Mesmo com toda padronização que existe em termos de moda, é possível identificar alguns segmentos da sociedade que recebem influência direta de suas respectivas religiões. Algumas igrejas evangélicas, por exemplo, orientam suas seguidoras a usar determinados tipos de roupas, o que é cumprido à risca. E como as roupas com tais características não são encontradas tão facilmente nas lojas tradicionais, surgiram alguns estabelecimentos especializados em atender este público.
A dona de casa Fabrícia de Freitas pertence à Congregação Cristã no Brasil há 20 anos. A religião tem algumas normas rígidas que são seguidas ao pé da letra pelos fiéis. As mulheres não podem, por exemplo, cortar o cabelo, passar esmalte ou usar calças compridas. Por isso, desde que entrou para essa religião, Fabrícia só usa saias ou vestidos, roupas que são definidas por ela como ''recatadas''.
Antes da existência das lojas especializadas, Fabrícia diz que comprava as peças separadas em várias lojas ou encomendava as roupas para costureiras. ''Só que a gente pedia um modelo e alguma coisa não ficava do jeito que a gente tinha pedido'', reclama. Ela afirma que gosta de roupas com cores suaves, embora não haja recomendações da igreja quanto à cor. ''A roupa não pode ser escandalosa'', resume.
A vendedora Marlene da Silva diz que está na igreja evangélica Assembléia de Deus desde que nasceu, o que exerce uma influência decisiva em sua maneira de se vestir. ''Sempre usei roupas comportadas, mais decentes, mais fechadinhas. Me sinto maravilhosamente bem usando estas roupas, graças a Deus''. Ela frisa que por causa de sua opção religiosa não encontra as roupas que procura no comércio tradicional.
Por isso, ela se tornou cliente assídua de uma loja especializada. Antes, ela encomendava as roupas para costureiras. ''Era bem mais difícil: eu comprava o tecido e mandava fazer, mas a questão é que ficava mais caro''.
A empresária Valéria Magalhães é sócia de uma loja especializada em roupas para mulheres evangélicas. Ela, que é da Congregação Cristã no Brasil, afirma que descobriu este nicho de mercado ao perceber o quanto era difícil encontrar ''essas roupas específicas''.
Valéria afirma que, embora haja um público bem definido, a loja recebe uma clientela variada. ''Tem o pessoal das igrejas evangélicas com 'doutrina' que exigem determinado tipo de roupa, mas tem as pessoas que não são evangélicas mas gostam da blusa com manga mais fechadas, que usam saias; e tem as católicas e mulheres de outras denominações religiosas que também nos procuram''.
De acordo com a empresária, este tipo de roupa é mais difícil ainda de se encontrar em estações como primavera e verão. E está enganado quem pensa que a clientela é só de mulheres de ''certa idade''. ''Nós atendemos pessoas de todas as idades: desde a jovem, a mulher de meia idade até a idosa''.

‘Religião é referência para a moda’
  A professora Dorotéia Pires, do curso de Design de Moda da Universidade de Londrina, afirma que a religião sempre serviu de referência para a moda. Segundo ela, é possível identificar as religiões de algumas pessoas de acordo com as roupas que elas usam. Mas esclarece, entretanto, que apenas algumas igrejas evangélicas adotam um certo padrão de roupas, o que não serve de parâmetro para todas as igrejas evangélicas. A professora comenta, por exemplo, que pertence à Igreja Batista, que não impõe nenhum tipo de roupa a seus seguidores.
  Dorotéia lembra também que há outros valores religiosos que aparecem de formas sutis na moda, tais como imagens, frases ou acessórios, às vezes ‘‘mais fortes’’ que a própria roupa, e servem para demonstrar o sincretismo religioso ou uma forma de protesto.
  A professora lembra ainda que a própria Bíblia, no Antigo Testamento, já trazia recomendações de como as pessoas deveriam se vestir, havendo até a orientação de não se misturar fibras.
  Segundo ela, a presença da religião na moda é tão forte que as pessoas podem usar algo de origem religiosa mesmo sem saber. ‘‘Há coisas que migraram do universo religioso para o nosso cotidiano’’ e cita dois exemplos: o fato de algumas mulheres usarem ‘‘combinação’’, uma espécie de ‘‘proteção’’ que fica sob as saias, ou os homens usarem camisetas de algodão sob as camisas.

PECHINCHA
Antes, um dia
As promoções de hortifruti nos supermercados de Londrina podem ser divididas em três momentos. O primeiro foi quando os estabelecimentos adotaram um dia da semana para fazer as promoções.
Depois, os produtos
Em um segundo momento, os supermercados passaram a fazer promoções isoladas de alguns produtos para fazer concorrência direta aos outros estabele-cimentos, mas continuaram com o dia tradicional.
Agora, vários dias
Agora, uma rede de supermercados resolveu inovar e fazer as tais promoções de hortifrui em três dias da semana. Os consumidores aprovam a medida, mas acham que os preços continuam altos.
Segurança total
Fica evidente que os supermercados, shoppings e grandes lojas reforçam a segurança cada vez mais, tanto com a utilização de recursos humanos quanto eletrônicos. E para que ninguém tenha dúvida, são colocadas placas indicativas em pontos estratégicos.

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