O comércio de alimentos mudou da pré-história para a era da tecnologia em um período de aproximadamente 20 ou 25 anos. As antigas casas de secos e molhados foram substituídas por modernos supermercados, aumentando o conforto para as pessoas e transformando as compras em momentos de lazer. Os consumidores reconhecem que houve uma série de avanços, o que não pode ser traduzido literalmente em benefícios, pelo menos para uma parte da população.
  O empresário Aldivino Alves Pereira considera que a regulamentação do prazo de validade foi ‘‘um grande avanço’’ nas últimas décadas. Ele argumenta que o controle de qualidade das mercadorias hoje está mais rigoroso. ‘‘Antigamente, o sujeito comprava mais na amizade, porque conhecia o dono do bar, mas hoje a pessoa vai ao mercado procurando qualidade e preço. O consumidor está bem mais exigente’’.
  Pereira ainda cita outros detalhes: a implantação do código de barras e a ‘‘facilidade’’ em devolver ou trocar uma mercadoria com defeito. Segundo ele, todos os avanços foram motivados pela concorrência. ‘‘Antes, você não tinha escolha e hoje há uma diversidade de produtos. Com a concorrência, cada indústria tenta fazer melhor que a outra’’.
  Para a professora Maria Regina da Costa Sperandio, o que mais chama a atenção neste período é a maneira como os produtos são colocados no interior dos supermercados. ‘‘A visualização dessas mercadorias trouxe bastante facilidade para o consumidor’’. Outro ponto positivo citado por ela foi a criação do código de barras, que ‘‘trouxe agilidade aos caixas’’.
  Porém, de acordo com a professora, há alguns detalhes que precisam ser melhorados. Ela reclama, por exemplo, que nem sempre o preço está visível em uma mercadoria. ‘‘Hoje mesmo eu deixei de comprar um produto porque não tinha o preço e não havia ninguém para me informar’’. Ao ser lembrada da existência do leitor ótico, a professora argumentou. ‘‘Quando a gente está com pressa, tem que ver e pegar. Hoje a gente corre contra o tempo’’. Maria Regina aponta um paradoxo entre as duas épocas: ‘‘Antes, havia falta de informação, e hoje a gente entra no mercado e fica meio perdida com o excesso de informação’’.
  A secretária executiva Mariângela Santilli enumera o que evoluiu em termos de compras nos supermercados nas últimas duas décadas: ‘‘a distribuição dos produtos por seção, a melhora na qualidade dos produtos, o aparecimento dos importados, a venda de equipamentos eletrônicos, a adoção do código de barras e a consulta de preços nos leitores óticos’’. Para ela, estes avanços trouxeram benefícios para os consumidores. ‘‘Antes, a gente tinha pouca opção e hoje você sabe melhor o que está comprando. Está mais fácil encontrar o que você procura e também o que não procura’’.
  Mas para ela, a evolução não contemplou os consumidores de maneira geral. Na opinião da secretária, uma parte do público não assimilou a modernização. ‘‘A minha mãe, por exemplo, tem um pouco mais de dificuldade. O público mais velho tem mais resistência, tem muito lugar para procurar e pode ser perder aqui dentro. O jovem acha mais fácil o que procura. Se a gente for ver, tem muita informação e assim a tecnologia não chega a todo mundo’’.

mockup