Os hábitos de alimentação dos brasileiros mudaram, de forma significativa, nos últimos 20 anos. Algumas pesquisas revelam que o brasileiro está consumindo menos arroz e feijão e aumentando o consumo de alimentos prontos. A maior evidência deste fato está dentro dos próprios supermercados. Enquanto as prateleiras de arroz e feijão ficam restritas a um determinado espaço, o setor dos alimentos industrializados só aumenta.
A dona de casa Bárbara Francisconi comprova, na prática, que está havendo a redução do consumo dos produtos, em especial do feijão. Ela tem uma filha de oito anos e compara o seu ''antes e depois'' inspirada na idade da menina. ''Quando era pequena, a gente ia almoçar na casa da avó e nessa época se consumia bem mais arroz e feijão, além da variedade de comida, que era muito grande''. Agora a realidade é bem diferente. ''Hoje em dia, eu como duas colheres de arroz e duas de feijão no almoço, e à noite nem acabo comendo''.
Ela faz a comparação também em termos de quantidade. ''Há algum tempo, uma xícara de arroz dava para o almoço e o jantar, e agora a mesma xícara de arroz, se deixar, dá para três ou quatro dias''. Com base neste consumo, Bárbara afirma que um pacote de arroz com cinco quilos dura quatro meses em sua casa e um pacote com um quilo de feijão dura dois meses. O motivo para tanta duração está no fato de seu marido preferir os alimentos industrializados. ''Lasanha, lanches e maionese é tudo que ele mais gosta''.
A psicóloga Fernanda Correa estava com o marido, Tiago Fernando Correa, e a filha Letícia, de apenas 11 meses, no supermercado. E entre carnes, leites, verduras e alguns alimentos congelados, estava um pacote de feijão carioca. Ela ficou até um pouco surpresa em saber que as famílias brasileiras estão reduzindo o consumo dos dois produtos e diz que em sua casa acontece o contrário. ''A nutricionista me ensinou que o arroz e o feijão são fundamentais para o nosso dia a dia'', contou. Após a recomendação, o arroz e o feijão passaram a fazer parte do cardápio diário da família. Agora, o consumo mensal de feijão está na média de 1,5 quilo e o de arroz 2,5 quilos.
Fernanda diz que, embora tenha aumentado o consumo dos dois produtos, os alimentos industrializados também têm espaço garantido em sua casa. ''Posso dizer que a proporção entre os dois está meio a meio''. Mas se depender da pequena Letícia, a cultura do arroz e feijão estará preservada. De acordo com Fernanda, a menina gosta de uma papinha com os dois ingredientes.

Mudança de hábito acaba com ‘parceria’
  Na opinião da nutricionista Aliny Stefanuto, o arroz e o feijão estão deixando de ser um prato característico da cultura brasileira. ‘‘O arroz as pessoas aindam consomem, mas o feijão está deixando de fazer parte do cardápio, principalmente da classe média’’.
  Aliny aponta três motivos para a redução do consumo de arroz e feijão no Brasil: em primeiro lugar está a proliferação dos alimentos industrializados, em segundo a alimentação fora de casa e, em terceiro, a idéia de que arroz e feijão causam obesidade. ‘‘As pessoas acham que vão engordar e acabam tirando o arroz e feijão da alimentação, mas na verdade é aí que elas acabam engordando. Comendo apenas massas e alguns tipos de carnes, a pessoa pode ter deficiência de alguns aminoácidos’’, afirma.
  Para a nutricionista, o arroz e o feijão devem ser mantidos como o ‘‘prato principal’’ na alimentação dos brasileiros. ‘‘A importância do arroz e do feijão é que um completa o outro’’. Aliny fala também o quanto a pessoa deve consumir de cada produto. ‘‘A proporção correta é de três por um. Assim, para seis colheres de sopa de arroz, devemos colocar duas de feijão. Esse consumo deve ser diário, no almoço e no jantar, porque a pessoa terá bastante quantidade de ferro na alimentação, estará suprida de muitas vitaminas do complexo B e também de fibras’’. (E.A.)

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