O consumidor brasileiro já incorporou em seus hábitos a possibilidade de voltar à loja para trocar alguma mercadoria, principalmente quando se trata de roupas ou calçados. A situação se verifica com maior incidência nas chamadas datas festivas. Porém, de vez em quando, a pessoa se depara com uma barreira: ‘‘Não trocamos mercadorias aos sábados’’. Mas afinal, a loja é obrigada a fazer a troca de qualquer produto? Ela pode se recusar a prestar este tipo de serviço em um sábado?
  Na opinião da dona de casa Jaqueline Palmeira Trevisan todas as lojas deveriam fazer troca de mercadorias aos sábados. ‘‘Isto facilitaria a vida do consumidor, em especial para quem trabalha a semana inteira e só tem o sábado disponível para fazer as trocas necessárias’’. A dona Jaqueline voltou a uma loja para trocar a bermuda de seu filho porque havia comprado um número maior.
  A troca na loja onde ela fez a compra poderia ter sido feita em um sábado, mas ela optou por um dia útil. Ela disse que não teve nenhum problema com a troca, exceto não ter encontrado o número certo no modelo anterior. ‘‘Troquei por outra porque não achei a que procurava’’. De acordo com a dona Jaqueline, a grande maioria das lojas não troca de mercadorias aos sábados pelo excesso de movimento.
  A enfermeira Karina Feijó da Costa Ogliari analisa a questão tanto do ponto de vista do consumidor quanto do lado do lojista e acha que deveria haver um melhor ‘‘entendimento’’ entre as partes. Ela reconhece que a impossibilidade de fazer a troca aos sábados é ruim para quem trabalha a semana inteira, mas admite que a situação é difícil também para as lojas porque ‘‘o movimento é maior aos sábados’’. Para ela, o que deveria ser levado em consideração é o bom senso. ‘‘Na semana passada, fui fazer a troca em uma loja e a moça disse que não poderia porque era final de semana; mas chegou um moço que era de Maringá e ela também não fez a troca’’.
  Karina acha que as lojas devem fazer a troca de mercadorias aos sábados, com a ressalva de que a prioridade é para quem está comprando. ‘‘Tem gente que vem trocar mercadorias e fica apressando o vendedor, enquanto os outros que estão ali comprando ficam esperando. Se tenho interesse em trocar, preciso aguardar aquele que está comprando para depois fazer a minha troca’’.
  A estudante Mariana Carmagnani afirma que é muito raro fazer a troca de algum produto ‘‘porque experimento bem antes’’. Ela estava em uma loja fazendo a troca de uma mercadoria, o que poderia ter feito tanto em um dia útil quanto no final de semana. Apesar desta possibilidade, Mariana critica as lojas que se recusam a trocar mercadorias aos sábados. ‘‘Acho que isto é um absurdo, uma falta de respeito com o consumidor porque tem muita gente que trabalha e não teria tempo de fazer a troca durante a semana. Assim, o sábado é o único dia que sobra para estas pessoas’’.


Troca nem sempre é obrigatória
  O coordenador do curso de Marketing e Propaganda da Unopar, professor Vandre Alex da Silva, que também é advogado, faz duas considerações sobre trocas de mercadorias. A primeira, do ponto de vista legal, é que o Código de Defesa do Consumidor faz referência ao assunto como ‘‘vício do produto’’, ou seja, quando há algum defeito aparente ou oculto e que não venha a ser identificado naquele momento.
  Neste caso, afirma Silva, o comerciante deve efetuar a troca do produto independente do dia da semana, desde que esteja no prazo determinado. Quanto se trata de bens duráveis, como eletroeletrônicos, por exemplo, o prazo para reclamação é de 90 dias e no caso de bens não-duráveis, como alimentos ou prestação de alguns serviços, o prazo é de 30 dias.
  E quanto à troca de roupas, o que se observa com maior freqüência nas lojas, o panorama muda completamente, de acordo com o professor. Segundo ele, o comerciante não é obrigado a trocar este tipo de produto não apenas no sábado como em qualquer dia da semana porque o cliente deveria experimentar bem o produto e ver se não há nenhum defeito antes da compra. A troca, neste caso, passa ser uma estratégia de marketing. ‘‘A troca é mera liberalidade do comerciante, um fator promocional que visa manter a fidelidade do cliente’’.
  E uma vez que se trata de uma questão de ‘‘boa vontade’’, o professor não vê nenhum problema no fato da maioria das lojas não efetuar a troca de mercadorias aos sábados. ‘‘É neste dia que as lojas atendem a um número maior de clientes e o vendedor tem que manter o foco em realizar vendas e não em fazer trocas’’, resume. (E.A.)

PECHINCHA
Ás moscas
O problema de atendimento no caixa preferencial de um supermercado se repetiu, alguns dias depois, em outro supermercado. Alguns idosos com pequenos volumes nas mãos enfrentavam filas como qualquer cidadão, enquanto o ‘‘caixa exclusivo’’ estava literalmente abandonado. Além dos idosos, este caixa é destinado também às gestantes e portadores de necessidades especiais.
Efeitos da estiagem
É bem provável que a maioria dos consumidores ainda não tenha se dado da dimensão do problema, mas a estiagem prolongada está prejudicando o desenvolvimento de
várias culturas.
Milho, o exemplo
Ontem, nas feiras de Londrina, a conversa girava em torno deste assunto.
Em uma banca que tradicionalmente vende o milho verde, o produto
estava em falta. O feirante argumentou que, para ter o milho, precisaria vender a espiga por R$ 1,00 ao consumidor, ou seja, três vezes mais que na
semana passada.

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