Houve uma época em que o palito de madeira reinou absoluto em todas as bocas. Até então sem preconceitos ou discriminação de classe social, o palito fez brilhar até os ‘‘dentes de ouro’’. Mas o fio dental chegou ao mercado devagar e conquistou seu espaço. Hoje, os dois produtos ocupam lugares diferentes nas gôndolas dos supermercados - aliás, bem diferentes. Enquanto o fio dental mantém a performance elitista, o palito de madeira fica quase escondido. Mas apesar da desvantagem qualitativa, o palito é top na preferência popular.
  A agente de viagens Sônia Tauil trabalha em um ambiente onde a aparência pode ser decisiva para o fechamento ou não de um negócio. Por isso, ela faz questão de manter a higiene bucal impecável e usa, entre outros produtos, o fio dental. ‘‘Acho que é importante porque meus dentes são muito juntinhos; e além de ser uma recomendação do dentista, a minha mãe me ensinou a usar o fio dental desde criança’’.
  Sônia acredita que o brasileiro ainda usa mais o palito de madeiras que o fio dental por uma questão de hábito, mas acha que isso está mudando. ‘‘Eu vejo o pessoal mais velho usando palitos, inclusive em restaurantes, mas o pessoal mais jovem não usa’’. Ela acha que o preço não pode servir de desculpa para a pessoa não usar o fio dental. ‘‘Há fio dental compatível com a renda do brasileiro; tem várias marcas e algumas bem baratas, sim’’.
  Apesar da aversão atual, Sônia diz que já usou o palito de madeira em outras ocasiões, mas não gostou muito da experiência. ‘‘Quebrei o palito na boca e entrou em minha gengiva’’. Por isso, ela nem pensa em repetir a dose, principalmente em função do trabalho. ‘‘Não dá para atender o cliente na agência e palitar os dentes’’, afirma.
  A fonoaudióloga Ana Paula Santana tem alguns procedimentos para manter a higiene bucal. ‘‘Eu escovo os dentes e passo o fio dental porque a escova não retira todos os resíduos’’. Ela diz que a falta de cuidados pode causar problemas de dicção e, por isso, recomenda que além de uma avaliação ortodôntica, ‘‘é importante que as pessoas mantenham uma boa higiene bucal’’.
  Na opinião de Ana Paula, o brasileiro não usa o fio dental com maior freqüência por uma questão de preço. ‘‘O palito é mais barato que o fio dental’’. Mas acrescenta que o principal motivo é o comodismo. ‘‘Acho que o brasileiro usa pouco o fio dental porque há necessidade de passar o fio dente por dente, tem que ter um lugar para fazer isso, enquanto com o palito é rapidinho e a pessoa não es-colhe lugar’’.
  O estudante de Odontologia Raul Mazete diz que usa o fio dental todos os dias ‘‘por recomendação do dentista’’. Segundo ele, o produto é essencial para evitar a placa bacteriana, um dos agentes causadores da cárie. Na opinião do estudante, o brasileiro usa pouco o fio dental por dois motivos. ‘‘A maior parte da população tem dificuldade de acesso devido ao valor, que ainda é alto no Brasil, e também por uma questão cultural, porque a pessoa acha mais conveniente usar o palito’’.
  E como todo bom estudante, Mazete sugere que as universidades desenvolvam projetos sociais e que a educação para a higiene bucal comece na infância. ‘‘O incentivo tanto para a escovação quanto para o uso do fio dental deve começar na pré-escola ou ensino básico’’, afirma.

Preço não pode ser desculpa, afirma dentista
A dentista Priscila Mello Ferreira diz que o fio dental é importante porque remove a placa bacteriana e os restos de alimentos que ficam entre os dentes, ‘‘onde a escova não alcança’’. Segundo ela, o uso do fio dental não deve excluir a escovação, que precisa ser feita antes ou depois, a critério da pessoa.
  Priscila afirma que o fio dental de nylon é o mais recomendado para fazer a higiene entre os dentes. E diz que não devem ser usados outros tipos de fios
(linhas, por exemplo) em hipótese alguma.
  A dentista não acredita que o preço seja uma barreira para o brasileiro usar pouco o produto. ‘‘O fio dental deve ser usado independente da condição econômica; hoje existe uma grande variedade de marcas no mercado e algumas com preços acessíveis’’. Segundo ela, outra desculpa que não se justifica é a falta de tempo. ‘‘O que há, na verdade, é um certo comodismo’’.
  A dentista afirma também que o uso do palito de madeira não é recomendado ‘‘porque pode machucar a gengiva’’, mas diz que o produto pode ser usado ‘‘eventualmente’’ quando a pessoa não dispor do fio dental naquele momento. Priscila diz que o uso do palito deve ser evitado por não ser ‘‘muito elegante’’, e tanto um, quanto outro não deve ser usado na frente de outras pessoas. (E.A.)

PECHINCHA
Produtos de época
São os produtos com maior oferta nesta época do ano: abobrinha, alface, almeirão, beterraba, cebola, cenoura, chicória, couve, espinafre, inhame, milho verde, mostarda, pepino, rabanete, repolho, salsa, salsão, vagem, mamão, manga, melancia, morango e pêssego.
Abrindo o leque
O consumidor já nem se surpreende mais com a variedade de produtos, além de remédios, comercializada nas farmácias. Agora, em algumas delas, o cliente pode comprar até telefone celular.
Mais uma vez
E por falar em celular,
tudo indica que o aparelho será o campeão de vendas neste final de ano.
E o principal motivo, além dos preços, é a entrada de mais uma operadora no mercado local.
Poluição sonora
O recurso de usar o serviço de som para chamar a atenção de quem passa pela rua se tornou ‘‘normal’’ em Londrina. Mas algumas lojas abusam da boa vontade dos consumidores e colocam o som em um volume tão alto que é possível ouvir a cerca de 100 metros de distância.
Ao Deus dará
E a fiscalização, fica onde nesta altura do campeonato?

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