O consumidor que foi aos supermercados esta semana para comprar leite longa vida ficou literalmente assustado com o preço do produto. O litro, dependendo da marca, está custando entre R$ 1,88 e R$ 2,05 nos principais estabelecimentos da cidade. Se a comparação se limitar à semana passada, o reajuste médio fica em torno de 10%. Porém, se o preço for comparado ao começo do ano, o aumento é de quase 100%.
  A técnica em radiologia Lêda Ramos ficou indignada quando chegou à gôndola de um supermercado para comprar o leite longa vida. A primeira palavra que ela disse foi ‘‘Nossa!’’ e permaneceu alguns instantes boquiaberta. ‘‘Estou bastante assustada. Cada vez que a gente vem ao mercado é uma surpresa. Não entendo o porquê deste aumento; não sei nem o que pensar’’. A dona de casa tem um filho que vai fazer dois meses e outro que está com quase dois anos. Seu consumo é de quatro fardos por mês, o que corresponde a 48 litros. Por causa do elevado consumo, ela sempre procura comprar em promoções. ‘‘Só que atualmente nenhum mercado está fazendo promoção de leite’’, reclama.
  Lêda diz que há pouco mais de um mês pagou R$ 1,05 o litro e R$ 1,58 há duas semanas. ‘‘Agora o mesmo leite está entre R$ 1,95 e R$ 2,05, o que dá uma diferença muito grande’’. Segundo ela, esta diferença também interfere no orçamento doméstico. ‘‘Para manter o consumo, a gente tem que sacrificar alguma coisa porque o salário é sempre o mesmo’’.
  A estudante universitária Michelle Maria Elias mora em Jaguapitã, mas prefere comprar o leite longa vida em Londrina. ‘‘Onde moro não temos opção de mercado e, além disso, o preço é mais alto ainda. Se aqui está em torno de R$ 2,00, lá está entre R$ 2,25 e R$ 2,50’’. Ela diz que comprava o mesmo leite por R$ 1,00 ou R$ 1,20 no começo do ano. ‘‘Vi que ele foi progressivamente aumentando sem uma justificativa plausível, mas como a gente é bem passiva, nem fui atrás para saber o motivo’’. A estudante só reclama que se trata de um gênero de primeira necessidade, que não tem como substituir.
  Michelle vem a Londrina todos os dias para estudar e diz que os estudantes de outras cidades também aproveitam as horas livres para fazer compras na cidade. Segundo ela, a diferença é razoável. ‘‘Compensa comprar aqui sim. Dependendo da economia no final do mês, dá até para pagar a van’’.
  O servidor público Pedro Afonso Figueiredo também notou o aumento no preço do leite na hora da compra. ‘‘Como subiu agora, estou procurando o que está mais barato, mesmo que não seja promoção. E o mais barato neste momento é este de R$ 1,88’’. Na casa de Figueiredo moram cinco pessoas - três adultos e duas crianças, e o consumo é de dois litros de leite por dia. Ele prefere o produto em embalagem longa vida ‘‘pela praticidade de estocar em casa sem necessidade de refrigeração’’. Ele acha que o produto subiu muito esta semana por causa do frio. ‘‘Acho que a geada prejudicou as pastagens e isso dificulta a alimentação para os animais’’, afirma.

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