Produtos são bons para a saúde, mas caros para o bolso
  Hipócrates, o pai da medicina, já pregava, há 2.500 anos, a frase ‘‘faça do alimento o seu medicamento’’. Em meio a grande quantidade de alimentos sem nenhuma função nutritiva, é cada vez mais comum encontrar nas prateleiras dos supermercados os chamados alimentos funcionais. Caso do leite enriquecido com minerais ou ômega 3, pão que contém fibras e soja, biscoitos vitaminados, cereais matinais ricos em fibras, margarina com componentes que fazem bem ao coração, iogurtes probióticos que regulam e recuperam a flora intestinal.
  Segundo a professora do curso de Nutrição da Unopar, Rejane Dias Neves Souza, alimentos funcionais são aqueles que contêm nutrientes ou não nutrientes benéficos à saúde. O Japão foi o pioneiro na produção e comercialização dos funcionais. Conhecidos como FOSHU, ‘‘Food for Specified Health Use’’, os funcionais japoneses sustentam um selo de aprovação do Ministério da Saúde e Bem-Estar. A lei japonesa é de 1997. No Brasil, as regras foram instituídas em 1999. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece normas e procedimentos para registro de alimentos e/ou ingredientes funcionais.
  Adepto a uma alimentação saudável, o auxiliar-administrativo Walter Rodrigues Medeiros comprava um iogurte probiótico em um supermercado de Londrina. ‘‘Bebo há quatro meses, diariamente, e o meu intestino está funcionando melhor’’, atesta. Os gastos semanais dele com este tipo de produto giram em torno de R$ 10,00.
  A artista plástica Maria Terezinha de Lima costuma comprar para a família arroz integral e iogurte diet. ‘‘Temos problemas com colesterol elevado’’, justifica. Ela olha com desconfiança para os industrializados funcionais. ‘‘Muita coisa é propaganda; prefiro consumir mais legumes, frutas, cereais. Esses produtos também são muito caros’’, comenta. Em média, os funcionais custam o dobro dos produtos que não propagam benefícios à saúde.
  A relação cada vez mais estreita entre alimentação e o binômio saúde/doença faz aumentar também o movimentos das casas especializadas em produtos naturais. O casal de aposentados Francisco e Josefa Emídia dos Santos resolveu adotar uma dieta saudável há dois anos. Eles consomem diariamente a farinha de soja e a fibra de maracujá. O casal também passou a adotar o óleo de girassol na preparação dos alimentos. ‘‘Estes produtos ajudam a regular a pressão e o colesterol. Também parei de tomar hormônios sintéticos a partir do momento que comecei a fazer reposição com a soja’’, defende Josefa.
  Sem contra-indicação, estes alimentos não têm função curativa, mas preventiva. ‘‘Para que os benefícios sejam alcançados, é necessários ingeri-los diariamente, associados a uma dieta saudável e a prática de atividade física’’, orienta Rejane.


Prato deve ser colorido
  Os alimentos industrializados possuem concentrações muito baixas de componentes funcionais. Segundo a professora do curso de Nutrição da Unopar, Rejane Dias Neves Souza, para que a pessoa obtenha o efeito positivo mencionado no rótulo será necessário consumir uma grande quantidade do produto. ‘‘E uma maior quantidade de componentes funcionais altera o sabor e a textura do alimento, o que pode significar recusa de consumi-lo’’, argumenta.
  A dica, então, de acordo com a especialista, é procurar o alimento de onde foi retirado tal composto. É o caso de peixes como a sardinha e o atum, ricos em ácidos graxos e ômega-3; a cenoura, que contém betacaroteno, o tomate, rico em licopeno, o qual reduz níveis de colesterol. Outra orientação é quanto a melhor forma de consumir os alimentos para que as propriedades benéficas sejam mantidas. ‘‘É melhor ingerir a cenoura e o tomate cozidos; em relação ao peixes, dê preferência aos assados’’, recomenda.
  Os alimentos no prato são uma maneira fácil e eficiente de observar se a pessoa está ingerindo uma boa quantidade de alimentos funcionais. ‘‘Quanto mais colorido, melhor, ensina Rejane. ‘‘Por exemplo, um prato composto por arroz, feijão, sardinha, tomate, cenoura, vegetais folhosos escuros - brócolis, almerão, rúcula, cumpre a sua função de funcional’’.
  A especialista também indica o consumo diário de grãos. ‘‘A soja é o alimento funcional mais estudado até agora. O consumo diário de 60 gramas ajuda a reduzir os níveis de colesterol’’. Cereais integrais como aveia, centeio, cevada, além de leguminosas como feijão e ervilha possuem entre seus componentes ativos as fibras solúveis e insolúveis, as quais melhoram o funcionamento intestinal, reduzindo risco de câncer de cólon.
  Outro alerta da professora é quanto às cápsulas de componentes funcionais, como a de licopeno. ‘‘Isso é remédio, portanto, recomenda-se apenas à pessoa que, comprovadamente, tenha alguma deficiência nutricional. Isolada, nem sempre a substância tem o efeito desejado. É a interação dos componentes que potencializa a sua ação’’, explica Rejane. (C.V)

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