SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Eli Araujo<br> Reportagem local 
Cerca de oito a dez pessoas por dia comparecem a uma farmácia homeopática no centro de Londrina para comprar um remédio que combate o alcoolismo. Quem procura o medicamento, na maioria das vezes, é a mãe, a esposa ou a filha de algum alcoólatra.
Quando a iniciativa da compra do medicamento não é do alcóoltra, quem
vai ministrar o medicamento precisa ter alguns cuidados para evitar que a pessoa observe algum comportamento estranho. Nos dois depoimentos a seguir, foram preservadas as verdadeiras identidades dos envolvidos.
A estudante Márcia diz que seu pai bebia desde quando ela era criança e se tornava uma pessoa agressiva. ''Ele não chegava a agredir fisicamente, mas falava muitos palavrões, mentiras e se me visse com alguém, dizia que estava me prostituindo''. Márcia diz que o nível de alcoolismo era tão alto que quando ele sentia muita vontade e não tinha a bebida, misturava o álcool etílico com água para beber. ''Mesmo assim, ele nunca quis fazer um tratamento porque nunca admitiu ser alcoólatra''.
A bebida causou a separação dos pais de Márcia. A estudante não via solução para o problema até que soube, através de uma amiga, da existência de um medicamento que combate o alcoolismo. Sem ter muito o que perder, ela resolveu experimentar e comprou um frasco do produto. Todo dia, durante seis meses, ela colocava 15 a 20 gotinhas do medicamento nas refeições do pai, até que uma hora, ele resolveu parar de beber.''Me cortava o coração ver o jeito que meu pai ficava e pedi muito a Deus para acontecer alguma coisa boa. E hoje ele é uma pessoa calma, bondosa, atenciosa''.
O comerciário Luiz, de 53 anos, foi dependente da bebida alcoólica por muitos anos. ''Embora não bebesse tanto, eu tinha vontade de parar mas não conseguia; meu organismo já não se sentia bem''. Em função das bebedeiras, ele diz que brigava demais com os filhos e a esposa, mas foi a sogra que comprou o remédio anti-álcool e passou a misturar o produto nos sucos, refrigerantes e refeições. ''Eu passei a me sentir mal mas não sabia do que se tratava porque não sentia nem o gosto e nem o cheiro do remédio''. Luiz afirma que a persistência da sogra durou quase dois meses e ele está sem beber há um ano e meio.
Luiz garante que o fato de parar de beber trouxe mudanças significativas para sua vida familiar a profissional. E ele não recrimina a sogra pela atitude. ''Foi importantíssimo. Hoje, quando a pessoa toma qualquer coisa de álcool ela não tem disposição para nada; atrapalha até o pensamento. Agora, trabalho entre 30 a 40% mais e estou mais lúcido para produzir''.
Remédio é natural - A farmacêutica Júlia Mioshi Kawata diz que o remédio anti-álcool é feito a partir de uma planta e não há nenhuma mistura química. Ela garante que o remédio elimina a vontade de beber, mas o tempo necessário e a quantidade a ser ministrada varia de acordo com o organismo de cada um. ''Tem pessoas que tomam apenas um frasco e param de beber, enquanto outros precisam de três ou quatro frascos''.
Júlia diz que o remédio não tem cheiro, gosto e nenhuma contra-indicação. Pode ser misturado à água, sucos, refrigerantes, aos alimentos e até mesmo à bebida alcoólica. Ela sugere apenas que o remédio não seja misturado ao café puro porque a cafeína corta seu efeito.
Dono de farmácia perdeu a conta de quanto vendeu
O empresário Valdecir Martins começou a vender o remédio que combate o alcoolismo há dez anos em sua farmácia homeopática. Ele diz que até perdeu a conta, mas calcula que tenha comercializado ao menos 25 mil frascos do produto neste período, o que daria uma média aproximada de oito unidades por dia.
Mesmo sem ter um cadastro dos compradores, ele comemora os resultados. Graças a Deus, por causa deste medicamento muitas famílias foram refeitas, muita gente deixou de entrar em drogas mais pesadas e muita gente deixou de perder o emprego.
Martins afirma que quase todos os dias ouve relatos de famílias que deixaram de conviver com o problema. A gente fica feliz, muito grato, porque recebe o retorno de pessoas que comentam o que aconteceu. São famílias que conseguiram mudanças espetaculares dando o remédio para o marido, o filho, o genro ou o cunhado. Ele conta, inclusive, o exemplo de uma idosa que apanhava do próprio filho em momentos de embriaguez e ainda pegava o dinheiro da aposentadoria dela para sustentar o vício. Outro dia, ela veio agradecer, e até chorou. Moço, agora estou no céu. Meu filho mudou da noite para o dia.
De acordo com o empresário, é este tipo de depoimento que o faz manter a venda do remédio. E como as informações chegam ao conhecimentos de familiares que moram em outras cidades, ele diz que já mandou o remédio para vários lugares do Brasil via Correio.
Martins só lamenta que o problema do alcoolismo esteja aumentando muito atualmente. A coisa está séria; não está brincadeira não. O alcoolismo hoje é um flagelo. Causa um prejuízo muito grande para a Nação. E para ele, o prejuízo maior não é o dano que a pessoa causa a si mesma, mas aos outros. (E.A.)


