Suas compras
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quarta-feira, 20 de junho de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Até recentemente, os supermercados reservavam um dia da semana para fazer promoções de frutas e verduras. A situação era tão bem definida que o consumidor sabia exatamente onde comprar, dependendo do dia. Agora, esta certeza não existe mais porque os estabelecimentos mudaram a estratégia de promoção: eles ainda mantém o dia tradicional, que ficou conhecido pelos consumidores, mas diluiram as promoções de hortifruti ao longo da semana. Mas em alguns casos de preços estão acima do 'normal' até mesmo nos dias que seriam apenas de promoção.
A recepcionista Valdirene Couto vai ao supermercado toda semana para comprar frutas e verduras, e quando está com um pouco mais de pressa prefere o sacolão. ''É mais rápido, pego uma coisinha aqui, outra ali e não preciso passar pelo caixa''. Ela estava fazendo compras em um dia que o supermercado não faz promoção de hortifruti e observou que não existe mais um dia específico da semana para as promoções. ''Os mercados dizem que reservam um dia para a promoção, mas os preços continuam os mesmos praticamente. Eles colocam um ou dois produtos mais baratos, mas o restante continua a mesma coisa''.
Para Valdirene, seria bem melhor se os supermercados reservassem apenas um dia da semana para as promoções de hortifruti. ''A gente saberia que naquele dia haveria um produto bom e um preço melhor. Seria mais prático''.
A assistente social Liliane Pistori vai aos supermercados pelo menos quatro vezes por semana para comprar uma variedade de coisas. Liliane compra o suficiente para duas pessoas - ela e o marido, para evitar desperdício.''Por isso, venho com tanta frequência ao mercado''. Para ela, não existem mais as características que identificam as promoções de hortifruti em um dia da semana. ''A gente tem encontrado produtos com preços bons fora das promoções, mas também acontece o contrário, de chegar naquele que seria o dia da promoção e encontrar produtos com preços mais salgadinhos''.
Na opinião dela, os preços deveriam ser reduzidos ''de maneira uniforme'' em apenas um dia da semana. ''Seria bem melhor, sem sombra de dúvida. Mas independente de ser promoção ou não, o que o consumidor deve fazer é comprar o que está mais barato, com certeza''.
O químico Paulo Sérgio Berg vai ao mesmo mercado três vezes por semana, em média, há vários anos. Ele é casado, tem duas filhas, e na família todos gostam de frutas e verduras. Segundo ele, o fato de se estabelecer mais de um dia para a promoção de hortifruti é uma estratégia comercial. ''Percebi que os supermercados acompanham as promoções dos outros supermercados. Ou seja, eles jogam poucas coisas em promoção todos os dias e mantém o chamariz para a semana inteira''. Na opinião de Berg, isto ''descaracteriza'' a idéia original das promoções em apenas um dia da semana.''Quando havia um dia específico, esta parte de sacolão do supermercado estava sempre lotada e hoje tem menos gente porque os preços são variados''.
Para professor é uma nova estratégia
Para o professor Vandre Alex da Silva, coordenador do curso de Marketing e Propaganda, da Unopar, a estratégia que os supermercados adotaram de fixar um dia da semana para reduzir os preços de frutas e verduras talvez esteja caindo em desuso, ou seja, está saindo de moda. Segundo ele, alguns supermercados optaram por ampliar as ofertas durante a semana do que concentrar em apenas um dia com o objetivo de conquistar o cliente.
O que se podia observar, até então, é que os clientes migravam para um supermercado no dia da promoção, o que causava a redução do movimento em outros dias da semana. Esta opção não trouxe o efeito esperado, tornando-se inócua, afirma o professor. Para ele, o fato de uniformizar os preços em outros dias da semana contribuiu para aumentar a concorrência entre os supermercados. Silva diz ainda que a ampliação das ofertas para outros dias facilita a vida da dona de casa que não tem tempo de ir ao mercado somente naquele dia; neste sentido, a estratégia é eficaz.
Outro motivo apontado pelo professor para justificar a mudança é logístico. Ele explica que, como se trata de produtos perecíveis, é mais fácil o supermercado fazer a promoção em alguns momentos do que conservar o produto, em função dos custos elevados. (E.A.)


