SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Mercadorias
importadas disputam
espaço com as
nacionais
A variedade de artigos importados disponíveis no comércio em geral surpreende os consumidores. Há alguns anos a compra de um produto estrangeiro se restringia a uma determinada época do ano e a um segmento da sociedade. Agora, estas mercadorias ocupam o mesmo espaço que os similares nacionais nas gôndolas dos supermercados.
O principal motivo para a invasão dos importados é a baixa cotação do dólar, que está abaixo da metade registrada há cinco anos. E com o dólar em baixa, há consumidores que fazem planos (e até compras) para o fim de ano.
Na opinião da professora Luciana Mendes, a compra de produtos importados está bem mais acessível atualmente. Ela diz que sempre compra vinhos importados e admite que a baixa cotação do dólar incentiva a mudança de hábitos. Esses dias, comprei mostarda, ket-chup e milho verde, porque comparando com os produtos nacionais estava o mesmo preço; então optei pelos importados.
Luciana diz que ainda está cedo para pensar nas compras de Natal, mas acredita que se houver uma reação da moeda norte-americana, o consumo de importados será reduzido. Agora, independente da cotação do dólar, a professora acredita que o momento exige cautela. Acho que este final de ano não promete em função da nossa economia. Não quero ser pessimista, mas acho que a classe média está dando uma boa segurada para não correr riscos.
O comerciante Marco Aurélio Gomes Pereira observa que o dólar caiu pela metade nos últimos anos, deixando os produtos importados mais competitivos. A gente compra produtos equivalentes aos brasileiros ou até melhores pelo mesmo preço. Ele admite que o momento atual incentiva a compra antecipada de produtos natalinos, mas diz que nem sequer pensou sobre o assunto. Sou bem brasileiro e não sou desses que pensa com tanta antecedência. Eu compro as coisas que quero dois dias antes. Ele afirma, entretanto, que como lojista já observou um fluxo maior de pessoas com a aproximação do fim de ano.
Pereira diz que não tem tanta pressa porque acredita que a cotação do dólar permanecerá estável pelo menos até dezembro. Ele já não demonstra tanto otimismo quanto ao futuro. Acho que nos próximos anos a economia mundial passará por grandes alterações e, se alguém pensa em comprar produtos importados, seria bom aproveitar este ano.
Para a dona de casa Monalisa Martins, este é o momento certo de pensar nas compras para o final do ano. A minha família vai fazer árvore de Natal só com produtos importados. É bem mais barato. Além de alimentos e bebidas, ela diz que vai comprar presentes para seu filho de apenas um mês e também para um sobrinho que está para nascer.
E sem esconder a preferência pelos importados, Monalisa diz que vai aproveitar bem esta fase. Eu adorei que o dólar está baixo. Isto incentiva bastante a compra de produtos importados. Então, a gente tem que aproveitar. Ela afirma também que está muito otimista em relação ao fim de ano. Esse ano foi bom. Tudo está melhorando para mim e minha família. As perspectivas para este resto de ano são boas. Estou bastante otimista.
Para economista,
situação é artificial
O economista Vanderlei José Sereia atribui a baixa cotação do dólar à conjuntura internacional. Ele explica que a partir de 2004 houve uma valorização maior do Real, o que facilitou as importações. Assim, vários produtos estrangeiros ficaram mais baratos que os produtos nacionais, causando uma invasão dos importados.
Para ele, entretanto, esta situação é artificial. Segundo o economista, ao mesmo tempo em que a desvalorização cambial facilita as importações, também cria sérias dificuldades para a exportação de produtos brasileiros, que ficam mais caros no mercado externo. De acordo com Sereia, já está acontecendo um desalinhamento de preços em alguns setores, entre eles os de calçados, sucos de laranja e carnes.
O economista afirma que a baixa cotação do dólar pode ser boa para o mercado interno neste momento, mas pode trazer sérios prejuízos para a economia a médio prazo. A importação desestimula a produção nacional e isso é ruim porque significa a oferta de menos empregos. (E.A.)
PECHINCHA
De empresa, não
Vários estabelecimentos comerciais colocam cartazes em locais bem visíveis, de preferência perto dos caixas, informando que não aceitam cheques de empresas. E a maioria dos consumidores fica sem saber os motivos.
Procedência duvidosa
De acordo com especialistas, a restrição atinge apenas o consumidor final, ou seja, a pessoa física que eventualmente pode ser portadora de um cheque de empresa. E o principal motivo para a recusa é que nem sempre o comerciante sabe a verdadeira procedência do cheque,
que pode ser clonado,
e prefere não correr
o risco de um golpe.
Voltando ao normal
O abastecimento de leite longa vida dá sinais de volta ao normal nos supermercados de Londrina. Já é possível encontrar o produto entre R$ 1,09
e R$ 1,29 o litro, independente de
promoção. Algumas marcas, entretanto, permanecem em torno de R$ 2,00 o litro.
Açúcar também
Outro produto que está com preço baixo, sem considerar promoção, é o açúcar cristal Alto Alegre. Em alguns supermercados é possível o pacote de cinco quilos por menos de R$ 3,00.


