O setor de supermercados está passando por uma fase contraditória: enquanto há avanços em termos de tecnologia, o que traz uma série de benefícios para os consumidores, também há um notável retrocesso em termos de atendimento. E os consumidores começam a reclamar de alguns estabelecimentos. As reclamações vão desde a simples falta de um cumprimento - tipo bom dia ou boa tarde até à falta de prestação de socorro quando o cliente sofre um acidente no interior do próprio supermercado.
A estudante universitária Maria Helena Jabur diz que os funcionários de alguns supermercados simplesmente ignoram a presença dos clientes. ''O caixa nem olha no nosso rosto, muito menos o empacotador''. Ela diz que vem notando esta indiferença há algum tempo e outro dia, diante de tanta frieza, tomou a iniciativa de cumprimentar o caixa do supermercado. ''A pessoa até estranhou'', disse.
A estudante reconhece que o mau atendimento deve ser causado por problemas de ordem pessoal, mas acredita que este tipo de questão não deve ser levada para o trabalho. Para ela, uma das causas do mau atendimento seria a falta de treinamento dos funcionários. A estudante diz que não espera um atendimento ''vip'', mas acha que não custa a pessoa cumprimentar os clientes. Ela fez questão de cronometrar o quando dura dar uma boa tarde. ''É apenas um segundo'', resume.
Um fato bem mais grave aconteceu com o empresário Carlos Roberto Fabri, que foi literalmente atropelado por uma empilhadeira dentro de um supermercado. Ela estava na área de circulação próxima aos caixas quando foi atingido nas costas pela máquina que saiu de forma repentina de um corredor, derrubando-o no piso. A máquina causou um corte profundo em seu tornozelo, que começou a sangrar naquele momento.
Apesar disso, reclama, ninguém apareceu para prestar socorro. ''Apenas um segurança disse que iria chamar um táxi para me levar ao hospital'', diz o empresário. Mas o táxi não apareceu depois de quase meia hora de espera. ''Eles me disseram que não poderiam chamar o Siate porque o acidente foi no interior da loja; mas ninguém trouxe sequer um pedaço de papel higiênico para conter o sangue''. Na ausência de socorro, ele precisou ligar para um filho buscá-lo no local.
Fabri estava no supermercado naquele dia com a esposa e uma neta de apenas três meses. Ele diz que, por sorte, a menina tinha ido para o colo da avó dois minutos antes. Fabri explica que pegou um ''trauma tão grande'' que nunca mais voltou àquele supermercado. Ele está acionando a empresa por danos morais.

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