Quanto tempo você leva para localizar o prazo de validade quando pega uma mercadoria na gôndola do supermercado? Esse tempo porde ter algumas variáveis, desde o nível de alfabetização até o interesse do próprio consumidor, isto sem falar que nem sempre a informação aparece de maneira adequada na embalagem. A FOLHA conversou sobre o assunto com alguns consumidores e concluiu que a maioria demora entre 15 segundos a um minuto e meio para encontrar o prazo de validade nas embalagens.
  O propagandista Edson Vivan Pereira diz que observa o prazo de validade apenas de produtos perecíveis, como os frios em geral. ‘‘Pode até ser um erro, mas não observo os outros pela confiança que a gente tem na embalagem’’. Pereira trabalha na área farmacêutica onde há maior exigência quanto à clareza do prazo de validade. Segundo ele, o mesmo rigor não acontece nas mercadorias vendidas nos supermercados. ‘‘Em alguns casos, o prazo é colocado com carimbo; as embalagens são brilhantes, o que dificulta a visualização, e em outros casos a embalagem está danificada. Eu desconheço as leis nesta área, mas acho que isso deveria ser melhorado’’.
  Pereira concordou em pegar um produto de limpeza para se verificar em quanto tempo ele descobriria o prazo de validade: foram 28 segundos. ‘‘É muito tempo. Primeiro eu tive que descobrir a data de fabricação, depois ler o rótulo e ver que o prazo de validade é de três anos após a data de fabricação. Ou seja, não está claro. Se fosse ‘direto’, seria mais fácil’’.
  A estudante universitária Franciele Pereira da Silva diz que observa o prazo de validade das mercadorias, principalmente dos gêneros perecíveis, mas não é sempre que isto acontece. ‘‘Não dá para ver isto quando a gente está correndo, com pressa, ou quando tenho que comprar bastante coisa; mas acho que é importante e necessário’’. Ela diz ainda que nem sempre o prazo de validade aparece com nitidez nas embalagens. ‘‘O consumidor precisa de uma coisa mais clara, saber a qualidade do que está levando para casa e se está no prazo de validade adequado’’.
  Franciele demorou 15 segundos para achar o prazo de validade em uma lata de sardinhas e 19 segundos em uma embalagem plástica de óleo de soja. ‘‘Acho que no dia-a-dia, em função da nossa pressa, deveria demorar menos tempo. O certo seria você bater o olho e encontrar o prazo de validade. E no caso dos alimentos, acho que deveria ser maior e mais legível’’.
  A secretária Simone Busignani afirma que é importante observar o prazo de validade principalmente dos perecíveis, ‘‘que podem causar problemas com maior facilidade’’, mas considera que é difícil encontrar a informação de imediato nas embalagens. ‘‘Geralmente vem em um tamanho muito pequeno e escondido, mas acho que deveria ser um tamanho maior e de forma mais clara’’.
  Simone também concordou em conferir quanto tempo demoraria para encontrar o prazo de validade em uma lata de sardinha. Ela olhou a embalagem de todos os lados e até pensou que a inscrição em relevo fosse o prazo de validade, mas era a data de fabricação do produto. Em resumo: ela demorou um minuto e meio para encontrar a informação correta. Bem-humorada, Simone brincou que precisaria de um dia inteiro para fazer a compra do mês se demorasse o mesmo tempo para conferir o prazo de validade de cada mercadoria. ‘‘Realmente, poderia ser um pouco melhor’’, concluiu.

Identificação deve ser imediata, diz professor
  O professor Vandre Alex da Silva, coordenador do curso de Marketing e Propaganda da Unopar e pesquisador no Código de Defesa do Consumidor, ficou surpreso com o tempo que os consumidores demoraram para encontrar o prazo de validade em alguns produtos. Ele afirma que a legislação não estabelece o tempo ideal para se localizar o prazo de validade a partir do momento em que a pessoa pega a mercadoria na gôndola do supermercado. Mas garante que ‘‘isto deve acontecer de imediato dentro dos princípios de clareza e objetividade’’.
  Silva reconhece, entretanto, que nem sempre é fácil encontrar o prazo de validade nas mercadorias. Ele diz que os principais problemas são exatamente a falta de clareza, de objetividade e de transparência. E há embalagens com letras minúsculas e com combinação de cores que dificultam a leitura e outras com papéis brilhantes.
  Segundo o professor, a responsabilidade sobre o conteúdo das embalagens não é apenas de quem fabrica, mas também de quem distribui e revende tais
produtos. ‘‘Todos são ‘solidários’. No caso de algum prejuízo, o consumidor deverá procurar o Procon e a empresa poderá responder civil e criminalmente a questão’’. (E.A)

PECHINCHA
Combustíveis
Os preços dos combustíveis em Londrina sempre foram muito ‘‘parecidos’’, com pequenas variações de um estabelecimento para outro, o que já chegou a levantar algumas ‘‘suspeitas’’.
Mudança
Mas este panorama parece estar mudando. E exemplo vem de dois postos que se localizam na Avenida Maringá. Desde que o álcool passou dos R$ 1,00, a diferença de preços entre ambos ficava em apenas R$ 0,03.
Outros tempos
Agora, um posto vende o litro de álcool por R$ 1,20 e o outro por R$ 1,36, ou seja, uma diferença cinco vezes maior que a anterior. Em percentuais, quase 15%.
Panetones
E é também impressionante a diferença de preços
de panetones nos supermercados de Londrina. A embalagem com 500 gramas é vendida em torno de R$ 10,00 quando o produto é de ‘grife’ e em torno de R$ 3,00 quando é de fabricação própria do supermercado.

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