O brasileiro consome pouco queijo. E não é por culpa do poder aquisitivo ou porque não goste da variedade desses derivados de leite. Na maioria das vezes, o baixo consumo está relacionando à falta de informação ou porque o produto não está bem exposto nas gôndolas dos supermercados e, portanto, a pessoa não se sente atraída a comprar.
Estes conceitos foram repassados esta semana durante um curso ministrado em Londrina e Maringá por dois especialistas no assunto. Um deles é o gerente comercial da Latícinios Tirolez, de São Paulo, Disney Criscione, e o outro é o supervisor e marketing e vendas da empresa, Geraldo Manjella. O curso é destinado a gerentes e funcionários que trabalham com tais produtos nos supermercados, mas o objetivo final é estimular o consumo de queijos. O volume de vendas aumentou em até três vezes nos locais onde os conhecimentos foram aplicados.
É este tipo de resultado que motiva a dupla de especialistas a percorrer inúmeras cidades do Brasil repassando as informações e ouvindo as dificuldades de quem trabalha em contato com o consumidor. Para se ter uma idéia de como o consumo per capita de queijos é baixo no Brasil, basta fazer um comparativo com alguns países. Enquanto o brasileiro consome entre 3,5 e 4 quilos por ano, o consumo na Argentina é de 8 quilos, de 20 na França e de 23 quilos por ano na Grécia, o maior consumidor per-capita do mundo.
''Tudo é uma questão cultural, mas nós estamos nos aprimorando, nós estamos crescendo. O mercado de queijos especiais cresce aproximadamente 10% ao ano e logo logo teremos um mercado importante de queijos também no Brasil'', afirma Criscione, que se orgulha de ter criado uma forma bem didática e apetitosa de falar sobre queijos. É o que ele batizou de ''degustação comentada''.
No ano de 2000, a associação das indústrias do queijo precisou demonstrar alguns tipos do produto em uma feira e não tinha como fazer uma apresentação de fácil entendimento ao público. ''Foi aí que nós criamos um disco de papel plastificado descartável com 14 quadrantes e cada um deles corresponde a um tipo de queijo'', diz Criscione.
Na degustação comentada, a pessoa recebe informações sobre as características de cada queijo, as origens, como são fabricados e curiosidades. ''Do ponto de vista do consumidor é uma coisa absolutamente nova. E é importante frisar que nós não estamos falando em comer queijos; estamos falando em degustá-los''. Traduzindo em outras palavras, isto significa, de acordo com o especialista, que o ato de degustar o queijo envolve os cinco sentidos e não apenas o paladar.


Especialistas explicam diferenças do produto

  O especialista Disney Criscione explica que os queijos podem ser divididos em dois grupos - um da cor branca e outro da cor amarela. ‘‘Eu costumo dizer aos consumidores que os queijos de coloração branca são os queijos de massa crua e os de massa amarela são os queijos semi-cozidos e geralmente maturados’’.
  Os dois tipos apresentam diferenças também quanto ao consumo. ‘‘O que o consumidor precisa saber sobre queijos é o seguinte: o queijo fresco tem que ser bem fresco, o mais fresco possível. Então a pessoa deve examinar principalmente o prazo de validade. Já os queijos maturados, não importa se ele tenha sido fabricado há um ou dois meses se a maturação é de três a cinco meses, porque quanto mais tempo ele leva para ser consumido, mais saboroso ele fica, mais cremoso e mais aromático’’.
  E o supervisor de marketing da Tirolez, Geraldo Manjella afirma que o queijo é diferente de outros produtos que são colocados nas gôndolas dos supermercados. ‘‘Os outros produtos vêm prontos da indústria e a pessoa apenas abastece no ponto de venda, enquanto com o queijo, o profissional tem que cortar, embalar e colocá-lo em exposição. Ou seja, ele é manipulado dentro do supermercado’’.
  E é este detalhe que, embora trabalhoso, precisa ser melhorado para o queijo concorrer ‘‘em melhores condi-ções’’ com os outros produtos. ‘‘Dentro de um supermercado de pequeno ou médio porte, existem mais de 15 mil itens diferentes e o consumidor jamais conseguiria identificar a todos. Então, cabe a nós profissionais sinalizarmos nossos produtos de uma forma mais fácil, mais simples e mais comunicativa para o consumidor’’.
  De acordo com Manjella, quem seguiu estas orientações triplicou a venda de queijos.(E.A.)

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