Os alimentos hoje existentes no mercado podem ser divididos em dois grupos: os ‘‘normais’’ e os light. É um padrão estabelecido pela indústria e aceito sem objeções pela sociedade. Mas o cardiologista Evander Botura discorda deste método e sugere uma nova classificação dos alimentos. Segundo ele, os alimentos que hoje são light, deveriam ser, na verdade, os produtos de maior consumo, e os produtos que são considerados ‘‘normais’’, estes sim, deveriam ser os diferenciados e vendidos em menor escala.
  Botura compartilha a opinião de um pesquisador europeu, para quem ‘‘todos os alimentos devem ser light, ou seja, com poucas calorias, pouca gordura, sem gordura trans e pouco açúcar; porque hoje em dia acontece contrário - o normal é ser calórico’’.
  De acordo com o médico, uma forma de deixar as coisas bem definidas seria o governo taxar os alimentos calóricos, assim como taxou os cigarros. ‘‘O que hoje é calórico seria, portanto, mais caro. E o light, que passaria a ser o normal, este sim deve ser mais barato’’. Botura resume a proposta da seguinte maneira: ‘‘A pessoa que comer pior, pagará mais’’.
  Para quem acha que a taxação seria uma medida drástica, o cardiologista lembra que ‘‘tanto a obesidade quanto às doenças cardíacas são uma ameaça à nossa sobrevivência’’. E os danos causados à saúde vão refletir nas contas das Nações. ‘‘Quem vai manter aquele trabalhador que ficou obeso e sofreu um derrame? É a Previdência Social. E as previdências de todo o mundo estão preocupadas porque as pessoas estão se aposentando mais cedo por invalidez. Isto deixa de ser um problema de saúde e passa a ser um problema econômico’’.
  Segundo o médico, a situação é tão grave que a ONU declarou recentemente que a obesidade é uma epidemia mundial. ‘‘É a primeira vez que uma doença não infecciosa ganha o status de epidemia’’, diz o médico.

Mudanças de hábitos - O cardiologista Evander Botura afirma que a reversão deste quadro depende, essencialmente, da mudança de hábitos da população. ‘‘O entupimento das artérias ocorre cada vez mais cedo e deixar o coração ‘livre’ depende de uma dieta sadia. Uma alimentação com níveis mais adequados de sais minerais, frutas, vegetais, proteínas e carboidratos não refinados, é uma garantia para um coração sadio’’.
  Botura aponta para a necessidade da população consumir os alimentos integrais, ao menos de forma alternada. ‘‘Eu falo para as pessoas: coma o pão francês na segunda, mas na terça coma o integral; se almoça arroz branco, coma o integral na janta’’. Ele reconhece que menos de 1% da população consome arroz integral porque é mais caro’’. Além do preço, que poderia ser reduzido se houvesse maior consumo, o médico cita que mais sério ainda é a falta de costume da população. ‘‘É uma questão cultural, ninguém gosta disso. As crianças não gostam e os pais não estimulam’’.
  Na opinião de Botura, as pessoas têm informações suficientes sobre a importância dos alimentos integrais, mas sempre deixam a mudança de hábitos para depois. ‘‘É interessante falar em termos de comportamento porque existe uma barreira muito grande. As pessoas sabem que o arroz integral é melhor, que o pão integral é melhor, mas não consomem porque há uma distância entre você saber e fazer. Não basta saber. É preciso ação’’.


Expansão supermercadista
Os supermercados registraram alta real nas vendas de 4,21% em julho, na comparação com o mesmo período de 2006, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). No acumulado do ano, as vendas reais do setor apresentam crescimento de 6,63%. De janeiro e julho, sob a perspectiva do faturamento, as vendas aumentaram 10,06%.

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