Fazer compras a prazo faz parte dos hábitos dos brasileiros. E comprar no supermercado para pagar em 40 dias ou no vencimento do cartão é algo que se tornou comum hoje em dia. Mas você já pensou na possibilidade de pagar a compra de alimentos em até 25 parcelas, ou seja, até outubro de 2009? Uma rede de supermercados de âmbito nacional fez esta promoção de ‘‘suaves prestações’’ para compras acima de R$ 126,00.
  A assistente social Ireny Sorgi prefere pagar suas compras no mercado com dinheiro ou cartão de crédito. ‘‘Pago com o cartão quando compro além do que precisava’’, argumenta. Ela afirma estar informada sobre alguns estabelecimentos que parcelam as compras, inclusive de alimentos, mas não acha vantagem para o consumidor. ‘‘É complicado porque todo mês você tem aquele consumo e não adianta jogar para frente porque só vai acumulando e
aí complica’’. Ireny diz que não faria este tipo de negócio. ‘‘Como não gosto de prestação, prefiro comprar e fazer logo o pagamento’’.
  O auditor fiscal Tarcisio Paulo Corlassoli paga suas compras no vencimento do cartão porque considera mais prático. ‘‘A gente não precisa ficar assinando cheque e não precisa carregar dinheiro. Para mim é mais fácil, mais tranqüilo e mais seguro’’. Ele diz que só paga a compra em dinheiro nos valores abaixo de R$ 10,00. Outra vantagem apontada é que o uso freqüente do cartão de crédito gera direito à ‘‘milhagem’’.
  Corlassoli acha que não é vantajoso a pessoa fazer a compra de alimentos para pagar a longo prazo. ‘‘Não faz muito sentido não. A partir do momento que vencem as primeiras parcelas, você estará comprando como se pagasse à vista’’. Para ele este prazo seria interessante apenas a compra de eletrodomésticos que duram ao menos três anos.
  E a farmacêutica Luciane Rodrigues Cera considera ‘‘inviável’’ a compra de alimentos a longo prazo. ‘‘Você vai pagar muito mais pela compra que fez’’, resume. Para ela, outra desvantagem seria o fato de fazer dívidas.
‘‘No meu ponto de vista, prefiro quitar logo, mas cada um tem um sistema. É ruim comprar um alimento agora e estar pagando daqui a dois anos’’. Luciane paga suas compras no cartão de débito ou de crédito pela ‘‘comodidade’’. E não carrega dinheiro ou talão de cheques por questão de segurança.


Economista sugere ‘reserva’
  O economista Renato Pianowski de Moraes considera até ‘‘aceitável’’ a pessoa fazer uma compra de alimentos para pagar com 40 dias de prazo no cheque ou no cartão de crédito. Mas diz que considera um verdadeiro ‘‘absurdo’’ tanto a oferta quanto a compra de gêneros alimentícios para pagamento a longo prazo, ainda mais quando há cobrança de juros na ordem de 2,66 ao mês. ‘‘Assim fica realmente proibitivo; não faz sentido. Isto é desespero’’, afirma.
  Segundo ele, a economia passa por um momento ‘‘delicado’’, com a realização de poucos negócios e a concorrência entre os supermercados se tornando cada vez mais acirrada. Moraes exemplifica com as promoções de hortifruti. Há pouco tempo, os supermercados reservavam um dia da semana para fazer ofertas e hoje esta política de preços depende mais do que o concorrente está fazendo. ‘‘O mar não está para peixe’’, define.
  O economista diz que continua errado o pensamento de ‘‘trabalhar hoje para comer amanh㒒. E argumenta que alguém que faça uma compra de alimentos a longo prazo corre um sério risco de endividamento porque as parcelas tendem a se acumular. ‘‘Isso vira uma bola de neve, incentiva o costume ‘pecaminoso’ de empurrar com a barriga; é gravíssimo’’.
  Ele sugere que as pessoas, para terem tranqüilidade durante o mês, reserve parte de seu salário para a compra de alimentos - à vista. (E.A.)

.

mockup