A aproximação das festas de fim de ano exige o máximo de cuidado em relação às compras. Este período interfere de forma mais intensa na sensibilidade das pessoas, tornando-as mais motivadas ao consumo porque substituem a razão pela emoção. ‘‘Quando chega o Natal, a Páscoa, ou qualquer outro tipo de festa, a nossa tendência é seguir o apelo da mídia, das promoções e fazer mais compras’’, afirma o psicólogo Júlio César Arrebola.
  Ele diz que o Natal é uma festa estressante porque gera o que define como ‘‘conflito de sentimentos’’. ‘‘As pessoas estarão festejando, mas por outro lado existem as perdas, a falta de um que não pode vir ou de outro que faleceu’’. Para ele, a única forma de superar o conflito é viver a felicidade do momento. ‘‘Esse é um processo extremamente individual. Em algumas pessoas funciona muito bem, mas outras tem muito o que aprender’’.
  Segundo o psicólogo, a felicidade depende muito da vontade própria. ‘‘A pessoa deve passar por um processo de aprendizado para ser feliz, assim como aprende qualquer outra coisa na vida. Ser feliz é me encontrar em um contexto, deixar esse contexto de forma agradável para mim e aproveitá-lo de forma plena’’.
  O que as pessoas não podem, segundo o psicólogo, é compensar a sensação de vazio fazendo compras. ‘‘Uma das formas que as pessoas encontram para suprir este vazio é o processo de aquisição, de comprar um objeto para fazer parte da felicidade, ter a posse, poder usar’’. Ao contrário, o que as pessoas devem fazer é encarar a realidade de forma positiva. ‘‘É aquela história do bom humor, de olhar para a vida de forma arrojada, de aproveitar bem estes momentos. É fazer de um limão uma limonada. Essa pessoa vai aproveitar, terá prazer e consegue fazer outras pessoas felizes’’.
  O ato de presentear
  Arrebola afirma também que o Natal, antes de ser uma festa de compras, deve ser um momento de convivência familiar. ‘‘O mais importante é que a festa de Natal foi concebida dentro de um processo de valorização de família e neste contexto as pessoas podem ter muitas divergências, mas existem também muitos elos que aproximam as pessoas’’.
  E o ato de presentear é uma das formas que as pessoas encontram para demonstrar carinho. ‘‘Um presente fica repleto de valores quando é dado com sinceridade, quando é verdadeiro. Uma simples bonequinha pode ter um valor extraordinário na vida de uma pessoa. Ela pode até ganhar presentes mais interessantes, mas os ícones existentes naquela boneca são mais significativos’’.
  Por isso, o psicólogo acredita que não se justifica a preocupação excessiva com o valor monetário dos presentes. ‘‘Se eu consigo dar um presente que supra os interesses e as necessidades de quem está recebendo, o valor dele passa a ser irrelevante, é totalmente secundário’’.
  Ele explica ainda que o ato de presentear ganha uma conotação diferente quando não se limita apenas a comprar por comprar. ‘‘O processo de compra pode ser muito prazeroso se houver nele uma proposta arrojada de satisfação. Muitas vezes, dar um presente é mais importante para quem dá do que para quem recebe. E esse tipo de atitude não vale apenas para o Natal, mas deve ser uma coisa para a vida’’.

Maturidade econômica
E já que é inevitável ir às compras, o psicólogo Júlio César Arrebola dá algumas dicas aos consumidores:
- Faça as compras com antecedência: ‘‘Você vai evitar filas, evitar estresse, vai comprar o que quer com a possibilidade gastar menos e escolher melhor. Comece suas pesquisas ainda em novembro para ter uma idéia do que fica melhor para cada pessoa. Vá ao shopping na semana de Natal ou na véspera de Natal apenas para passear, para tomar um cafezinho com quem você conhece, sem aquele compromisso de horário’’.
- Evitar as compras por compulsão: ‘‘A compulsão é uma doença com uma série de variações. Tem o indivíduo compulsivo em determinado dia, em determinado momento, ou 24 horas por dia. A pessoa compulsiva pode ter problemas não apenas no Natal, mas em qualquer época’’.
- Ter maturidade econômica: ‘‘Se eu tenho ‘x’, eu tenho que fazer a minha festa com ‘x’. E posso ser feliz, curtir muito e ter muito prazer com o ‘x’ que eu tenho. E isso é sinônimo de maturidade econômica’’.

PECHINCHA
O preço da carne
O consumidor está consciente de que o preço da carne bovina aumenta com a aproximação de final de ano, mas está surpreso com alguns percentuais. Confira a variação de preços no mesmo supermercado em Londrina, considerando que no dia 10 de junho os três tipos de carnes estavam em promoção:
Sem comunicação
Em pleno século 21, ainda há estabelecimentos comerciais que não descobriram (ou preferem ignorar) o telefone e - muito menos, os outros meios de comunicação. A estratégia é adotada para evitar o contato telefônico com o público.
Só pessoalmente
Se alguém quiser esclarecer uma dúvida, por menor que seja, só indo pessoalmente ao local. Independente de questionar se a atitude é certa ou errada, o interessante nisto tudo é que estes pontos de venda têm um movimento ‘‘razoável’’. Seria o telefone desnecessário?

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