O consumo de amendoim aumenta de forma considerável em todo o Brasil entre os meses de junho e agosto por dois motivos. O primeiro está relacionado ao clima. Como se trata de um alimento altamente calórico, o amendoim é um produto muito procurado quando cai a temperatura. O segundo motivo são as tradicionais festas juninas que têm no amendoim um de seus principais ingredientes. A estimativa da indústria é que o consumo aumente cerca de 30% neste período do ano.
O brasileiro gosta de amendoim tanto in natura, quanto torrado, moído ou na forma de doce - nesse caso a variedade é grande. ''Prefiro comprar os doces prontos, pé de moleque e paçoca, por exemplo. Agora no inverno, a gente consome mais esses produtos'', disse a dona de casa Agda Martins. Ela estava no mercado para comprar um pacote de amendoim in natura e não tinha parâmetros para avaliar o preço do produto, uma vez que o consome apenas eventualmente, ao contrário de itens da cesta básica como arroz, feijão e óleo. ''Não sei quanto custa um pacote de amendoim, não tenho idéia, mas acho que não é muito barato não'', afirmou. Ao conferir o preço, viu que uma embalagem com meio quilo custava R$ 4,50.
O administrador de empresas Luiz Gustavo Cícero, que estava no supermercado com o filho Lucas, de oito anos, contou que os dois gostam de consumir produtos derivados de amendoim. ''A gente é contagiado pelo clima, vai em festas juninas e o consumo aumenta com certeza''. Cícero disse que herdou da mãe a habilidade em preparar alguns doces à base do produto. ''A minha mãe é uma cozinheira de mão cheia e a gente cresceu vendo ela fazer doces''. Um doce que ela gosta de fazer é o pé de moleque. ''O Lucas gosta do pé de moleque que a avó dele faz. Ele é feito com mais amor, vai um pouco mais de manteiga, fica mais gostoso, não fica tão duro e o sabor é diferente''.
Quanto à qualidade do amendoim vendido atualmente nos supermercados, Cícero afirmou que ''haveria a necessidade de uma pesquisa científica para verificar se o produto está dentro das normas e padrões exigidos ou não''. Ele reconheceu, entretanto, ter observado que o produto melhorou em termos de aparência. ''O que a gente vê por aí é que existe uma melhora em termos de apresentação. É um produto bonito e uma embalagem muito bem desenvolvida. Deste ponto de vista, está tudo normal. A gente tem que confiar''.

Indústria garante ‘produto seguro’
  A Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) garante que o amendoim que chega ao consumidor ‘‘é totalmente seguro’’. Esta meta foi conseguida depois que a entidade criou, há seis anos, o Programa de Auto-Regulamentação e Expansão do Consumo, o Pró-Amedoim, com ‘‘o objetivo de resgatar o amendoim e todos seus derivados industrializados como um alimento de alta qualidade nutricional e de total confiança para o consumo’’.
  O Pró-Amendoim promove a qualidade do produto não apenas no âmbito industrial, mas também no setor primário que compreende desde a produção à armazenagem e beneficiamento do amendoim.
  De acordo com a Abicap, graças a este programa, a produção brasileira de amendoim cresceu - percentualmente, dez vezes mais que a produção mundial nos últimos seis anos. São exatos 5,9% contra 59%. No mesmo período, as vendas aumentaram 30%. No ano passado, a produção industrial de amendoim foi de 131,3 mil tonaleadas. Este ano, espera-se chegar a 145 mil toneladas.
  O consumo per capita do brasileiro gira em torno de 800 gramas de amendoim por ano, sendo que um terço desde consumo se concentra nos meses de junho a agosto. (E.A.)

mockup