A gordura trans, apontada por médicos e nutricionistas como a grande vilã da alimentação moderna, permanece desconhecida da maioria dos consumidores. As pessoas geralmente não sabem do que se trata ou se limitam a afirmar que ouviram dizer que faz mal à saúde. Enquanto isso, os alimentos que possuem esse tipo de gordura são ‘‘livremente’’ vendidos nos supermercados e outras casas
do gênero.
  A gerente comercial Fabiane Colombelli estava fazendo compras em um supermercado com a filha Amanda, de quatro anos. Ela havia colocado diversos salgadinhos industrializados no carrinho de compras. ‘‘Geralmente a gente não fica em casa e almoça sempre fora e acaba comprando essa ‘porcariada’. Ela não teve dúvidas ao responder o que é gordura trans. ‘‘Sinceramente, não sei mesmo. Já ouvi falar. É uma coisa que vem nos alimentos, mas onde isso ajuda ou atrapalha eu como consumidora não sei’’.
  Ao ser informada sobre alguns alimentos que possuem a gordura, Fabiane afirmou que é praticamente impossível não comprar tais produtos. ‘‘Algumas coisas que estou levando devem ter gordura trans com certeza. A gente consome tanta coisa, todo dia e se você for tão radical a tudo, você não consome nada’’.
  A promotora de vendas Ana Carolina Ferretti diz que apenas ouviu falar sobre gordura trans. ‘‘Não faço a mínima idéia do que é essa gordura. Parece que não faz muito bem para a saúde’’. Ela estava no supermercado com as filhas Gabriela, de quatro meses, e Isabela, de três anos, e havia comprado vários produtos industrializados. ‘‘A minha filha (Isabela) gosta desse tipo de salgadinho e eu compro. Acho que é melhor comprar do que deixar a criança com vontade porque corre o risco de ficar doente’’.
  Ana Carolina afirma que ‘‘é difícil’’ evitar os produtos com gordura trans, principalmente por falta de informações. ‘‘Eu gostaria de saber que tipo de mal essa gordura traz para nossa saúde, porque faz tanto mal e porque
prejudica tanto’’.
  A advogada Natália de Abreu é o tipo de pessoa bastante cuidadosa com a alimentação. ‘‘Sempre procuro alimentos sem gordura trans. Faço dieta e só compro produtos integrais - biscoitos e cereais, nada que tenha gordura hidrogenada na composição’’. Ela afirma que toda esta precaução se justifica porque tem que controlar o colesterol.
  A necessidade de cuidar bem da saúde transformou Natália em uma consumidora exigente. ‘‘Gosto mais dos produtos in natura; mas quando é um produto industrializado, eu olho o rótulo, a informação nutricional e se tem gordura trans’’. Ela diz não duvidar quando um rótulo informa que o iogurte ou o pão tem zero gordura trans. ‘‘Eu acredito porque a gente não tem como aferir se isto é verdade, mas eu não compro este tipo
de produto. Pão e iogurte só os feitos em casa mesmo’’.

‘Buscar informação é o melhor caminho’  
A nutricionista Ana Flávia de Oliveira reconhece que a maioria da população realmente não está bem informada sobre os conceitos básicos de nutrição, em especial sobre gordura trans, o que pode desencadear uma série de problemas de saúde. ‘‘É uma questão de ordem cultural mesmo’’, afirma.
  Segundo ela, as próprias pessoas deveriam demonstrar um pouco mais de interesse, ler o que está escrito nos rótulos e buscar informações sobre o assunto nos meios de comunicação tradicionais e na internet. Ela diz que, apesar de algumas distorções, este é o melhor caminho para se obter conhecimento sobre gordura trans.
  Ana Flávia defende a idéia de que a educação nutricional faça parte do currículo do ensino básico nas escolas públicas a exemplo que já acontece em algumas escolas
particulares.
  Para a nutricionista o maior problema da gordura trans ‘‘é que nosso organismo não identifica adequadamente este tipo de gordura e, portanto, não faz seu metabolismo, ficando depositada nas artérias e causando as doenças cardiovasculares’’. (E.A.)


PECHINCHA

Vale quanto pesa
A venda obrigatória do pão francês por quilo completa um ano no próximo mês. O consumidor assimilou bem a mudança.

Centavos a menos
Para o consumidor, a diferença mais perceptível está no ato do pagamento. Na venda por unidades, os valores quase sempre ficavam arredondados. Agora, ficam ‘‘quebrados’’. A vantagem é que as padarias arredondam os valores para baixo.

Conta complicada
O mais difícil para o consumidor entender é a grande diferença de preços do pão francês no centro e na periferia de Londrina. Enquanto em alguns bairros o quilo fica em torno de R$ 3,00, nas padarias centrais sobe para R$ 5,50.
Água de coco
Com a chegada das estações mais quentes do ano, haverá um aumento razoável do consumo de água de coco. O produto que custa entre R$ 1,50 e R$ 2,00 a unidade na maioria dos sacolões e supermercados de Londrina, foi vendido em uma promoção a R$ 0,39.

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