SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Filme para câmera fotográfica, cartão telefônico, recarregador de celular, pilha, sandália, ração para cachorro, carvão, bolacha, sorvete, pães, leite. Supermercado? Não. A loja de conveniência de muitas farmácias. Esta oferta tão variada de produtos pode facilitar a vida do consumidor e aumentar o lucro do comerciante. Mas não é bem isso que a lei federal 5.991/73 permite. Segundo esta lei, as farmácias só podem vender remédios, alimentos para bebês, artigos usados na higiene pessoal e perfumaria. Como a legislação não diz o que é proibido vender, as farmácias se aproveitam da brecha.
Porém, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer mudar esta situação. Até o dia 10 de outubro, sociedade e setores interessados podem enviar sugestões à Consulta Pública nº69, que propõe o Regulamento Técnico de Boas Práticas Farmacêuticas em Farmácias e Drogarias. O regulamento define critérios para o controle sanitário da venda de medicamentos e produtos correlatos e alimentos, como também para a prestação de outros serviços farmacêuticos à população. O argumento da Anvisa é de que a farmácia não deve ser vista como um estabelecimento comercial.
Ela deve ser um local de promoção à saúde, com suas atividades bem definidas e funcionando como uma extensão das orientações médicas e dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), defende o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello.
A proposta da resolução traz, ainda, uma lista com os tipos de produtos que continuarão sendo comercializados nas farmácias e drogarias - os chamados produtos correlatos - cosméticos, produtos de higiene pessoal, adoçantes e suplementos de vitaminas/minerais, entre outros. O objetivo do regulamento é uniformizar nacionalmente os critérios para a venda de produtos nestes estabelecimentos, levando-se em conta que, atualmente, legislações locais tratam desta questão de forma diferenciada.
Segundo o coordenador da Vigilância Sanitária em Londrina, Rogério Lampe, a resolução 226, de 15 de abril de 1999, determina as condições de funcionamento de estabelecimentos farmacêuticos (farmácias e drogarias) dentro de supermercados, armazéns ou empórios, lojas de conveniência e drugstore. Dentre as determinações, a que a área da farmácia ou drogaria deverá estar isolada do restante do estabelecimento por divisórias com altura mínima de dois metros, de material liso, resistente e lavável.
Outra resolução, é que a área da farmácia ou drogaria deverá estar identificadas placas e/ou letreiros para visualização, onde se deverá ler Farmácia ou Drogaria. A resolução proíbe a presença de produtos alimentícios, venenos, produtos inflamáveis, de limpeza e desinfecção domiciliar e clínicas veterinárias próximos à área de acesso e dentro da farmácia ou drogaria.
O proprietário de uma rede de farmácias em Londrina, Rubens Benedito Augusto, considera um equívoco a proposta da Anvisa. As drugstores crescem em todo o mundo, inclusive no países europeus, mais reticentes em relação a este tipo de estabelecimento, defende. O empresário, ressalva, porém, a venda de certos tipos de produto, como ração para cachorro, roupa, carvão. Aí já é um exagero, contesta.
Augusto defende a venda de certos tipos de produtos, gêneros alimentícios, exemplifica, como um serviço adicional ofertado ao cliente. E as boas práticas farmacêuticas, como a presença constante de um farmacêutico, independem disso, argumenta. De acordo com ele, as vendas na parte de conveniência representam pouco mais de 2% de seu faturamento, já que os produtos possuem pouco valor agregado.
Consumidor aprova drugstore
Os institutos Vox Populi e Ibope realizaram no final de agosto pesquisas com a população sobre o hábito de adquirir produtos de conveniência e serviços nas farmácias e drogarias. Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que encomendou os estudos, a constatação é que o brasileiro costuma comprar não apenas remédios e perfumaria nestes estabelecimentos.
Segundo o Vox Populi, que ouviu 400 pessoas a partir de 18 anos, 75,5% dos consumidores freqüentam uma rede de farmácia e drogaria para ter acesso a não-medicamentos - entre alimentos, doces, bebidas, higiene e limpeza, produtos domésticos e veterinários -, enquanto 60,6% também adquirem remédios no ato da compra. E 81,6% dos entrevistados percebem alguma vantagem na venda desses itens. Quando informados sobre os termos da consulta pública, 60,4% se declararam contra a medida.
Já no levantamento do Ibope, 77% de um universo de 504 pessoas, de 16 anos ou mais, acreditam que as farmácias e drogarias não devem se ater à oferta de medicamentos e cosméticos. A qualidade dos produtos e serviços disponibilizados ao consumidor recebeu boa avaliação - 76 a 78% a consideram boa ou muito boa.
O presidente executivo da entidade, Sérgio Mena Barreto, ressalta a comodidade para o consumidor o fato de as drugstores oferecerem também um mix de não-medicamentos. Hoje as farmácias transformaram-se em grandes pontos de conveniência, 24 horas por dia, sete dias por semana. Em São Paulo, as pessoas podem pagar conta, comprar crédito do celular e adquirir o bilhete único do metrô sem a necessidade de enfrentar fila, enumera. Segundo Barreto, a proposta da Anvisa está na contramão do que é tendência mundialmente.
A diarista Luzia Aparecida dos Santos costuma comprar, além de remédios, produtos de perfumaria e higiene pessoal na farmácia. Ela opina que os estabelecimentos devem continuar com a conveniência. É uma facilidade para o cliente, argumenta. O estudante Régis Luiz Ronche passa todos os dias na farmácia de seu caminho para comprar bolacha e refrigerante. O preço é um pouco mais caro que o supermercado mas é uma comodidade. No entanto, discordo da venda de roupas e ração, opina.
A auxiliar de enfermagem Fátima Sousa Ferreira diz não ver motivos para a proibição da venda de alimentos nas farmácias. Esta oferta de produtos facilita a vida do consumidor. Já comprei refrigerante na farmácia porque as padarias e supermercados estavam fechados, exemplifica. (C.V)
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Concorrência explícita
A concorrência entre as farmácias de Londrina está cada vez mais explícita. Até recentemente, as redes fixavam seus preços sem se preocupar muito com o vizinho e também sem margem de negociação com os clientes.
O panorama é outro
Agora, o panorama é outro. Há farmácias que vendem seus produtos a preços de custo, outra não cobra nada pelos medicamentos da Farmácia Popular, e uma terceira anuncia a principal novidade do momento: cobrimos qualquer oferta.


