O comércio tem verdadeira obsessão em fazer algo diferente. Mas alguns estabelecimentos exageram na dose e chamam a atenção pelo inusitado. Por exemplo: uma loja vender um par de sandálias com prestações mensais de R$ 1,25 ou outra vender celulares com prestações em torno de R$ 8,00. Os consumidores que geralmente fazem compras a prazo, acham que não é vantagem um crediário com prestações tão baixas, mas também não reprovam a idéia.
  A microempresária Ligia Gouveia diz que compra no crediário apenas quando não vai pagar juros. ‘‘Prefiro pagar à vista para economizar um pouco, ou faço no máximo em quatro vezes porque acima disso tem juros’’. Ela acha que um valor ‘‘razoável’’

de prestação seria em torno de
R$ 50,00, mas considera interessante que algumas lojas tenham prestações com valores bem baixos.
‘‘Acho bacana porque tem pessoas que não têm condições de comprar à vista e precisa de um certo produto naquele momento. Neste caso, acho que compensa sim’’. Ligia afirma, porém, que jamais compraria algum produto com um valor de prestação tão baixo.
  O vendedor Rodrigo Barros gosta de fazer compras a prazo e explica porque: ‘‘O crediário é uma boa alternativa para o trabalhador porque há facilidade na forma de pagamento’’.
Ele considera que parcelas
em torno de R$ 50,00 ou
60,00 são ‘‘razoáveis e acessíveis’’ aos trabalhadores. Barros
não vê nenhuma vantagem em prestações com valores muito baixos.
‘‘Não é interessante uma prestação abaixo de R$ 10,00, por exemplo, porque só a emissão do boleto fica em torno de R$ 2,00’’.
Ainda segundo ele, pode ser que o custo operacional se torne maior
que o valor da prestação.
  A técnica em laboratório Ana Paula Dutra costuma comprar a prazo, mas diz que não faria um crediário com valores tão baixos.
‘‘Eu acho que não compensa e neste caso seria bem melhor a gente pagar à vista porque fica livre de contas’’. Ela acha, entretanto, que tudo depende muito da circunstância.
‘‘Se a pessoa está sem dinheiro, ai tudo bem’’. Ana Paula afirma que além da perda de tempo, a pessoa ainda teria que gastar dinheiro com ônibus para pagar a prestação.

Compra a prazo pode se tornar ‘vício’
  Para o economista Renato Pianowski de Moraes a principal desvantagem em se fazer um crediário com prestações tão baixas é se criar o vício de parcelar tudo. Ele ficou surpreso em saber que existem lojas que vendem um produto com prestações de R$ 1,25.
  O economista considera que esta é uma estratégia que serve de armadilha contra o consumidor, que se vê na obrigação de comprar outras mercadorias e voltar sempre à mesma loja. Segundo ele, o problema está no risco de descontrole que as pessoas passam a ter sobre as próprias contas comprometendo boa parte da renda com o acúmulo de compras a prazo. ‘‘Isso vira uma bola de neve, o consumidor nunca pára de pagar e está sempre devendo alguma coisa’’.
  Moraes diz que também as grandes lojas de departamento preferem vender a prazo, mesmo com valores baixos. Por exemplo, parcelar uma conta de R$ 40,00 em oito vezes de
R$ 5,00. Ele também explica que este tipo de crediário não compensa em função do custo operacional, não só para a loja como para o cliente. Só o fato de usar o transporte coletivo pode custar mais que o valor da prestação. (E.A.)


PECHINCHA

Variações de preços
Feijão
- O feijão preto na feira passou de R$ 2,00 para R$ 3,40, um aumento de 70%. O feijão carioca está na casa de R$ 4,00 e o rosinha em torno de R$ 5,00. Tudo por conta da estiagem registrada há pouco tempo.
Batata
- O preço da batata está em alta. E o motivo, agora, é o começo da entressafra. O produto pode ser encontrado na feira entre
R$ 1,70 e R$ 2,00. E está em ‘‘promoção’’ em um supermercado por R$ 1,90.
Ovos
- A cor faz a diferença no preço dos ovos em um supermercado de Londrina. A dúzia de ovos brancos custam R$ 0,99 e os vermelhos R$ 1,98, ou seja, exatamente o dobro. Vale registrar que não há diferença em valores nutricionais entre ambos.
‘Caixinha’ de Natal
- E está começando uma nova forma de ‘‘pechincha’’ no comércio, típica de bares, lanchonetes, restaurante e similares, nesta época do ano. É a famosa ‘‘caixinha’’, que para variar, também começou com bastante antecedência.
Eficiência
- O esquema funciona da seguinte maneira: o cliente coloca um determinado valor dentro da ‘‘caixinha’’. A soma é dividida entre os trabalhadores daquele comércio uns dias antes de Natal. E pelo jeito dá resultado.

mockup