SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de novembro de 2007
Gisele Mendonça<br>Especial para a FOLHA 
Ficar sem orientação de tempo no mundo moderno é praticamente impossível. As horas estão por toda a parte - na tela do computador, no painel do carro, no microondas, na rua e, principalmente, no celular. Com tudo isso, quem precisa de um relógio de pulso?
Carregar o acessório no braço, atualmente, só se for como adereço. Quem trabalha no setor, garante que o relógio de pulso não caiu em desuso porque virou moda e assumiu função decorativa. E se esse mercado não vem crescendo, pelo menos se mantém - mesmo com a popularização do celular e outras tecnologias.
Desde sua criação, no início do século XX, o relógio de pulso vem passando por várias transformações. Ultimamente, porém, mais parece uma jóia. As mulheres são as principais adeptas do acessório, que vem acompanhado de pedras, com pulseiras coloridas e em formatos grandes, às vezes, chegando à extravagância.
''A última moda são os relógios com pedrarias e a cor mais procurada é o branco. As pulseiras são as mais variadas: em cerâmica, couro, acrílico ou material emborrachado'', afirma a vendedora Lucimara Silveira Parizoto, que trabalha há dez anos numa loja especializada em Londrina.
Para o público masculino, segundo a vendedora, os modelos mais procurados são os esportivos (digitais) com pulseiras emborrachadas. ''Homens e mulheres de todas as idades ainda compram relógio de pulso hoje, porém, mais como acessório. Já a garotada (adolescentes) é quem mais consome as novidades (com pedrarias, coloridos), observa Lucimara Parizoto.
Em lojas especializadas, que vendem relógios nacionais e importados, os preços vão de R$ 100 a R$ 2 mil. Em camelô, imitações de marcas famosas custam de R$ 20 a R$ 30. ''O que mais sai é relógio com pedraria, os coloridos e em forma de bracelete. O branco vem em primeiro lugar, mas prata e dourado também têm bastante pedido'', diz Sueli Arruda, que vende relógio no Camelódromo de Londrina há cinco anos. Na avaliação da vendedora, o comércio do produto não se alterou nos últimos anos. ''Todo mundo que chega aqui tem celular para ver as horas, mas quer o relógio porque é moda''.
Meus relógios são as minhas secretárias
Ele tem cerca de 100 relógios de pulso, mas quem não o deixa perder a hora dos compromissos, na verdade, são as suas secretárias. O apresentador de TV Marcão Kareca coleciona relógios há 20 anos e sempre anda com um deles no pulso, mas não tem o hábito de ver as horas. O relógio funciona mais como uma composição fashion do que propriamente para ver as horas, afirma. Aliás, se você comprar um relógio de marca que não tiver ponteiro, não vai nem perceber.
A coleção do apresentador tem desde peças caras até exemplares de R$ 1,99. Ele diz que compra relógio em qualquer lugar desde que o
design o atraia. O preferido do apresentador é um modelo simples, nas cores prata e azul, que custou em torno de R$ 200, e foi adquirido durante uma viagem de avião. Escolhi no vôo, por catálogo, conta ele, que também coleciona óculos, gravatas e perfumes.
Para acordar, porém, Marcão Kareca revela que seu despertador é o celular. E no mundo coorporativo, meu relógio são as minhas secretárias. São elas que sempre me informam dos horários da minha agenda, brinca. (G.M.)
Relojoeiro diz que não falta trabalho
Há 50 anos na profissão de relojoeiro, Antonio Mendonça Teixeira está começando a sentir o reflexo da tecnologia na quantidade de relógios de pulso em circulação no mercado. A mudança é lenta. De uns dois anos para cá é que começou mesmo a substituição do relógio de pulso pelo celular. Mas ainda tem muita gente que não abre mão do relógio porque fica no braço, é mais prático, observa.
Por conta desse público, não falta trabalho na loja de Teixeira, no Centro de Londrina. Por dia, ele faz uma média de cinco consertos, sem contar as trocas de bateria. O número de conserto caiu em relação há anos atrás, mas esse desfalque é compensado pelas trocas de bateria, que hoje tem muito, explica o relojoeiro.
Outra diferença, segundo ele, é que atualmente não pára mais serviço na mesa porque os consertos são simples e rápidos. Antigamente era preciso desmontar todo o relógio. A matéria-prima era bem mais resistente. Os relógios duravam 60, 80 anos e passavam de geração em geração. Hoje, muitos são descartáveis, como esses de camelô. Às vezes, nem trocando a bateria dá conserto, observa.
Segundo Teixeira, o medo de roubo também fez muita gente tirar o relógio de circulação nos últimos anos. (G.M.)
PECHINCHA
Cena um
O consumidor está experimentando alguma roupa no provador de uma grande loja e, de repente, ouve a seguinte mensagem pelo sistema de som: Esta loja é protegida por circuito interno de TV.
Atenção, urgente
Até aí, tudo bem. Mas logo em seguida, praticamente sem uma pausa, a voz emenda, com aparente sentido de urgência: Atenção segurança fulano de tal. Favor comparecer ao provador masculino (ou feminino).
Big brother?
A sensação que a mensagem transmite, em um primeiro momento, é que as pessoas estão sendo vigiadas até quando experimentam roupas, embora haja um funcionário que controla a quantidade de peças que entra e sai dos provadores.
Questão de sintonia
Em segundo momento, a sensação é de que a loja está sendo roubada naquele instante. Só que, ao contrário da mensagem, nada indica algo de anormal no estabelecimento. Falta de troco. As notas de R$ 1,00 estão cada vez mais escassas no comércio. Elas são substituídas por moedas do mesmo valor, só que os consumidores - na maioria das vezes, deixam as moedas em casa. Resultado: falta generalizada de troco.


