Consumidor está
mais exigente
com o preço
e a qualidade


O ato de comprar está deixando de ter implicações meramente econômicas e passando a ter uma relação direta com a preservação do meio ambiente. Ou seja: quando a pessoa vai a um estabelecimento em busca de uma determinada mercadoria, ela está, de certa forma, ''autorizando'' ou não a existência daquele tipo de produto.
Hoje em dia, o consumidor está mais exigente não apenas com o preço e a qualidade do produto, mas também com o histórico do fabricante. E quanto a este detalhe, levam maior vantagem as empresas que demonstram preocupação com a natureza, com a sociedade e com seus funcionários.
A mudança de comportamento acontece de maneira tímida. De acordo com entidades que pesquisam o assunto, apenas 6% dos brasileiros são considerados ''consumidores conscientes'', mas o perfil é bem definido. Geralmente são adultos, com bom poder aquisitivo e alto nível de instrução.
A professora Fernanda Masirone Manella tem uma definição própria do que considera ''consumo consciente'': ''Para mim, é a pessoa comprar exatamente o que vai usar, não extrapolar e não comprar o que é supérfluo''. Segundo ela, o planeta passa por um momento delicado e sua ''salvação'' depende da atitude de cada pessoa. ''A preocupação com o meio ambiente é importantíssima. A meu ver, se a população não prestar atenção nos detalhes, nas atitudes do dia-a-dia, o mundo vai ficar sem água, sem ar puro, sem várias coisas necessárias para a vida''.
Fernanda é casada, tem dois filhos de 13 anos e leciona para a terceira série do ensino fundamental em uma escola particular. Ela diz que repassa a preocupação com o meio ambiente tanto a seus filhos quanto a seus alunos, que têm idade entre oito e nove anos. Seus alunos desenvolvem o projeto ''Água, bem precioso'', que consiste em ''conscientizar a população sobre a necessidade de preservar o meio ambiente e que a reciclagem é fundamental''. Fernanda destaca um ponto importante: ''Os pais também acabam se envolvendo com o trabalho''.
De acordo com a professora, a população está bem informada sobre o assunto, mas pouco consciente da realidade. ''Fala-se muito, mas fazer, mostrar ação, é muito pouco. Cartazes, faixas e campanhas, isto tem bastante, mas ação é muito pouca. E se as pessoas não agirem de maneira diferente, nós não vamos conseguir salvar o planeta''.
A dentista Luciana Fonseca Merigue diz que se preocupa não apenas com a qualidade dos produtos na hora da compra, mas também na forma como eles vão interferir na preservação do meio ambiente. Entretanto, segundo ela, o ''consumo consciente'' pode ser sinônimo de mais despesas. ''Às vezes, um produto orgânico está muito mais caro que o outro (convencional). Eu tento conciliar, mas nem sempre dá. Os produtos ecologicamente corretos são muito caros em minha opinião''.
Luciana acredita que a população, de modo geral, não está consciente em relação aos problemas com o meio ambiente e acha que isto acontece não exatamente por falta de vontade. ''Os produtos ecologicamente corretos, além de mais caros, levam mais tempo para você escolher, para fazer a sua compra, para separar o lixo. E hoje em dia, as pessoas não estão com tempo nem para si próprias, nem para seus filhos, nem para sua família''.
Mesmo assim, ela sugere o que deveria ser feito para que as pessoas sejam mais conscientes. ''Deve se falar mais sobre o assunto. Eu acho que o ser humano aprende com a repetição: de tanto ouvir, de tanto ler e de tanto receber informação''. E lembra que a escola tem um papel muito importante neste processo. ''Os pequenos, por incrível que pareça, sabem mais que os grandinhos. Hoje os filhos estão ensinando os pais, sem dúvida''.

mockup