As crianças hoje em dia parece que estão melhores informadas que os adultos a respeito dos problemas que o excesso de consumo pode causar ao meio ambiente. Isto, porém, não deve ser encarado como motivo de alegria e sim de preocupação. Esta é a opinião do ambientalista Cláudio José Jorge, presidente da Fundação Verde, uma ONG de âmbito nacional e com sede em Maringá.
Segundo ele, a situação do meio ambiente é tão crítica que não se pode esperar que uma nova geração se forme para a sociedade começar a agir. ''Nós temos que pensar nos mais antigos, nas pessoas que estão consumindo agora, porque se você ensinar só para as crianças, elas vão demorar pelo menos mais dez anos para serem consumidores adultos. Nós temos que pensar em termos de hoje, a nossa mudança de atitude tem que ser imediata''.
Questão de sobrevivência: De acordo com o presidente da Funverde, a pessoa não precisa ser um cientista para perceber que a temperatura está aumentando e que isto está relacionado a consumo. ''É só você olhar o tempo. Antigamente nós tínhamos inverno na época de inverno e calor na época de calor. Hoje nós temos calor o ano inteiro e apenas alguns dias de frio. É lógico que alguma coisa está errada e não foi a intensidade do sol que aumentou''.
Jorge afirma que a discussão sobre os problemas causados ao meio ambiente deixou de ser essencialmente ''acadêmica'' e está se tornando um fator decisivo para a sobrevivência da humanidade. ''Quem não fica consciente, não pode viver neste planeta. Todos os dias a gente vê as coisas acontecendo porque as pessoas consomem demais. Porém, para a gente ter mais tempo de sobrevida, ter mais energia para o futuro e garantir uma vida mais digna para nossos descendentes, nós precisamos consumir menos agora''.
O ambientalista reconhece que um dos maiores desafios é mudar o comportamento das pessoas em relação ao consumo, que na maioria dos casos se tornou algo instintivo. ''Nós, consumidores, podemos viver muito bem com algumas coisas a menos''. E cita os Estados Unidos como um exemplo do excesso de consumo. ''Se houvesse mais gente consumindo igual aos americanos, nós precisaríamos de outros planetas só para suprir este consumo, que é algo assustador''.
Ele admite, entretanto, que não é fácil mudar o comportamento das pessoas, principalmente porque ainda há muita resistência em relação ao assunto. ''Falta um pouco de boa vontade, esta é a palavra-chave. As pessoas sabem que está errado, que muitas vezes não precisam de um produto, mas compram assim mesmo. Ou então, se acomodam no dia-a-dia, empurrando com a barriga, como se nada estivesse acontecendo. Nós estamos com os dias contados se não fizermos algo pela natureza, e logo''.
Opção de marketing- Jorge destaca duas experiências que considera importantes em termos de meio ambiente. A primeira é o incentivo ao consumo de alimentos orgânicos. ''Em termos de preço, é um pouco mais caro, mas você acaba consumindo menos, mas com qualidade, o que é importante''. A segunda é o fato de vários supermercados já terem adotado as sacolas oxibiodegradáveis, que demoram menos tempo para se decompor na natureza. Segundo ele, este tipo de sacola é uma etapa ''intermediária, porque o ideal mesmo é o uso da sacola retornável''.
O presidente da Funverde afirma também que o incentivo ao consumo consciente pode trazer bons resultados para a iniciativa privada. ''Com certeza. Se o supermercado ou o restaurante coloca em seu marketing que estão preocupados com o meio ambiente, as pessoas que também estão preocupadas vão optar por estes estabelecimentos''.

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