Os dias frios chegam e, com eles, aumenta aquela vontade de tomar um cafezinho. A bebida já faz parte do dia a dia dos brasileiros mas no inverno o consumo aumenta mais. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), com a temperatura mais fria a demanda pela bebida aumenta entre 10% e 15%, enquanto no verão há uma queda de 5%. Independente do clima, as pesquisas mostram que os brasileiros estão tomando mais café. Em 2006, conforme a Abic, houve um aumento de 5,10% na demanda, comparando com 2005. No entanto, nos últimos quatro anos houve uma evolução de 19,2% do consumo interno, crescendo para 16,33 milhões de sacas.
  Atualmente, cada brasileiro bebe, em média, 70 litros de café por ano. O mercado nacional representa 14% da demanda mundial, enquanto o consumo mundial, segundo a Organização Internacional do Café (OIC), cresce apenas 1,5% ao ano. Em Londrina, cidade que já foi conhecida como a capital mundial do café, o número de cafeterias aumentou e é bastante comum encontrar os afixionados pela bebida. Em algumas lojas, as vendas do tradicional cafezinho chegam a dobrar nos dias frios. De acordo com os comerciantes, o aumento do movimento é pontual e está ligado diretamente às variações de temperatura.
  No Café Ipanema, por exemplo, nos dias frios as vendas aumentam no mínimo 30%. ‘‘Mas depende do frio e o movimento oscila também conforme a economia. Estamos enfrentando um período bem ruim’’, afirma José Marcos da Rosa Vicente, proprietário do estabelecimento. No local, é comercializado desde o café tradicional coado, expresso, com chantilly e cappuccino. ‘‘Acredito que as pessoas gostam mais do café coado, que é o que vende mais. Mas também tem a questão do preço, que é 70% mais barato’’, comenta. Na praça, o preço do café coado varia de R$ 0,50 a R$ 1, enquanto o custo do expresso vai de R$ 1,50 a R$ 2.
  Na Confeitaria e Café Royal as vendas chegam a dobrar em dias frios. No entanto, os campeões de venda são: cappuccino e chocolate quente cremoso. ‘‘No verão, vendemos bem o café gelado’’, diz a atendente Daniele Cristina Santos Néris. Já no quiosque da mesma cafeteria, o café expresso é o que mais vende. O empresário Eduardo Ricardo Júnior tem preferência pelo expresso e, por isso, até comprou uma máquina de café expresso portátil para tomar a bebida sempre fresquinha. ‘‘Já tomo bastante café porque sou fumante. Mas no inverno acho que o café fica com o sabor mais acentuado’’, avalia.
  O profissional de Marketing, Fábio Ricardo Antunes, diz que já consome muito café, no mínimo três vezes ao dia, e que no inverno o seu consumo aumenta. ‘‘Prefiro o expresso e acho que o café no inverno fica mais gostoso’’, comenta. A aposentada Sueli Evangelista Parra e os filhos, Daniele e José Parra Sanches Júnior, também consomem café. Em casa, a bebida é servida duas vezes ao dia: de manhã e à tarde e é preparada da forma tradicional (coado). Já fora de casa o consumo recai sobre o cappuccino. ‘‘No inverno tomamos mais café, dá mais vontade’’, comenta Sanches Júnior.

Com moderação, consumo faz bem à saúde
  Derrubando velhos mitos, a ingestão de café pode ser benéfica à saúde com a ressalva de que o consumo deve ser moderado. Segundo a nutricionista Beatriz Ulate, professora da Unopar, é indicado o consumo de uma xícara no café-da-manhã e após o almoço e o jantar. A bebida é um estimulante natural e contém substâncias funcionais, que são ativadas durante a torrefação. ‘‘A torrefação não acentua somente as características da bebida como odor e sabor’’, afirma.
  Ela explica que o grão contém ácidos clorogênicos e com a torrefação, esses eles são convertidos em quimídeos, que têm função benéfica à saúde: de manter as pessoas alertas. ‘‘Se o consumo for exagerado a pressão da pessoa pode ser alterada e os batimentos cardíacos aumentam’’, afirma. Por isso, a ingestão não é muito recomendada aos hipertensos. Segundo a nutricionista, este grupo de pessoas pode tomar um café mais suave, com menor teor de cafeína.
  ‘‘Como qualquer alimento, não se pode exagerar a dose. Além disso, o teor de cafeína varia conforme o tipo de caf钒, diz Beatriz. O expresso, por exemplo, tem mais cafeína e, portanto, a bebida é mais estimulante. (F.M.)

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