Suas compras
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quinta-feira, 28 de junho de 2007
Eli Araujo<br> Reportagem local 
Uma cena que se repete milhares de vezes por dia na maioria dos estabelecimentos comerciais do Brasil: o cliente vai pagar suas compras, com dinheiro, e o caixa não tem o troco completo. É algo que se tornou tão comum que os operadores de caixa nem se dão mais ao trabalho de informar aos clientes que estão sem as moedas de um centavo para fazer o troco. E como a maior parte dos consumidores não dá tanta importância ao fato, a falta de troco vai se perpetuando e sendo encarada até como uma coisa ''normal''.
A falta de troco faz parte da rotina da recepcionista Patrícia Fernandes. Segundo ela, a incidência maior acontece com os trocos abaixo de cinco centavos. ''É muito difícil alguém ter troco e na maioria das vezes eles arredondam para cima'', afirma, acrescentando que isto acontece ''direto'' em um mercadinho perto de sua casa. ''Eles sempre ficam com o troco'', reclama.
Patrícia acredita que isto acontece porque as pessoas não valorizam as moedas de um centavo. ''Eu mesma, quando tenho essas moedinhas, jogo lá em um cantinho. Mas é dinheiro. Até mesmo as moedas de R$ 1,00, às vezes, esqueço dentro da bolsa''. Na opinião da recepcionista, as pessoas deveriam valorizar mais as moedas. ''Se você for somar, no final das contas, o quanto você deixa para trás nesses centavos, é prejuízo'', conclui.
A estudante de cursinho Franciele Santos diz que já enfrentou problemas com falta de troco várias vezes, principalmente em supermercados. ''Aconteceu comigo, ontem, inclusive. A caixa me tratou superbem e fiquei com vergonha de pedir meus quatro centavos de troco. Ou seja, a pessoa fica com vergonha e acaba não reivindicando seus direitos''.
De acordo com a estudante, a desvalorização das moedas no Brasil é um problema cultural. ''O brasileiro tem esse costume: só pelo fato de ser moeda, o pessoal já meio que desmerece. Eu mesma não gosto de moedas'', afirma, lembrando: ''Centavo é dinheiro. E é de centavo em centavo que se junta alguma coisa''.
A caixa Maria Rúbia Brenzan Alvin sabe, em função do trabalho que exerce, o que realmente é falta de troco. E segundo ela, o problema não acontece apenas com os centavos, porque as notas de R$ 1,00 estão sendo recolhidas e as moedas do mesmo valor não estão circulando na quantidade necessária. Quanto aos centavos, diz que a falta de troco se verifica com maior frequência nos supermercados. ''Na hora que você passa no caixa, faltam dois centavos e a pessoa acaba deixando porque você não vai brigar por causa de dois centavos''.
Para Maria Rúbia, a própria a população se prejudica pela falta de hábito de carregar as moedas. ''O pessoal vai arredondando para cinco ou dez centavos e não faz a moeda circular. Além disso, tem muita gente que perde as moedas''. Ela disse ter presenciado uma cena outro dia em um supermercado. ''Uma moça não quis a bala de troco e não saiu de lá enquanto não deram um centavo para ela ''.
Para consultor, um centavo é dinheiro
O consultor financeiro e professor da PUC Londrina, Charles Vezozzo, recorre a um antigo ditado popular para justificar a importância dos centavos: É de grão em grão que a galinha enche o papo. E lembra também o princípio do cofrinho, um lugar destinado a se guardar em casa as pequenas economias. De centavo em centavo se consegue bons resultados, e isto vale tanto para as pessoas quanto para as empresas.
De acordo com o professor, a não valorização das moedas está relacionada à uma memória inflacionária, quando as pessoas desprezavam os centavos. Segundo ele, em tempo de estabilidade, a história é diferente. Na nossa economia, hoje, um centavo é dinheiro e a gente consegue resultados razoáveis economizando de pouco em pouco.
O problema da falta de troco no comércio, na opinião de Vezozzo, poderia ser resolvido, ao menos em parte, se as empresas que trabalham com valores fracionados se organizassem melhor, criando o que ele define como fundo de caixa para troco, ou seja, reservar uma certa quantia somente para esta finalidade.
Outro detalhe citado pelo consultor é que as pessoas, aparentemente, podem não se incomodar com a falta de troco, mas elas gostam de receber o que é seu de volta. Para ele, até do ponto de vista de fidelizar o cliente, as empresas deveriam se preocupar um pouco mais com o assunto. A devolução do troco, por menor que seja, gera satisfação do cliente.(E.A.)
Em baixa...
O que se pode observar é que os preços na feira, de um modo geral, fora algumas exceções, estão estáveis ou em baixa. Um dos produtos que está com preço um pouco acima da média é a cebola.
...em alta
Mas ao contrário da maioria dos produtos, os ovos estão custando cerca de 10% mais caros nas feiras de Londrina. A dúzia varia entre R$ 2,00 e R$ 2,40. E a feirante tem uma explicação até lógica: no frio as galinhas botam menos.
Promoções
Veja alguns produtos em oferta em uma rede de supermercados de
Londrina até amanhã:
Macarrão Renata 500 g, R$ 1,97
Suco Maguary caju 500 ml, R$ 1,99
Milho pipoca Yoki 500 g, R$ 1,29
Amendoim torrado Dori 180 g, R$ 2,45


