SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A teceira idade está em alta no atacado e no varejo. De uns tempos para cá, seu poder de compra foi descoberto por empresas dos mais diversos ramos, interessadas em lucrar com uma parcela da população que antigamente só tinha seus gastos associados a remédios.
Ocorre que boa parte desta geração tem empregado parte de seus rendimentos em viagens, eletrodomésticos e supermercados e outras formas de lazer. Aos poucos, também passaram a chamar a atenção de bancos que oferecem empréstimos a juros menores que os praticados em geral.
Com o aumento da expectativa de vida, o perfil dessas pessoas está mudando. Muitos sequer deixaram o mercado de trabalho com essa idade. E fazem isso porque são úteis ao empregador e ainda se sentem dispostos a ingressar em novos projetos.
Fazer compras é uma das atividades preferias do médico pediatra Eduardo Rego Filho, de 69 anos, que notou que os supermercados estão mais atentos com a terceira idade. Filho diz que trabalha um pouco menos atualmente, cerca de seis horas por dia, apenas, e nem pensa em aposentadoria. O indivíduo médico é muito limitado e eu não teria outra coisa para fazer.
O pediatra lembra que a expectativa de vida aumentou de maneira significativa nas últimas décadas. Quando cheguei a Londrina, a pessoa vivia em torno de 40 anos; agora, é quase 80. Então, espera-se que uma pessoa de 70 anos tenha uma boa atividade e uma boa participação na economia do País. Para ele, é legal o idoso dar a sua contribuição nas despesas domésticas, desde que a pessoa tenha condições.
Eduardo Rego Filho diz que vai ao mercado pelo menos duas vezes por semana porque as outras pessoas da família não gostam do passeio: Venho ao mercado para me descontrair; faço as minhas compras bem tranqüilo e volto para casa. É uma forma de unir o útil ao agradável.
Ir ao supermercado já não é uma das atividades preferidas da professora aposentada Leozita Baggio Vieira. Para falar a verdade, quem gosta de fazer compras em casa é meu marido; ele sabe os preços e tem paciência.
Leozita acredita que as pessoas da terceira idade estão indo ao mercado com maior freqüência para ajudar os familiares que não têm tempo porque trabalham fora. Ela reconhece que muitos idosos contribuem financeiramente em casa para complementar a renda doméstica. Eu acho que quando a pessoa não ganha o suficiente, os avós ajudam. Mas para ela há algo mais importante que a ajuda financeira. As pessoas idosas ou aposentadas continuam na ativa, mesmo que não estejam ganhando algum dinheiro. Ela continua cuidando do neto para o filho ou a filha poder trabalhar. Hoje a gente vê bastante isso; este tipo de apoio é importante, afirma.
Confiança do consumidor de renda mais alta diminui
Janaina Lage
Folhapress
Rio de Janeiro - A crise no mercado financeiro já abala a confiança dos consumidores de maior poder aquisitivo. Sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que o Índice de Confiança do Consumidor teve alta de 1% em agosto. Mas para os mais ricos, com renda familiar mensal superior a R$ 9.600, houve queda de 3,3%.
O pessimismo entre os consumidores de renda mais elevada foi puxado por São Paulo, onde houve queda de 6,4% nessa faixa. Em Brasília, o recuo foi de 4,6%, e, no Rio, de 1,9%.
Segundo Aloisio Campelo, coordenador da pesquisa, o resultado mostra que esses consumidores já podem ter sido afetados pela queda das Bolsas. É a única faixa de renda em que a confiança diminuiu entre julho e agosto, sinalizando que a turbulência do mercado financeiro gera incerteza. A crise já pode estar afetando as aplicações dos consumidores dessa faixa, disse. Para Campelo, a crise trouxe apreensão tanto para os investidores do mercado de renda variável como renda fixa.
A cidade de São Paulo teve queda de 0,5% no índice de confiança. Campelo atribuiu o desempenho ao fato de a capital ser o centro financeiro do País, com grande número de pessoas ligadas ao setor, e aos efeitos do acidente da TAM. Os grandes desastres afetam o humor dos consumidores, disse.
A cautela dos consumidores mais ricos pode ser medida também pelas expectativas de crescimento para os próximos cinco anos. Em agosto do ano passado, 64% dos consumidores de renda familiar superior a R$ 9.600 previam uma expansão mais acelerada da economia nos próximos cinco anos e representavam a parcela mais otimista em relação ao futuro. Em agosto deste ano, esse percentual recuou para 50,4%.
Na média de todas as faixas de renda, 53,2% apostam em crescimento mais vigoroso da economia nos próximos anos.
A pesquisa coletou dados entre os dias 2 e 20 deste mês. Apesar do pessimismo dos consumidores de renda mais alta, alguns indicadores deram sinais de recuperação, como a avaliação da economia local, que teve alta de 2% e alcançou o maior patamar da série histórica, iniciada em setembro de 2005. O consumidor está disposto a comprar mais bens duráveis, como eletrodomésticos, no futuro. O indicador avançou 1,7% de julho para agosto.
Manter a atividade é necessário
Para o médico geriatra Wesley Vilas Boas de Oliveira, é fundamental que o idoso se mantenha em atividade. Ele esclarece, antes de tudo, a idade para uma pessoa ser considerada idosa: 60 anos nos países em desenvolvimento e 65 anos em países desenvolvidos, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde. Mas admite que a questão da idade é muito relativa: há pessoas com 40 ou 50 anos que se sentem bem em um clube da terceira idade, assim como há pessoas com 60 anos e que se consideram jovens.
O médico lembra que quando se formou, no começo dos anos 80, era um absurdo se falar em geriatria. Na época, o País tinha cerca de três milhões de idosos, e hoje são em torno de 17 milhões. E este número vai aumentar de forma considerável nas próximas décadas.
Oliveira esclarece que quando a pessoa se aposenta e fica sem atividade, ela passa a ter problema de saúde, entra em depressão e reduz a estimativa de vida por falta do que fazer. A pessoa não pode se acomodar para ter qualidade de vida. Ela tem que praticar um esporte, caminhar, nadar, fazer o que gosta. Lembra, porém, que além de prazerosa, tal atividade deve ser feita de acordo com as possibilidades da pessoa.
O médico reconhece que hoje há muitos idosos que não apenas ajudam em casa, como a sua renda é usada para o sustento da família; eles realmente seguram o rojão. Ele diz também que é importante o idoso ajudar em outras tarefas domésticas, como já vem acontecendo atualmente em muitas famílias.
Ainda de acordo com o geriatra, há empresas que preferem contratar idosos para trabalhar em algumas funções por dois motivos: porque eles não pagam a passagem de ônibus urbano e porque têm preferência nas filas, principalmente de bancos.(E.A.)


