SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A gordura trans, apontada por médicos e nutricionistas como a grande vilã da alimentação moderna, permanece desconhecida da maioria dos consumidores. As pessoas geralmente não sabem do que se trata ou se limitam a afirmar que ouviram dizer que faz mal à saúde. Enquanto isso, os alimentos que possuem esse tipo de gordura são livremente vendidos nos supermercados e outras casas
do gênero.
A gerente comercial Fabiane Colombelli estava fazendo compras em um supermercado com a filha Amanda, de quatro anos. Ela havia colocado diversos salgadinhos industrializados no carrinho de compras. Geralmente a gente não fica em casa e almoça sempre fora e acaba comprando essa porcariada. Ela não teve dúvidas ao responder o que é gordura trans. Sinceramente, não sei mesmo. Já ouvi falar. É uma coisa que vem nos alimentos, mas onde isso ajuda ou atrapalha eu como consumidora não sei.
Ao ser informada sobre alguns alimentos que possuem a gordura, Fabiane afirmou que é praticamente impossível não comprar tais produtos. Algumas coisas que estou levando devem ter gordura trans com certeza. A gente consome tanta coisa, todo dia e se você for tão radical a tudo, você não consome nada.
A promotora de vendas Ana Carolina Ferretti diz que apenas ouviu falar sobre gordura trans. Não faço a mínima idéia do que é essa gordura. Parece que não faz muito bem para a saúde. Ela estava no supermercado com as filhas Gabriela, de quatro meses, e Isabela, de três anos, e havia comprado vários produtos industrializados. A minha filha (Isabela) gosta desse tipo de salgadinho e eu compro. Acho que é melhor comprar do que deixar a criança com vontade porque corre o risco de ficar doente.
Ana Carolina afirma que é difícil evitar os produtos com gordura trans, principalmente por falta de informações. Eu gostaria de saber que tipo de mal essa gordura traz para nossa saúde, porque faz tanto mal e porque
prejudica tanto.
A advogada Natália de Abreu é o tipo de pessoa bastante cuidadosa com a alimentação. Sempre procuro alimentos sem gordura trans. Faço dieta e só compro produtos integrais - biscoitos e cereais, nada que tenha gordura hidrogenada na composição. Ela afirma que toda esta precaução se justifica porque tem que controlar o colesterol.
A necessidade de cuidar bem da saúde transformou Natália em uma consumidora exigente. Gosto mais dos produtos in natura; mas quando é um produto industrializado, eu olho o rótulo, a informação nutricional e se tem gordura trans. Ela diz não duvidar quando um rótulo informa que o iogurte ou o pão tem zero gordura trans. Eu acredito porque a gente não tem como aferir se isto é verdade, mas eu não compro este tipo
de produto. Pão e iogurte só os feitos em casa mesmo.
Buscar informação é o melhor caminho
A nutricionista Ana Flávia de Oliveira reconhece que a maioria da população realmente não está bem informada sobre os conceitos básicos de nutrição, em especial sobre gordura trans, o que pode desencadear uma série de problemas de saúde. É uma questão de ordem cultural mesmo, afirma.
Segundo ela, as próprias pessoas deveriam demonstrar um pouco mais de interesse, ler o que está escrito nos rótulos e buscar informações sobre o assunto nos meios de comunicação tradicionais e na internet. Ela diz que, apesar de algumas distorções, este é o melhor caminho para se obter conhecimento sobre gordura trans.
Ana Flávia defende a idéia de que a educação nutricional faça parte do currículo do ensino básico nas escolas públicas a exemplo que já acontece em algumas escolas
particulares.
Para a nutricionista o maior problema da gordura trans é que nosso organismo não identifica adequadamente este tipo de gordura e, portanto, não faz seu metabolismo, ficando depositada nas artérias e causando as doenças cardiovasculares. (E.A.)
PECHINCHA
Vale quanto pesa
A venda obrigatória do pão francês por quilo completa um ano no próximo mês. O consumidor assimilou bem a mudança.
Centavos a menos
Para o consumidor, a diferença mais perceptível está no ato do pagamento. Na venda por unidades, os valores quase sempre ficavam arredondados. Agora, ficam quebrados. A vantagem é que as padarias arredondam os valores para baixo.
Conta complicada
O mais difícil para o consumidor entender é a grande diferença de preços do pão francês no centro e na periferia de Londrina. Enquanto em alguns bairros o quilo fica em torno de R$ 3,00, nas padarias centrais sobe para R$ 5,50.
Água de coco
Com a chegada das estações mais quentes do ano, haverá um aumento razoável do consumo de água de coco. O produto que custa entre R$ 1,50 e R$ 2,00 a unidade na maioria dos sacolões e supermercados de Londrina, foi vendido em uma promoção a R$ 0,39.


