SUAS COMPRAS
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Se existe uma coisa que boa parte da população brasileira realmente gosta é comprar no crediário. Mas esta opção não se limita apenas a financiamentos de curto prazo. Hoje, por exemplo, é possível financiar um carro para pagamento em seis ou sete anos. Ou seja: a maior parte dos brasileiros não tem o hábito de poupar primeiro para depois comprar o que deseja. Mas o sistema de consórcios tem uma meta ambiciosa: quer inverter o ciclo de consumo das famílias no Brasil com incentivo ao consórcio como forma de poupança e investimento.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), empresário Rodolfo Garcia Montosa, há uma diferença fundamental quando o consumidor faz uma compra no crediário e quando adquire um bem através do consórcio: ao contratar um financiamento, ele já é qualificado como devedor, e no caso do consórcio entra na condição de credor. Mas não é só isso: No financiamento, você compra um carro de R$ 30 mil e começa devendo R$ 60 mil. Alguma coisa está errada: você deve R$ 60 mil e sua garantia é a metade.
Para Montosa, a mudança desta situação depende de consciência e planejamento. Se você tem um filho de 15 anos e pensa em comprar um carro quando ele atingir a maioridade, você não precisa esperar todos esses anos para depois fazer um financiamento; você pode programar a aquisição agora, fazendo uma poupança. Essa é uma das grandes contribuições do consórcio.
De acordo com o presidente da Abac, a mudança de conceito não traz benefícios apenas do ponto de vista individual, mas para a sociedade como um todo. A gente não vê nenhuma Nação se fazendo ou se construindo sem poupança interna, e o consórcio, neste sentido, é um meio de ajudar as famílias a poupar.
Função social
O empresário destaca também que o consórcio tem uma importante função social por viabilizar a compra do primeiro veículo para milhares de pessoas. Nos últimos cinco anos, nós entregamos 4,5 milhões de motos. Isto dá uma mobilidade muito grande para as pessoas do campo ou para quem precisa de uma fonte de renda, seja o motoboy ou o mototaxista.
Quanto à moradoria, Montosa cita que o Brasil tem uma demanda reprimida de oito milhões de unidades e para resolver este problema seriam necessários investimentos na ordem de R$ 100 bilhões por ano. Segundo ele, isto não é fácil de ser resolvido por mais que se abram linhas de crédito ou que venha dinheiro do exterior. É que além da demanda reprimida, há o crescimento vegetativo. Por isso, o consórcio surge como uma alternativa bastante interessante para que as famílias se programem, possam poupar e adquirir um bem de seu sonho.
Investimento
O presidente da Abac afirma também que o consórcio é uma boa alternativa de investimento. Há casos de pessoas que conseguiram adquirir mais de um imóvel através do sistema ou de investidores que preferem aplicar em carros, por exemplo. E uma demonstração de confiança é que o setor registra outro fenômeno. O mercado tem hoje cerca de 150 mil clientes contemplados e que não retiram o bem há mais de três meses porque eles são poupadores e querem retirar o bem no momento que considerar mais oportuno.
De acordo com o empresário, o investimento em consórcio ainda pode ser traduzido em maior poder de negociação. Você quer comprar um imóvel e está com R$ 100 mil. Com calma, você vai ao mercado e pode negociar um apartamento por R$ 95 mil ou 92 mil. Quando as pessoas sabem que vão receber, elas negociam. E o consorciado vai experimentar o poder de compra que o dinheiro tem.


