Curitiba - Quem não fica tentado com as liquidações sazonais do comércio? Cartazes com letras garrafais, anunciando descontos nas vitrines de lojas, funcionam quase como um imã para a grande maioria dos consumidores. Para a responsável pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PR), Ivanira Gavião Pinheiro, é importante ficar atento para não cair em armadilhas. Pesquisar preços entre os concorrentes, em qualquer situação, é a dica básica para assegurar uma boa compra.
O primeiro passo é o consumidor ter certeza quanto ao que quer comprar. ''Normalmente, as compras por impulso acabam em arrependimento ao se constatar que aquela despesa irá comprometer o orçamento'', alertou Ivanira. Tendo certeza quanto à compra, outro fator imprescindível é pesquisar preço, levando em conta, ainda, a qualidade do produto, se há garantia do fabricante e, sempre, exigir nota fiscal.
A assistente de marketing Márcia Rodrigues, 38 anos, garante que procura não se influenciar pelas promoções de estação, a menos que as ofertas sejam, de fato, boas. ''Como trabalho com marketing, sei que essa é uma estratégia para atrair o consumidor e, nem sempre, os preços são realmente vantajosos'', destacou. Márcia se diz mais cuidadosa na hora de comprar roupas. Para economizar, deixa de lado as tendências da moda e escolhe peças mais clássicas, que poderão ficar por mais tempo no guarda-roupa.
Já para a farmacêutica Débora Mengarda, 21 anos, as épocas de liquidação são as melhores para fazer compras. ''Você consegue achar os mesmos produtos com preços bem mais acessíveis'', afirmou. Encantada com par de brincos que experimentava, quando abordada pela reportagem da Folha, Débora assegurou que compras por impulso só quando é paixão à primeira vista. ''Mesmo assim, se for muito caro não compro'', ponderou.
O papo pode ser de um ''bom vendedor'', mas o argumento de Kamila Carnio, 19 anos, faz algum sentido. Vendedora em um quiosque de bijouterias, ela sugere, como forma de economizar nas compras, ser ''fiel a uma loja''. Para ela, a fidelidade do cliente pode aumentar seu poder de barganhar descontos.
A coordenadora do Procon-PR concorda que pechinchar é uma dica primordial. Quando se trata de produtos de maior valor, como um eletrodoméstico, Ivanira afirma que, na maioria das vezes, é mais vantagem guardar o dinheiro para fazer a compra à vista e pedir descontos. Mesmo que o estabelecimento prometa o mesmo valor para pagamento parcelado. ''Nessas situações, o consumidor não deve se iludir, pois, com toda certeza, há juros embutidos no preço. Não tem como oferecer a prazo o mesmo valor que receberia à vista. A lei de mercado não permite isso'', enfatizou Ivanira.
Muitas reclamações que chegam ao Procon-PR são decorrentes de compras mal planejadas, mas a maioria ainda é por problemas com fornecedor ou prestador de serviços. Ivanira lembra que para tirar dúvidas, os consumidores podem ligar para o 0800 41 1512, ir até Procon de sua cidade ou, ainda, consultar na internet o cadastro de fornecedores (www.pr.gov.br/proconpr), que já foram alvo de reclamações.


Preferência deve ser por peças diferenciadas

Fernanda Mazzini
Reportagem Local
  As liquidações já movimentam todo o comércio em pleno inverno. Mas é bom lembrar que aproveitar uma promoção requer bom senso e que nem tudo que está sendo vendido, até pela metade do preço, deve ser levado para casa. Na avaliação do gerente da Loja Triton, Jhonny Rocha, as pessoas devem aproveitar as liquidações para comprar peças que não puderam ser adquiridas no início da coleção.
  Segundo ele, atualmente, as coleções novas não diferenciam muito das anteriores e, por isso, os itens não correm o risco de ser abandonados no guarda-roupas. ‘‘Os estilistas sabem que hoje não há mais mercado para a troca completa das peças. As coleções continuam com o mesmo pensamento, as mudanças são mais lentas’’, explica Rocha. Para exemplificar, ele cita as batas, que há tempos freqüentam as araras. ‘‘Elas ganharam busto acentuado e também viraram trapézio’’, lembra.
  Em síntense, as coleções têm seguido a mesma tendência, modificando aos poucos a modelagem. Além disso, são acrescentadas algumas estampas, modificando as cores (características de cada estação). ‘‘Acredito que é hora de investir em acessórios (bolsas, sapatos, cachecóis e bonés), em peças fashion ou com aquela estampa diferenciada. Liquidação é hora de ir à forra, de comprar aquela peça que não coube antes no limite do cartão. O básico é sempre o básico e isso já deu para comprar no início da coleção’’, ensina.
  Na sua avaliação, não devem ser compradas peças mais pesadas que ficarão guardadas. ‘‘Por exemplo, se a pessoa já tem um casaco preto não precisa comprar outro para guardar para o ano que vem. Devem ser compradas apenas as peças para serem usadas como malharias e tops’’, afirma. Já os jeans, de acordo com ele, sempre são vantajosos. ‘‘Jeans a gente usa todos os dias, até em ocasiões especiais. Se a pessoa comprar pela metade do preço e usar menos porque saiu de moda já está valendo’’, avalia.
  O hit do inverno, as calças skinny - devem perder espaço durante o verão. Conforme Jhonny Rocha, as calças da coleção verão terão a boca mais reta.##

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