Suas compras
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segunda-feira, 30 de julho de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Quem pensa que a vida de atleta é fácil, está redondamente enganado. No caso da atleta Natália Falavigna, por exemplo, o compromisso com o esporte é tanto que até uma simples compra se torna algo fora do comum. ''É uma das coisas que gosto de fazer quando estou no período de folga. Quando estou treinando, realmente não tenho tempo. Mas no final de semana, depois de treinar, eu me arrumo, fico tranquila, gosto de sair, olhar... É um dos meus roteiros sociais''.
A atleta se dedica com exclusividade ao esporte e aos estudos - ela faz Educação Física na Unopar. E só de treino, são quatro horas por dia, sem contar o tempo para a fisioterapia e as pesquisas para ''investigar'' o que os adversários estão fazendo. Ela diz qual é o segredo para superar tantas atividades: ''Tem que ter organização. No começo da semana coloco todos os horários e compromissos em minha agenda, mas os treinos - acima de tudo, estão em primeiro lugar''.
E para não ''embolar'' o meio de campo, a atleta raramente vai ao supermercado ou a um sacolão. ''Quando vou, é sempre na correria. Saio do treino e passo rapidinho no mercado. Neste aspecto, a minha mãe ajuda bastante. É ela que compra as coisas para mim''. Apesar de ir às compras com pouca frequência, Natália prefere os horários mais tranquilos. ''O movimento me incomoda porque tenho pouco tempo para olhar e quando está lotado, demanda um tempo maior. Eu gosto quando o comércio abre no sábado à tarde. Isto facilita bastante para mim''.
Quando vai comprar algo, ela já sai de casa decidida. ''Normalmente, eu já tenho na cabeça aquilo que vou comprar. Se quero um óculos, posso não saber o modelo, mas já sei se quero esportivo ou social''. E a forma de pagamento é sempre à vista. ''Não gosto de fazer contas. Enquanto não tenho dinheiro, fico apenas 'paquerando', buscando o que quero. Prefiro ter o dinheiro, ir lá e pagar''.
Agora, independente da circunstância, o que Natália faz questão é do bom atendimento. ''Quando sou bem atendida, acabo virando uma cliente assídua. Eu sei que em determinadas lojas os vendedores me atendem bem e isto facilita o trabalho. Mas geralmente eu procuro um lugar que tenha o maior número possível de lojas no menor espaço para aproveitar bem esse tempo''.
A atleta também não é de esbanjar. ''Sou uma pessoa que gosta de saber o que estou comprando, se vale a pena ou não. Eu acho que a principal economia é isso: é não gastar dinheiro em algo errado'', explica. E faz questão de ressaltar que fazer economia não é levar em conta apenas o preço da mercadoria. ''Considero, acima de tudo, o custo/benefício. O preço é muito importante, mas, muitas vezes, o barato sai caro. Eu analiso tudo: a qualidade, se é funcional, se é interessante para mim e se cabe no meu orçamento''.
Natália afirma que se considera uma pessoa vaidosa, mas sabe diferenciar os momentos. ''Enquanto atleta que está em ação, não tenho vaidade nenhuma. O mais importante é meu treino, meu desempenho. Mas no final do dia faço questão de tomar um belo banho, ter um tempo para me arrumar; gosto bastante de acessórios, de brincos, de perfumes, nada além do normal, nada exagerado. Mas sou vaidosa''.
E como uma pessoa disciplinada, Natália é bastante rigorosa também no quesito alimentação. ''Aqui em casa, a gente evita frituras; preferimos as carnes magras, peixes e frangos; o arroz é integral, o queijo e outros produtos são ligth, com o menor teor de gordura possível. É difícil abusar, sair da dieta. E até a família acaba seguindo. Procuro evitar doces, não como chocolates, não tomo refrigerantes''. A atleta explica que todo este processo faz parte de uma reeducação alimentar que é acompanhada de perto por uma nutricionista. ''O meu esporte exige um controle absoluto de peso'', afirma.
O reconhecimento é a maior medalha
Se existe algo que a atleta Natália Falavigna valoriza é a convivência familiar. Somos lotados de tarefas. O meu pai trabalha muito, a minha mãe que é dentista também. E quase não vejo meu irmão. O momento que temos para estar juntos é o almoço. E isto é sagrado. Natália ainda tem uma irmã que mora nos Estados Unidos e diz que considera a secretária de casa e um amigo como integrantes da família.
Ela reconhece que uma boa estrutura familiar é fundamental para a atleta superar qualquer momento. O equilíbrio a gente consegue quando a base familiar é muito boa. E a minha base familiar é excelente. A minha família sempre esteve à frente de minhas conquistas e não atrás. São pessoas que me ajudam, caminham comigo, vibram em cada vitória e choram em cada derrota.
Outro detalhe que a deixa feliz é o apoio da torcida. As pessoas me conhecem, pedem para tirar fotos, conversam, pedem autógrafos, e isso é muito legal, é o reconhecimento pelo meu trabalho, saber que as pessoas torceram juntas, vibraram juntas. Isto me emociona. Vale qualquer esforço, dedicação, abdicação das coisas. Esta é a minha maior medalha.
E como a vida não pára, Natália já começa a pensar em outros desafios. O mais próximo é se preparar para as eliminatórias das Olimpíadas de Pequim em 2008. É uma seletiva muito difícil, onde poucos atletas entram. E eu vou buscar a minha vaga olímpica.
Até o final deste mês, a atleta recebia uma ajuda de custo da Bom Bril. Agora, ela está à procura de novo patrocinador.(E.A.)


