Suas compras
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Eli Araujo<br> Reportagem local 
O açúcar está em oferta em vários estabelecimentos de Londrina, mas o movimento de compras permanece ''estável''. O preço está tão baixo, em razão da safra da cana, que um supermercado vendeu, há poucos dias, o pacote de açúcar com cinco quilos por R$ 2,99. Mesmo com o preço reduzido, os consumidores dizem que compram apenas o que consideram ''necessário''.
A família da professora Simone Sapia (o casal e dois filhos) consome um pacote de cinco quilos de açúcar cristal e dois a três quilos de açúcar refinado por mês, cada um para sua finalidade específica. Ela afirma que mantém o consumo, mesmo quando o produto está com preço baixo. ''Costumo manter um limite. A minha necessidade é aquela durante o mês e mantenho a mesma quantidade''.
Simone justifica que é preciso ter um rigoroso controle na utilização do açúcar para evitar alguns problemas. ''A gente precisa ter o controle de modo geral. Tanto para evitar problemas de saúde e aumento de peso, como para não atrapalhar o orçamento''.
A dona de casa Edimara Américo só compra o açúcar cristal porque ouviu falar que é ''mais saudável'' que o açúcar refinado. Ela afirma que leva em conta a qualidade na hora da compra, observando bem a embalagem e a cor do produto. E o fato de encontrar várias marcas em promoção, não a estimula a comprar mais. ''O meu consumo em casa é pequeno. Sempre compro a mesma quantidade, independente de estar mais barato ou não''.
Segundo Edimara, o consumo de sua família (o casal e duas filhas) é de quase um pacote de cinco quilos por mês. Ela diz que todos evitam excesso para não ter problemas de saúde. ''Até o meu suco e de meu marido é sem açúcar, mas as meninas usam açúcar porque não gostam de adoçante''.
O consumo na casa da secretaria Rosilda de Souza Souto ''já foi bem maior''. Atualmente, ela, o marido e uma filha consomem dois pacotes de cinco quilos por mês. A dona de casa afirma que usava o açúcar em maior quantidade porque fazia doces caseiros, mas se sentiu ''obrigada'' a reduzir o consumo por problemas de saúde. ''Como estou com diabetes, a gente tem que controlar, mas antes era um pacote (de cinco quilos) por semana''. Ela diz que prefere o açúcar cristal, e não se preocupa muito com a marca e sim com o preço.
Consumidor está mais consciente
A nutricionista Cintia Cristina da Silva Machado diz que o consumo de açúcar no Brasil foi reduzido pela metade em período de 15 anos. Em pesquisa sobre o assunto, ela constatou que o consumo per capita no Brasil era de 16 quilos em 1988, e caiu para pouco mais de oito quilos em 2003. Segundo ela, isto quer dizer que as pessoas estão mais conscientes em relação ao consumo de açúcar.
Cintia lembra também uma recomendação da Organização Mundial de Saúde de que a quantidade de calorias à base de açúcar não deve passar de 10% do total diário de calorias que a pessoa pode consumir. Ela acrescenta que o açúcar é um alimento rico em calorias, mas pobre em nutrientes.
A nutricionista ainda fez duas considerações a respeito do ponto de vista das donas de casa citadas nesta reportagem. A primeira é que, do ponto de vista nutricional, não há nenhuma diferença entre o açúcar cristal e o refinado. A outra observação é sobre a consumidora que afirma ser diabética e a família dela, de três pessoas, consumir dois pacotes de cinco quilos de açúcar por mês. Isso é um exagero, é muito alto. Dá mais de três quilos por pessoa no mês. Segundo ela, como se trata de uma pessoa diabética, o certo seria usar apenas o adoçante.
Segundo a nutricionista, o limite no consumo de açúcar é necessário para prevenção das cáries e para evitar doenças crônicas não transmissíveis, tais como a hipertensão, diabetes e a obesidade.
Todas as formas de açúcar têm o mesmo valor energético: 4 calorias por grama. Uma xícara de açúcar contém 770 calorias e uma colher de sopa do açúcar contém 50 calorias. (E.A.)


