não. A gente cria o hábito de comprar em certos supermercados e sempre compra tudo o que precisa no mesmo lugar’’. Ela tem conhecimento que a variação de preços de alguns produtos pode ser maior que 20% de um estabelecimento para outro, e mesmo assim acha que não vale a pena. ‘‘Nem sempre compensa fazer pesquisa porque a gente tem que considerar também a disponibilidade de tempo, a gasolina e tudo’’.
  Fátima estava em um supermercado para comprar vários produtos para a cesta que oferece todo mês a seus funcionários. ‘‘Eu não faço uma cesta básica comum. As mercadorias que escolho para eles são as mesmas que uso em minha casa. É uma cesta diferente’’.
  A dona de casa Nilza Aparecida Vieira adota um critério diferente de ‘pesquisa’ de preços. Ela diz que não tem como verificar os preços dos mesmos produtos em vários locais. E por isso, observa bem os preços da mesma linha de produtos em um supermercado. ‘‘Neste sentido, procuro pesquisar os preços antes de fazer a compra porque há uma diferença muito grande dos mesmos produtos, dependendo da marca’’. Nilza se mantém fiel a alguns produtos, mas isto não é regra. ‘‘Geralmente faço opção pelo menor preço. Procuro sempre o mais barato’’.
  Nilza sempre compra no mesmo lugar, mesmo sabendo que a diferença de preços entre os estabelecimentos pode
ser grande. ‘‘Às vezes, não compensa sair de um lugar
só para comprar em outro porque está mais barato. Você tendo a facilidade de um supermercado perto de casa, não faz pesquisa de preços em outros supermercados’’.
  O representante comercial Fernando Moreira considera que é importante fazer pesquisa de preços. ‘‘Pesquisando
a gente observa que há uma
diferença de preços muito grande de um lugar para outro’’. Ele cita o exemplo de uma garrafa de refrigerante com dois litros. ‘‘Em um supermercado, você paga R$ 3,50, e em outro R$ 2,80, ou menos, na mesma marca; é uma variação até boa’’.
  Segundo ele, os trabalhadores em geral deveriam fazer pesquisas de preços até para não terem surpresas ao longo do mês. ‘‘Hoje em dia, o salário da gente não está resolvendo muita coisa e se a gente não pesquisar não dá para pagar as contas e se alimentar. Então, compensa o consumidor correr atrás’’.

Sem pesquisa, consumidor perde dinheiro
  Para o professor e economista Flávio Oliveira dos Santos, o consumidor deve fazer pesquisa em dois ou três supermercados antes de comprar o que precisa. Santos coordena uma pesquisa de levantamento de preços da cesta básica em Londrina há seis anos. ‘‘Se a família gasta R$ 500,00 por mês com a cesta básica, ela consegue economizar entre R$ 100,00 e R$ 120,00 fazendo pesquisas’’, diz o economista. Ele argumenta ainda que a pesquisa é necessária principalmente agora que a carne bovina está com tendência de aumento já que o produto tem um peso de 40% na composição da cesta básica.
  Santos afirma que sempre encontra pessoas nos supermercados com cadernos para anotações de preços e que, às vezes, trocam informações sobre o assunto. Para o economista, o fato de o consumidor procurar as promoções em dias específicos é também uma forma de pesquisa.
  Ainda segundo o professor, é possível observar que, embora haja aumento da presença masculina nos supermercados, as mulheres são responsáveis por 80% das compras domésticas, inclusive de roupas para o marido.
  Ele explica também que é possível estabelecer diferenças em relação ao poder aquisitivo das pessoas. Enquanto as mulheres de melhor poder aquisitivo reclamam da falta de tempo para fazer pesquisas, as de menor poder aquisitivo dependem deste recurso para equilibrar o orçamento doméstico.
  O economista classifica de ‘‘comodismo’’ a atitude dos consumidores que fazem suas compras perto de casa, independente de preço. Segundo ele, os supermercados, principalmente no centro da cidade, sabem da preferência dos consumidores e colocam seus preços 20% a mais, em média, que a concorrência. ‘‘O lado positivo é a proximidade, mas o lado negativo é que a pessoa perde dinheiro’’. (E.A.)

PECHINCHA
Álcool estava em R$ 1,66
O preço do álcool sofreu grandes oscilações de preços nos postos de combustíveis de Londrina nos últimos seis meses. No final de maio, o produto custava em torno de R$ 1,60 o litro, chegando até R$ 1,66.
Caiu para R$ 1,20
Depois, com o aumento da produção de cana, o preço caiu cerca de 10%, ficando entre R$ 1,40 e R$ 1,50 o litro. Algumas semanas depois, outra redução - na média de R$ 1,30. Os consumidores comemoram ainda mais porque a concorrência fez o preço ficar abaixo de R$ 1,20. O menor valor registrado foi R$ 1,15.

Voltou para R$ 1,30
Nos últimos dias, entretanto, o litro do álcool subiu de novo, voltando à casa dos R$ 1,30. Mas ainda é possível, com um pouco de pesquisa, encontrar o produto por R$ 1,17, conforme mostra a foto.
Esmola demais
Uma loja de Londrina está anunciando celulares de graça aos consumidores. Mas o que acontece não é bem isto: o aparelho realmente é de ‘‘graça’’, só que no sistema pós-pago. Os valores variam entre R$ 30,00 a R$ 100,00 por mês, dependendo do aparelho e do plano escolhido pelo comprador.

mockup