Está mais difícil consumir carne bovina frequentemente nos dois últimos meses. Os preços dos cortes tiveram aumento de cerca de 15%, segundo levantamento realizado pela reportagem da FOLHA em alguns açougues de Londrina. A alcatra tem sido vendida, em média, por R$ 10,85 o quilo; a picanha, a R$ 18,00. Um quilo de acém sai, em média, por R$ 6; a fraldinha, R$ 7,50. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço da carne teve elevação de 3,58% em julho - a maior desde 1995, quando foi de 3,5% - e ajudou a aumentar a inflação.
A alta nos preços é explicada por problemas conjunturais no setor agropecuário. O veterinário técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná, Fábio Peixoto Mezzadri, aponta alguns fatores: a entressafra, o aumento dos insumos, do abate de matrizes (fêmeas), da demanda internacional e a substituição das áreas de pastagem por soja e cana-de-açúcar (nas regiões de Umuarama e Paranavaí (região noroeste). ''Com a estiagem, as pastagens diminuem e o boi emagrece; a consequência é o aumento da arroba do boi gordo e o preço da carne para o consumidor final'', explica.
Mezzadri também explica que as baixas cotações da arroba nos últimos anos, intensificada pela crise da febre aftosa no final de 2005, levou os produtores a abaterem um maior número de fêmeas em idade reprodutiva, reduzindo a oferta de bezerros para reposição. ''Até 50% das matrizes foram abatidas, enquanto a média é entre 10 e 20%. A escala de abate gira em torno de quatro dias'', informa o veterinário. Por consequência, a cotação da arroba do boi (15 quilos) segue em alta. Segundo o Deral, a cotação do boi em pé ficou em R$ 60,83/arroba no Paraná no dia 15 de agosto. ''É o melhor preço dos últimos dois anos. Em julho de 2005 a arroba era cotada em R$ 45,69; no mesmo período do ano passado, o valor foi de R$ 57,25. É o melhor preço dos últimos dois anos'', atesta Mezzadri.
Ao consumidor, resta substituir o bife de todo o dia por carnes de outros animais ou consumir mais legumes e vegetais. ''O quilo do patinho subiu de R$ 6 para R$ 9. O jeito foi substituir a carne bovina por frango, carne de soja e também preparar mais carne moída. Também aumentamos o consumo de vegetais'', comenta o casal Jorge Luiz Rodrigues, autônomo, e Greice Silveira Rodrigues, bancária.
O vendedor Edivaldo José da Silva questiona se a elevação nos preços está relacionada à entressafra. ''Percebi a alta. Somos em três e a carne bovina sempre está em nossas refeições. Agora começarei a substituí-la por cortes menos nobres e carnes brancas'', sugere.
A aposentada Íris Peretti e o filho, o engenheiro civil Augusto, surpreenderam-se com o preço da picanha. ''Até estes dias estava R$ 18,00; agora, o quilo já custa R$ 25,45''. ''Sentimos a diferença há um mês. Já substituímos a alcatra e o filé pela carne suína e de frango. Também estou fazendo mais panqueca recheada com carne moída'', conforma-se Íris.

Alimento importante na dieta balanceada
  Excelente fonte de proteínas, rica em minerais como ferro e zinco e as vitaminas do complexo B, em especial a B12, a carne bovina é um alimento importante em uma dieta balanceada. Uma porção de 100 gramas de bife grelhado sem a gordura de cobertura, contém, aproximadamente, 25 gramas de proteína. ‘‘Já o ferro é essencial para diversas funções do organismo - além de dar suporte ao sistema imunológico, forma parte da hemoglobina dos glóbulos vermelhos, responsável pelo transporte de oxigênio no nosso organismo. Esse oxigênio é utilizado para liberar energia do alimento, a qual é utilizada para o crescimento, respiração, locomação, dentre outras funções’’, explica a nutricionista Maria Cristina Corrêa.
  De acordo com a nutricionista, a carne bovina é a que apresenta os maiores teores de ferro (3,4 gramas/100 gramas), enquanto que as de aves e suínos apresentam menores concentrações (1 grama/100 gramas e 1,47 grama/100gramas, respectivamente). ‘‘O consumo diário recomendado é de 150 gramas, o que corresponde a um bife pequeno. No entanto, esta quantidade pode variar em função da pessoa acrescentar outras fontes protéicas em sua dieta’’, pondera. Prepará-la cozida, assada ou desfiada para salada são as formas mais saudáveis de consumo, acrescenta Maria Cristina.
  Mesmo a carne bovina sendo imbatível na porção de ferro, pode-se substituí-la por outra fonte de proteína animal, como aves, suínos e ovos. ‘‘O frango, por exemplo, concentra mais ferro na coxa e sobrecoxa. Para o mineral ser melhor absorvido, é interessante tomar sempre um copo de suco cítrico (laranja, limão, acerola)’’, orienta a nutricionista. Outros alimentos ricos em ferro são feijão, soja, couve e o espinafre. Também nestes casos, ressalta Maria Cristina, o mineral é melhor absorvido na presença da vitamina C. Os miúdos da carne, tais como o fígado, rim, coração, língua possuem muito ferro e podem resultar em pratos saborosos e econômicos, complementa a profissional. (C.V.)

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