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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
As indústrias do setor de bebidas estão investindo no mercado de refrigerantes de baixas calorias, mais especificamente na linha ''zero açúcar''. É notório que essa nova versão de refrigerante vem ganhando lugar nas prateleiras dos supermercados, porém com esta estratégia, as indústrias praticamente reconhecem que o açúcar pode causar obesidade. Segundo estudos, as taxas de sobrepeso atingem cerca de 40% da população. Mas as indústrias não querem perder mercado.
A vendedora Simone Zacarias diz que toma refrigerantes quase todos os dias. ''Gosto de tomar refrigerante porque refresca, é bom; e geralmente tomo apenas uma garrafa de 290 ml''. Ela considera que a bebida ''não é saudável'', mas só pára de tomar o produto quando está um pouco acima do peso. ''A balança denuncia. Mesmo uma garrafinha por dia interfere bastante. Ai passo a tomar suco''.
Ela já tentou mudar o tipo de refrigerante e não conseguiu ''Não me habituei nem com o light e nem com o diet'', comenta. E após experimentar o 'zero açúcar' que estava em demonstração no supermercado, fez uma avaliação do produto. ''Para quem gosta de um refrigerante leve é bom; tem menos gás, mas é diferente do que estou acostumada. Não trocaria um pelo outro. Pelo menos por enquanto não''.
O projetista de corte de confecção Diogo Maurício Fontolan toma Coca-Cola desde quando era muito pequeno. ''Não chego a ser um viciado porque só aprecio. No verão costumo tomar um pouco mais'', contou. Ele não se incomoda nem um pouco com o detalhe do refrigerante não ser considerado uma bebida saudável. ''Para mim, não faz nenhuma diferença, nunca percebi nenhuma interferência em termos de saúde. Talvez não seja o mais saudável, mas é o mais gostoso''. Detalhe: ele descarta os light e diet e prefere mesmo os que têm açúcar''.
Fontolan ainda não havia experimentado o refrigerante 'zero açúcar', mas concordou fazer um 'teste' no supermercado. ''Achei um refrigerante diferente, que mais parece uma água com limão. ''É uma coisa meio indefinida, mas se for para matar a sede, prefiro tomar água''.
A estudante Mônica dos Santos pode ser considerada uma exceção. Ela parou de tomar refrigrante há três anos porque estava com gastrite. Para ela, foi ''complicado'' encarar a nova realidade. ''Foi difícil porque eu adorava refrigerante, tomava muito mesmo; mas hoje não sinto nenhuma vontade, não faz diferença tomar refrigerante ou não''. Nem mesmo o lançamento dos refrigerantes 'zero açúcar' despertou a curiosidade da estudante. ''Sei que isso pode causar malefícios para a minha saúde; então prefiro não tomar''. Por isso, a jovem trocou os refrigerantes pelos sucos naturais.
Apenas formato é novo
A nutricionista Kátia Tiemi Tookuni, especialista em nutrição e atividade física, afirma que os refrigerantes zero açúcar que apareceram recentemnte no mercado são apenas um novo formato dos refrigerantes light e diet. Foi mudada a nomenclatura porque muitas pessoas não tinham conhecimento e faziam confusão do que é light e diet. E segundo ela, estes dois tipos já vêm sem açúcar.
Kátia recomenda que mesmo havendo a indicação zero açúcar, as pessoas não devem consumir o refrigerante diariamente para evitar problemas de saúde. Quanto ao fato de um dos produtos sugerir que se trata de água, a nutricionista pede que se tome cuidado com este detalhe. A diferença é que este refrigerante contém menos gás, mas não substitui a água e não pode ser considerado água.
A nutricionista explica que, mesmo com a metade da gaseificação tradicional, como informa o rótulo, ele continua sendo uma bebida gaseificada. E, além disso, tem outros ingredientes dos refrigerantes convecionais, entre eles os conservantes, adoçantes e aromatizantes. É uma bebida que não tem calorias, mas também não tem nutrientes benéficos para a saúde, afirma. Por isso, recomenda que as pessoas tomem suco e água. Mas preferencialmente a água porque é mais interessante para a saúde.
OMS - A Organização Mundial da Saúde sugere que as pessoas limitem a ingestão de açúcar adicionado, inclusive o contido nos refrigerantes, para níveis inferiores a 10% das calorias diárias. Caso contrário, estarão propensas a enfrentar problemas dentários e de obesidade. Para a maioria das pessoas, esta quantidade de açúcar está presente apenas em uma lata de refrigerante. (E.A.)


