O sistema de consórcios se tornou uma opção de compras bem mais transparente nos últimos 16 anos, a partir do momento que o Banco Central (BC) aumentou a fiscalização no setor. Há alguns anos, os consórcios disputavam a liderança de reclamações dos consumidores no Procon. Agora, acontece exatamente o contrário.
  Segundo o empresário londrinense Rodolfo Garcia Montosa, atual presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o BC exerce dois tipos de fiscalização sobre as administradoras de consórcios: a presencial, que é feita periodicamente e consiste no acompanhamento ‘‘in loco’’ de todo o trabalho, e a segunda que é a fiscalização ‘‘remota’’, na qual todos os procedimentos são observados pelo computador.
  ‘‘Todo nosso sistema está interligado ao sistema bancário e ao BC com tal intensidade que os fiscais acompanham por uma telinha todas as operações das administradoras e qualquer situação diferente que chama a atenção, eles ligam para a empresa para saber o que está acontecendo’’.
Auditoria de processos
  Para o presidente da ABAC, ‘‘a adoção de normas de controle trouxe maturidade e maior profissionalismo ao setor, assegurando que os processos e os procedimentos internos das admistradoras fossem cada vez mais padronizados’’. Montosa explica que a padronização dos trabalhos recebe o nome de auditoria de processos.
  Os clientes não precisam conhecer os detalhes operacionais de como o sistema funciona, mas há todo um trabalho de preparação para que os atendentes possam repassar as informações de maneira correta aos solicitantes e sem improvisação. ‘‘Quando o cliente liga para o nosso 0800 para saber como substituir a garantia que está dando a um plano, por exemplo, a atendente tem um roteiro previamente definido e explica ‘o senhor tem que preencher isso, fazer aquilo’. E todo este processo de atendimento recebe o nome de auditoria’’.
  O presidente da ABAC afirma também que este trabalho não é tão simples quanto parece, mas em compensação, trouxe maior credibilidade ao setor. ‘‘A situação de demanda tem que estar previamente estabelecida no manual da empresa e seguida à risca para assegurar que o cliente ‘a’ ou ‘b’ receba o mesmo atendimento. E se houver falhas, elas são apontadas e corrigidas imediatamente’’.
  A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios foi fundada em 1967 e reúne, atualmente, cerca de 200 associados, sendo que a maior parte se concentra no Estado de São Paulo. A entidade representa seus associados perante a opinião pública, aos meios de comunicação e junto aos poderes constituídos - Executivo, Legislativo e Judiciário. Pela primeira vez em 40 anos, a ABAC é presidida por um empresário que não é de São Paulo, no caso o empresário Rodolfo Garcia Montosa, de Londrina.

Lei ampliará vantagens para o setor

  O Congresso Nacional está analisando um projeto de lei que estabelece direitos e obrigações das três partes envolvidas em um sistema de consórcio. ‘‘Você tem o consumidor individualmente, o grupo que ele faz parte e a administradora que segue as regras e faz com que aquele contrato seja cumprido’’, afirma o presidente da Abac, Rodolfo Garcia Montosa.
  De acordo com o empresário, até agora todas as regras estabelecendo as relações entre as três partes foram fixadas através de normas do Banco Central, que nem sempre eram bem compreendidas e geravam divergências.
  Mas além de definir as relações entre as partes envolvidas, a lei mudará o sistema de maneira substancial. ‘‘A lei trará novidades em relação ao uso do Fundo de Garantia para a oferta de lance e a possibilidade de crédito para a quitação de dívidas, o que hoje não é possível’’, afirma Montosa. Segundo ele, a pessoa contemplada em um consórcio atualmente pode usar o recurso apenas para uma nova aquisição e não para quitar um financiamento já existente, se for o caso. ‘‘Com a aprovação da lei, o cliente poderá tomar a decisão que for mais conveniente’’.
  Outra novidade prevista na lei é a criação do consórcio de serviços. Hoje, quando o consumidor precisa de um tratamento estético na área de odontologia, por exemplo, ele deve pagar à vista ou fazer um financiamento. E com a opção do consórcio, ele tem como se programar melhor para suprir tal necessidade. ‘‘Esta é apenas uma idéia, mas há uma série de aplicações que a nova lei trará como possibilidade para o mercado’’.
  Na edição de amanhã, as vantagens do consórcio como opção de poupança e investimento. (E.A.)

PECHINCHA

Susto no sorvete
Um susto no comércio de sorvetes que começa a temporada a todo vapor.
A temperatura mínima foi de 15,6 graus nesta terça feira na região de Londrina. É uma situação que pode ser considerada atípica porque a mínima histórica para o mês de novembro é de 17,9 graus.
Termômetro de vendas
Sorvetes, sucos, cervejas, refrigentes. Todo esse comércio - que movimenta milhões nesta época do ano - pode ficar tranqüilo. A temperatura continuará em ascensão. Nada a ver com os 9,8 graus de novembro de 1976.
Preço maluco
Alguns estabelecimentos vendem o mesmo produto com três preços diferentes, de acordo com a circunstância. E o exemplo mais evidente é o da garrafa de cerveja com 600 ml.
Com ou sem gelo
A cerveja sem gelo, para levar, custa R$ 1,80; gelada, para levar, R$ 2,00, ou gelada para tomar no local, R$ 2,20. O varejo enfrenta
a maior concorrência de sua história. Aproveite, economize
e não deixe de consumir.

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