Introduzidas há mais de uma década no mercado como sinônimo de conforto e praticidade aos consumidores - uma vez que as sacolas plásticas vieram para substituir os sacos de papel, difíceis de carregar e que rasgavam facilmente - o produto, hoje, é apontado como um dos grandes responsáveis pela poluição ambiental. As sacolas tradicionais demoram até 500 anos para se decompor ao meio ambiente e, por isso, a discussão está focada na sua substituição. Em um primeiro momento, a troca vai ocorrer por produtos oxibiodegradáveis, com decomposição estimada em cerca de 18 meses.
O uso em escala comercial das sacolas oxibiodegradáveis é um dos projetos da Fundação Verde (Funverde), uma organização não-governamental sediada em Maringá (Região Noroeste). ''A sacola oxibiodegradável é o primeiro passo. Não se pode mudar o padrão de consumo das pessoas de uma hora para outra, tem que ser gradual. O próximo passo, é o consumidor trazer a sacola de casa, utilizar várias vezes a mesma sacola'', afirma o presidente da Funverde, Cláudio José Jorge. Além do problema ambiental, ele acrescenta que as sacolas têm custo alto para os supermercados, causando impactos ao bolso dos consumidores.
''Não podemos pensar que este valor não é repassado ao consumidor. Por menor que seja, alguma coisa está sendo cobrada'', alerta Jorge. A adoação de novas alternativas, na sua avaliação, inclusive poderia conscientizar mais pessoas sobre a necessidade de preservação do meio ambiente. As sacolas oxibiodegradáveis são diferentes das tradicionais porque durante a sua fabricação é adicionado um aditivo à resina plástica, criando produtos biodegradáveis, que são destruídos mais facilmente por agentes biológicos (bactérias). Mas as diferenças param por aí: características e propriedades - como resistência, transparência e permeabilidade - são semelhantes as do plástico tradicional.
Embora conheçam os impactos ambientais causados pelo plástico a maioria dos consumidores não dispensa a sua utilização. A gerente administrativa Maria Elisa Machado da Silva, por exemplo, usa as sacolas plásticas recebidas nos supermercados para colocar lixo. ''A gente sabe que estas sacolas causam danos ao meio ambiente, que demoram anos para se decompor, mas fazer o quê?'', questiona. Ela reconhece que o valor da sacola está incluso, indiretamente, no valor da compra, mas afirma que não aceitaria muitas sacolas caso o produto fosse cobrado separadamente.
Já a empresária artística Cassiane Valadão acha interessante os supermercados oferecerem sacolas plásticas para o consumidor, mas ficou surpresa ao saber que o preço já está embutido no valor da compra. ''Para falar a verdade, eu nunca pensei nisso; não sabia mesmo''. Ela afirma ter conhecimento que as sacolas plásticas causam danos ao meio ambiente, porém... ''a gente não pensa muito nisso; mas acho que está na hora de começar a pensar''. A vendedora Giovana Boscolo gosta da praticidade das sacolas plásticas.
Ela também não sabia que pagava indiretamente o custo das sacolas, mas não ficou surpresa com a informação. ''Hoje, não tem uma coisa que a gente faça e que não tenha algum custo embutido'', diz resignada. Ela acrescenta que usaria sacolas retornáveis, sem qualquer restrição, assim como as que a sua avó nos tempos da sua infância. Na edição de amanhã: usuários falam sobre os benefícios das sacolas retornáveis.

PECHINCHA

Compensa pesquisar
A pessoa que compra leite longa vida deveria fazer uma boa pesquisa de preços. Conforme esta coluna vem acompanhando nos últimos dias, o preço do leite está em promoção em alguns supermercados e com os preços cada vez mais próximos daqueles praticados no período de safra. Confira o gráfico:

Lembranças
Não custa lembrar que se tratam de preços promocionais e válidos, portanto, enquanto durar o estoque. O preço ‘‘real’’ do leite longa vida permanece na casa dos R$ 2.00.

Mantendo distância
Como o aumento no preço do leite chegou também a seus derivados, é perceptível como os consumidores reduziram o volume de compras de queijos, doces, iogurtes e cremes de leite. E não é para menos: o aumento, em comparação com o mês de junho, por exemplo, chega a quase 100%.

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