As denúncias de adulteração do leite longa vida não mudaram os hábitos dos consumidores, que continuam comprando o produto nos supermercados nas mesmas quantidades, mas preocupam. A alegação é que não encontram outra alternativa. O que mudou mesmo foi o comportamento das pessoas em relação ao produto. O que antes era uma atitude de credibilidade quase absoluta, agora se transformou em medo e desconfiança. E isto não é exclusivo de uma ou outra marca, mas do produto
como um todo.
  A dona de casa Célia Tosti diz que tomou conhecimento das denúncias de adulteração do leite e acha lamentável. ‘‘É uma falta de respeito com o consumidor porque o leite é um produto usado no dia-a-dia principalmente na alimentação de crianças’’, disse. Célia tem dois filhos, de três e 12 anos, e diz que vai continuar comprando o leite porque não tem outra alternativa. ‘‘Só que a partir de agora será com muita desconfiança’’. Ela diz que pretende tomar alguns cuidados, entre eles ferver bem o leite. ‘‘As crianças precisam e não tem como não dar o leite para elas. Posso até trocar de marca, mas não dá para substituir pelo leite em pó porque encarece muito’’.
  A dona de casa Gisele Malaghini estava em um supermercado para comprar uma caixa de leite longa vida com 12 unidades. Ela tem dois filhos, um de nove meses e outro de 11 anos. ‘‘Os meus filhos só tomam leite longa vida’’. Gisele disse que os meninos nunca apresentaram nenhum problema de saúde por causa do leite. ‘‘Só que, a partir de agora, vou tomar mais cuidado e comprar o leite com um pouco de medo’’. A dona de casa acredita que as empresas fazem adulteração no produto para ganhar mais dinheiro. Ela está confiante que o problema não chega ao Paraná.
  A arquiteta Joseane Pivetta acha que a denúncia de adulteração é preocupante. ‘‘O leite é um alimento que a gente consome todo dia e é motivo de preocupação porque está diretamente relacionado com nossa saúde’’. Ela diz que não compra o leite em embalagem longa vida tanto por indicação médica quanto por vontade própria. ‘‘O pediatra disse que o leite em saquinho tem menos estabilizante e desde que troquei o leite em pó, só
faço a mamadeira de
minha filha com o leite
normal (em saquinho)’’.

Mistura é caso de polícia diz, especialista
  A professora Lúcia Helena Miglioranza, doutora em Ciência e Tecnologia de Leite e Derivados, condena com veemência a adulteração do leite longa vida, principalmente por se tratar de um alimento essencial para as crianças. ‘‘Considero caso de polícia porque, tecnicamente, isso se configura como exposição dos consumidores a resíduos químicos, o que não é permitido em nenhuma circuns-tância’’. Ela acrescenta que ‘‘indústrias idôneas se cercam de todos os cuidados para que isto não aconteça porque os resíduos são facilmente identificáveis em análises de rotina’’.
  De acordo com a professora, o ato de ferver o leite antes do consumo, como pretende fazer boa parte dos consumidores, não elimina os resíduos químicos. Ela explica também que este tipo de fraude pode aparecer não apenas no leite longa vida, mas também no leite pasteurizado (saquinhos) e até mesmo no leite cru. ‘‘Ao consumidor resta cobrar enfaticamente a tomada de medidas cabíveis junto ao Ministério da Saúde’’.
  Lúcia Helena diz ainda que a solução para o problema não pode se limitar à substituição do produto. ‘‘O leite pasteurizado ou longa vida é uma importante fonte de cálcio e proteínas de alto valor biológico. Eventualmente substituir pelo leite em pó pode ser conveniente, mas é estranho um país com tanta disponibilidade de recursos materiais, técnicos e humanos como o nosso, não garantir à população a disponibilidade de um produto lácteo de boa qualidade para consumo’’. (E.A)

PECHINCHA
Som variado
O consumidor que circula pelo centro de Londrina pode perceber o variado ‘‘cardápio’’ musical nas lojas, farmácias e supermercados. Há som ambiente para todos os gostos.
Vale a mensagem
Algumas lojas, principalmente na Rua Sergipe, até exageram no volume. Outras, no Calçadão intercalam músicas com ofertas. Até mesmo algumas lojas tradicionais estão apelando para este recurso de comunicação.
Espantando a freguesia
A maioria dos estabelecimentos executa músicas clássicas, sertanejas ou populares, mas alguns - entretanto, apelam para músicas religiosas, o que nem sempre agrada os fiéis de outras demoninações.
Geração de empregos
O uso de sistemas de som no comércio de Londrina é tanto que está contribuindo, inclusive, para empregar novos ‘‘locutores’’ na cidade.
Cereal matinal
O cereal Sucrilhos Kellogg’s aparece em oferta nos folhetos de alguns supermercados esta semana. O pacote com 300 gramas varia entre R$ 3,95 e
R$ 4,60.

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