SUAS COMPRAS
Ao entrar em uma ótica no centro de Londrina, o cliente fica surpreso com tanta cordialidade. A casa oferece sorvetes, água, café, refrigerantes, sucos e até algumas bebidas destiladas - tudo gratuitamente. Outra ótica tem convênios com estacionamentos próximos e uma terceira apela para o surrado recurso do sorteio. Cada uma à sua maneira, é assim que as óticas da cidade estão batalhando para conquistar os clientes. E quem não 'inova' fica olhando a clientela passar em frente à própria loja e entrar na do vizinho.
A concorrência entre as óticas em Londrina está realmente acirrada. Só para se ter uma idéia, em um trecho de 500 metros na Rua Souza Naves, abaixo da Concha Acústica, estão montadas nada mais nada menos que 23 óticas, ou seja, uma loja a cada 22 metros.
O estudante universitário Anderson Gomes Ferreira estava comprando um par de óculos pela primeira vez depois de consultar o oftalmologista. ''Eu estudo e trabalho e, se forçar, a vista fica dolorida'', explica. A escolha para o local da compra não aconteceu por indicação, como é comum nestes casos. O que chamou a atenção do estudante foram as brincadeiras de uma palhacinha na frente da ótica.
Ferreira ainda observou a quantidade destas lojas especializadas no centro de Londrina. ''A gente pode dizer que a Souza Naves é a rua das óticas. Em meia hora consegui fazer cinco ou seis orçamentos. A concorrência é boa para o consumidor. Cem por cento''.
O funcionário público estadual Wesley Vicentino reservou uma parte da manhã em um final de semana para comprar óculos novos para sua filha Débora, de 13 anos. Ele fez uma pesquisa de preços, modelos e atendimento até encontrar a loja que correspondesse às suas expectativas. Mas ele gostou mesmo foi do preço, que considerou ''acessível''.
A estudante universitária Rafaella Gonçalves Cardoso usa óculos há dez anos. Rafaella achou os preços ''muito altos'' e optou por uma loja onde o valor estava mais em conta. ''Me falaram que aqui está mais barato e vim confirmar''. A estudante reconhece que a concorrência entre as óticas está muito acirrada. ''A concorrência é boa para o consumidor; a gente tem mais opção''.
E quem está gostando desta concorrência é a estudante Taila Danielle dos Santos, de 17 anos. Ela trabalha como 'palhacinha' na frente de uma ótica em dois dias da semana. ''É uma oportunidade. Eu cheguei e vi que tudo era diferente, o pessoal vem e cumprimenta a gente; chama a atenção. Estou adorando''. O fato de pertencer a um grupo de teatro amador ajudou a estudante na 'performance'.
Poder aquisitivo aumentou
O oftalmologista Willian Procópio concorda que é grande o número de óticas em Londrina, mas acredita que o fato das lojas estarem concentradas no centro da cidade chama muito a atenção.
Segundo o médico, o aumento do número de óticas não significa, necessariamente, que aumentou o número de pessoas com necessidade de usar óculos. O que aumentou, em minha opinião, foi o poder aquisitivo das classes C e D, e as pessoas que antes não tinham como fazer seus óculos, agora estão fazendo; e isto é uma coisa boa.
Outro detalhe observado pelo médico está relacionando à tecnologia, que tornou o produto mais acessível. Isto permitiu que um número maior de pessoas, principalmente as mulheres, faça opção por mais de um ou por vários modelos de óculos.
Procópio não acredita que as pessoas venham a usar óculos porque ficam algum tempo em frente à tela do computador. Isso não interfere. A estatística atual não é diferente dos últimos anos. O que posso dizer é que quem precisa de óculos terá que usar independente do computador ou não.
O oftalmologista considerou saudável a concorrência entre as óticas, o que vem facilitar a aquisição do produto. (E.A.)





