SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Você entra em uma loja e de imediato recebe a informação de que seu limite de crédito dobrou; você caminha pelo centro e os agentes de financeiras te abordam oferecendo dinheiro; você vai ao caixa eletrônico e descobre que tem um empréstimo disponível a seu dispor: basta apertar a tecla contratar e negócio fechado. O excesso de crédito está em toda parte e de uma forma jamais vista na história recente da economia brasileira. Até para os mais controlados fica difícil resistir à tanta oferta. E para os menos controlados resta pedir: Não nos deixeis cair em tentação.
A técnica em gestão pública Eliane Andrade diz que o excesso de crédito incentiva o consumismo. Eu acho que as pessoas acabam abusando. É difícil você controlar porque você vê o crédito, quer gastar, quer comprar, e as pessoas não pensam se elas vão conseguir pagar ou não. Na opinião dela, o resultado é mais do que previsto: Isto acaba virando uma bola de neve e a pessoa empresta em um lugar para pagar outra dívida.
Eliane admite que já teve problemas de crédito. Só compro o que posso pagar na hora e levo a vida com mais tranqüilidade. Para mim, o excesso de crédito é prejudicial.
O técnico em eletrônica Roberto Ferreira sabe, por experiência própria, que o crédito em demasia gera descontrole. Eu, por exemplo, tenho o cartão de crédito mas não faço uso dele. Se eu usar, perco o controle do que já usei e do que ainda não usei. E quando não uso, sei o que está acontecendo, sei o que posso e o que não posso. Ferreira diz que o excesso de crédito é uma tentação para incentivar o consumo. A gente vê essas lojas oferecendo crédito de todas as formas para a pessoa ir lá e comprar. A impressão que fica é que está tudo barato.
A fisioterapeuta Ildeli Varea Mancore já não vê tanto problemas com o excesso de crédito, desde que o consumidor tenha noção de limites. Se você é uma pessoa que tem o controle sobre aquilo que ganha e o que gasta, e se você vai comprar apenas o que precisa e de acordo com o que pode, é uma boa. Agora, para quem não tem controle, é uma péssima idéia; a pessoa estará sempre devendo, disse. A gente vive em um mundo de consumo: o que eles querem é vender e você compra se você quiser.
Situação preocupa, diz economista
O economista Renato Pianowski de Moraes não vê o excesso de crédito com otimismo. Não vejo com bons olhos porque essa é uma demonstração de que a economia não está indo muito bem. Segundo ele, a oferta excessiva de crédito, em um primeiro momento, estimula o consumo; mas o que se verifica depois é que o trabalhador compromete toda sua renda.
Moraes afirma que o negócio de financiar as pessoas está indo tão bem que se tornou uma indústria. Mas alerta para outro detalhe que considera preocupante: Estimula quem não tem condições de consumo. A principal conseqüência apontada por ele é o risco de endividamento. Pode chegar uma hora que isto vira uma bola de neve: o trabalhador deixa de pagar suas contas e não compra mais o que precisa.
De acordo com o economista, este panorama pode causar o estrangulamento da economia porque, embora as lojas fixem um limite de crédito para os clientes, as pessoas tem a liberdade de comprar em quantas lojas quiserem. A hora que o negócio pipocar, a coisa ficará feia, afirma Moraes. (E.A.)


