Suas compras
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A promotora do Meio Ambiente de Londrina, Solange Novaes da Silva Vicentin, pode ser considerada uma pessoa fora do convencional quando o assunto é compras. Ela nunca tem horário pré-estabelecido para comprar o que precisa, não tem tempo para fazer pesquisa de preços, não tem um mercado de preferência, não leva em conta os modismos, não obedece uma lista de compras e se define como uma ''compradora compulsiva''.
E como tem excesso de compromissos, a promotora só vai às compras quando tem um tempo disponível. ''Sempre que preciso, tenho que compatibilizar os horários porque tenho atividades durante todo o dia e leciono à noite''. Por este motivo, suas idas aos supermercados são sempre rápidas e de preferência nos estabelecimentos que estejam em seu trajeto. A promotora acredita que centenas de outras mulheres em Londrina não têm condições de gastar muito tempo nas compras. Por isso, defende uma maior flexibilidade no horário de funcionamento do comércio. ''Eu acredito que várias pessoas que estão na mesma situação, gostariam que o horário do comércio fosse mais elástico para que as pessoas possam fazer suas compras''. Ela considera ''um avanço'' a abertura de um supermercado da cidade até a meia noite.
Agora, independente do dia ou do horário, uma coisa que a promotora não gosta é de supermercado cheio. ''Não gosto dos horários de pico, que tem muita gente, tem fila para tudo e a gente perde muito tempo... O sábado parece uma loucura. Achei mais interessante o domingo à tarde; é mais tranquilo''.
Solange afirma que não faz uma compra mensal, uma vez que dispõe de pouco tempo e, por isso, vai ao mercado com maior frequência. E quando não compra durante o trajeto, prefere os estabelecimentos perto de sua casa. ''Às vezes, quando preciso de alguma coisa, vou ao sacolão, à padaria, ao mercadinho mais próximo''.
Ela também se considera uma compradora compulsiva porque não obedece a uma lista de compras. ''Na medida em que vai faltando alguma coisa, eu vou ao supermercado. Vou ao mercado com uma listinha de três produtos e volto com o carrinho cheio. Não sou muito consciente como consumidora. Sou uma consumista compulsiva.''
E na hora da compra, a promotora diz que leva em conta o preço e a qualidade, principalmente quando se trata de gêneros alimentícios. E como dispõe de pouco tempo, não faz pesquisas de preços e prefere os produtos já conhecidos. ''É difícil mudar quando gosto de uma marca. E também não pesquiso preço. Já estou acostumada com dois ou três lugares e não sei os preços dos outros.
Embora não faça pesquisas, a promotora evita comprar nas lojas onde sabe que os preços são altos. ''Não sou muito de frequentar boutiques porque acho um absurdo a diferença de preços nesses lugares, um absurdo uma roupa custar mais do que uma pessoa ganha por mês para sustentar sua família. Com relação a isso, sou bastante objetiva. Não sou de comprar uma roupa caríssima só porque é um modelo exclusivo''. Às vezes, quando faço uma loucura e compro alguma coisa que custa meio caro, fico com dor na consciência. Me sinto mal com uma coisa que é muito cara''.
Outro detalhe em que a promotora Solange Vicentin foge do convencional é quanto à alimentação. Ela diz que gosta de comida caseira, um hábito que adquiriu na convivência familiar. ''Não sou o tipo de pessoa que faz dieta. Sempre fui acostumada a comer bem. A minha mãe gostava de fazer um monte de coisas: arroz, feijão, carnes, legumes, saladas. E eu conservei estes hábitos. E outra coisa: não consigo comer sem carne''. Ela diz que já tentou comprar a comida caseira em restaurante, mas prefere a que é feita pela empregada. ''Mesmo variando de lugares, não é a mesma coisa. A comida feita em casa é diferente, é mais saborosa''.
A promotora tem um casal de filhos - de 17 e 15 anos, que não apreciam muito esse tipo de comida. O rapaz até começou a fazer um regime por conta própria, passando a interferir no cardápio da família. ''O meu filho diz que a gente não pode comer muita coisa de frituras, massas, e aboliu os doces e refrigerantes. Ele é determinado'', afirma orgulhosa.
O homem desde que nasce gera poluição
Sobre consumo consciente a promotora Solange Vicentin fez algumas observações, mas não se considera uma pessoa muito consciente em relação às compras.
n Não adianta falar. Por mais consciência que você tenha, você é um gerador de poluição, sempre. O homem desde que nasce gera poluição.
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- A gente precisa retomar alguns hábitos, o da sacola de tecido, por exemplo. Quanto mais papel, papelão e embalagem tem um produto, mais ele será prejudicial para o meio ambiente.
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- Eu imagino a dificuldade que é você pegar uma sacola, ir ao mercado e voltar com a sacola. Antigamente, a gente não tinha supermercado e hoje você encontra tudo o que quer no mesmo lugar.
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- Eu acho que a gente poderia ter um pouco mais de consciência e exigir mais de racionalidade em relação a esse volume de coisa que se fabrica para jogar fora. Embalagem é só para jogar fora e poluir o meio ambiente.
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- A consciência do consumidor em relação ao meio ambiente está mudando, mas precisamos avançar muito mais. O consumidor não sabe a força que tem para reivindicar seus direitos para exigir qualidade, preço compatível.
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- Ao mesmo tempo que reconheço que está havendo mudança, eu acho que isto é muito tímido perto daquilo que a gente pode fazer e do que a lei determina e a gente vai atrás.
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- As pessoas falam que a economia tem que crescer porque tem a indústria do papel, da embalagem, disso, daquilo. Mas o Brasil é um País pobre, as pessoas são pobres. Eu acho isso tudo muito bem em um país de Primeiro Mundo, onde as pessoas ganham bem. Mas aqui as pessoas ganham mal, vivem mal. E não sei se isso é condizente com a nossa realidade. (E.A.)


