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segunda-feira, 02 de julho de 2007
Eli Araujo<br> Reportagem local 
As vendas de veneno para matar ratos estão aumentando de forma espantosa principalmente nos bairros da periferia de Londrina. Um dos produtos mais procurados pela população é o ''chumbinho'', vendido em embalagem transparente e praticamente ilegível. Um comerciante que trabalha com o produto há mais de 20 anos, admite que as vendas aumentaram ''quatro ou cinco vezes'' nas últimas semanas. Mas o problema maior, segundo uma especialista, é que a pessoa - ao adquirir um chumbinho, não está comprando apenas um raticida, mas um produto ilegal e extremamente perigoso.
E se engana quem pensa que os ratos aparecem apenas nas casas da periferia. A professora aposentada Fernanda Cândida Mendes é síndica de um edifício na região Oeste da cidade e conta que a descoberta dos ratos no forro foi feita pelo porteiro do edifício. ''O funcionário ouviu um barulho estranho e, ao conferir, viu que eram ratos; eles haviam comido até um pedaço do cano''. Fernanda diz que os problemas começaram no ano passado e não sabe explicar a origem dos ratos. ''A gente cuida muito da higiene no nosso prédio, mas me parece que a cidade está muito suja''.
A síndica conversou sobre o problema com um comerciante que recomendou a ela comprar os tais chumbinhos. Por se tratar de um produto perigoso, ela diz que toma todos os cuidados necessários para evitar problemas. ''Eu sou consciente e jamais colocaria isso dentro do prédio''. Ao comprar o chumbinho, ela percebeu que é muito difícil ler o que está escrito na embalagem. ''É realmente difícil. Até parece que essas pessoas não tem vontade de esclarecer a gente...''.
A prevenção contra o ataque de ratos vem sendo reforçada também nos estabelecimentos comerciais que trabalham com alimentos. A veterinária Neuza Aparecida Camparini Vilhena é responsável pelo controle de qualidade em uma rede de supermercados de Londrina. Ela diz que a empresa faz um ''manejo integrado'' com caráter preventivo para combater as pragas. ''A gente tem que evitar o acesso desses animais nas lojas, tampando os buracos, colocando telas, evitando coisas esparramadas...''. Segundo elas, estes mesmos cuidados deveriam ser tomados nas residências.
Neuza faz questão de afirmar que a rede de supermercados ''usa apenas produtos legalizados e de primeira geração'' para controle das pragas. Ela garante que não usa os chumbinhos, em hipótese nenhuma. ''Isto, além de proibido, é muito arriscado''. A veterinária também afirma ter conhecimento da proliferação de ratos em Londrina ''nos últimos anos''.
Agrônoma condena uso do produto
A engenheria agrônoma Maria Augusta Gambarini Spagnolo condena, de forma veemente, o comércio de chumbinho e faz um alerta à população. Esse produto é altamente letal. Se um animal, uma criança ou um adulto coloca na boca, morre. Não tem socorro. Ela afirma ainda que a venda do produto não acontece apenas na periferia da cidade, onde a incidência de ratos é maior. Se você for em volta do terminal de ônibus, nessas barraquinhas, e perguntar por chumbinhos, ele têm.
Maria Augusta tem uma loja de produtos agrícolas e atende dezenas de prefeituras, cooperativas, empresas e propriedades rurais em quase todo Norte e Noroeste do Paraná. E diz que a proliferação de ratos em Londrina se tornou um problema de saúde pública. A cidade está sem um controle eficaz de combate aos roedores. Nesta época, eles saem das tocas em busca de alimentos e atacam a zona urbana; mas na periferia é pior ainda.
De acordo com a empresária, o controle de pragas deve ser um trabalho permanente. Se você fizer isto certinho, a infestação vai diminuir. Ela nunca vai acabar, mas vai diminuir em um ponto aceitável. E hoje, Londrina é considerada um ponto fora de aceitação. Isto não é oba-oba. É uma questão muito séria.
Ela explica que os ratos podem transmitir inúmeras doenças para o ser humano. E lembra o caso de pessoas que foram contaminadas por virose por tomarem refrigerante sem lavar a tampa da latinha.
Maria Augusta afirma que, na inexistência de uma política oficial de combate aos ratos, as próprias famílias devem tomar suas precauções. As pessoas devem cuidar dos restos de comida e não se iludir com produtos baratinhos. Há produtos de primeira geração à venda nos supermercados e são apenas um pouquinho mais caros. Segundo ela, estes produtos não oferecem os mesmos riscos que os chumbinhos.
E ao ser indagada sobre o fato das embalagens do chumbinho serem praticamente ilegíveis, ela respondeu. Não dá para ler porque quem faz isso sabe que é ilegal. Então, quanto mais mascarar aquilo, mais a população na santa ignorância vai usar e eles vão vender mais. (E.A.)


