SUAS COMPRAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Fazer compras a prazo faz parte dos hábitos dos brasileiros. E comprar no supermercado para pagar em 40 dias ou no vencimento do cartão é algo que se tornou comum hoje em dia. Mas você já pensou na possibilidade de pagar a compra de alimentos em até 25 parcelas, ou seja, até outubro de 2009? Uma rede de supermercados de âmbito nacional fez esta promoção de suaves prestações para compras acima de R$ 126,00.
A assistente social Ireny Sorgi prefere pagar suas compras no mercado com dinheiro ou cartão de crédito. Pago com o cartão quando compro além do que precisava, argumenta. Ela afirma estar informada sobre alguns estabelecimentos que parcelam as compras, inclusive de alimentos, mas não acha vantagem para o consumidor. É complicado porque todo mês você tem aquele consumo e não adianta jogar para frente porque só vai acumulando e
aí complica. Ireny diz que não faria este tipo de negócio. Como não gosto de prestação, prefiro comprar e fazer logo o pagamento.
O auditor fiscal Tarcisio Paulo Corlassoli paga suas compras no vencimento do cartão porque considera mais prático. A gente não precisa ficar assinando cheque e não precisa carregar dinheiro. Para mim é mais fácil, mais tranqüilo e mais seguro. Ele diz que só paga a compra em dinheiro nos valores abaixo de R$ 10,00. Outra vantagem apontada é que o uso freqüente do cartão de crédito gera direito à milhagem.
Corlassoli acha que não é vantajoso a pessoa fazer a compra de alimentos para pagar a longo prazo. Não faz muito sentido não. A partir do momento que vencem as primeiras parcelas, você estará comprando como se pagasse à vista. Para ele este prazo seria interessante apenas a compra de eletrodomésticos que duram ao menos três anos.
E a farmacêutica Luciane Rodrigues Cera considera inviável a compra de alimentos a longo prazo. Você vai pagar muito mais pela compra que fez, resume. Para ela, outra desvantagem seria o fato de fazer dívidas.
No meu ponto de vista, prefiro quitar logo, mas cada um tem um sistema. É ruim comprar um alimento agora e estar pagando daqui a dois anos. Luciane paga suas compras no cartão de débito ou de crédito pela comodidade. E não carrega dinheiro ou talão de cheques por questão de segurança.
Economista sugere reserva
O economista Renato Pianowski de Moraes considera até aceitável a pessoa fazer uma compra de alimentos para pagar com 40 dias de prazo no cheque ou no cartão de crédito. Mas diz que considera um verdadeiro absurdo tanto a oferta quanto a compra de gêneros alimentícios para pagamento a longo prazo, ainda mais quando há cobrança de juros na ordem de 2,66 ao mês. Assim fica realmente proibitivo; não faz sentido. Isto é desespero, afirma.
Segundo ele, a economia passa por um momento delicado, com a realização de poucos negócios e a concorrência entre os supermercados se tornando cada vez mais acirrada. Moraes exemplifica com as promoções de hortifruti. Há pouco tempo, os supermercados reservavam um dia da semana para fazer ofertas e hoje esta política de preços depende mais do que o concorrente está fazendo. O mar não está para peixe, define.
O economista diz que continua errado o pensamento de trabalhar hoje para comer amanhã. E argumenta que alguém que faça uma compra de alimentos a longo prazo corre um sério risco de endividamento porque as parcelas tendem a se acumular. Isso vira uma bola de neve, incentiva o costume pecaminoso de empurrar com a barriga; é gravíssimo.
Ele sugere que as pessoas, para terem tranqüilidade durante o mês, reserve parte de seu salário para a compra de alimentos - à vista. (E.A.)
.


