O frio dos últimos dias afetou apenas parcialmente os preços dos hortifruti nas feiras no centro de Londrina. Mesmo assim, a queda na temperatura foi o assunto mais comentado na manhã de ontem em todas as bancas. O produto com maior elevação de preços foi a alface. Há duas semanas, o preço máximo das três variedades mais comercializadas nas feiras variava entre R$ 1,00 e R$ 1,50 e ontem estava entre R$ 1,50 e R$ 2,50, um aumento médio de 60%. Apesar do frio, a alface estava com boa qualidade nas maiores bancas, mas outros produtos, como a acelga, por exemplo, mereceram reclamação dos consumidores.
A empresária Ivanilda Zanon foi à feira no começo da manhã e diz que não percebeu diferenças de preços em função do frio, o que causou até certa surpresa. ''Eu esperava que os preços tivessem subido hoje (ontem), mas não graças a Deus''. Ela havia comprado um pé de alface americana na embalagem por R$ 2,50. ''Estou pagando o mesmo preço que pago sempre, mas não é a alface solta'', esclarece. Ivanilda diz que prefere a alface americana ''por ser mais firme, durar mais e ser mais resistente''. E não deixa de comprar o que precisa, mesmo quando há aumento de preços. ''O que a gente tem que comer a gente acaba comprando''.
A administradora de empresas Maira Maeoka, por sua vez, percebeu aumento de preços em alguns produtos. ''Ainda não andei toda a feira, mas deu para perceber algumas coisas, principalmente a alface. Na semana passada estava a R$ 1,50 e agora está a R$ 2,50''. Ela havia notado o aumento de preços também no chuchu e feijão e a redução do preço do tomate. ''Há dois meses, estava R$ 3,00 o quilo, agora dá para comprar até por R$ 0,80 no mercado''. Maira diz que vai à feira toda quinta e domingo porque mora perto e prefere comprar frutas e verduras na quantidade certa para estar sempre ''fresquinhas''. Além dos preços, ela também observou a diferença de qualidade em alguns produtos. ''A acelga está com alguns buracos, talvez por causa da geada; as folhas estão bem judiadas'', afirma.
A administradora de empresas diz que não vai deixar de comprar o que precisa, mesmo que haja aumentos de preços de outros produtos nos próximos dias. ''Se subir demais, eu compro em menor quantidade e quando está mais barato a gente aproveita melhor os ingredientes''.

Alguns produtos subiram até 100%
De acordo com o atacadista Roberto Morakami, que trabalha com verduras e legumes na Ceasa de Londrina, alguns produtos tiveram aumentos médios de 100% nos últimos dez dias por causa do frio. Entre os produtos que mais subiram ele cita a abobrinha, o quiabo, a vagem e o pepino. ''As folhagens não subiram tanto porque a procura está pouca'', afirmou. Segundo ele, com o frio a produção no campo diminui bastante porque ''as plantas demoram mais para crescer''.
E como os atacadistas não sabem como ficará a produção de legumes e verduras nos próximos dias, eles já estão se garantindo e providenciando a compra de tais mercadorias na região Centro-Oeste do País para não haver problemas de abastecimento. Morakami disse que não é possível fazer uma estimativa de quando a produção será normalizada na região. ''Tudo vai depender do clima''.
O comerciante José Ochiro, que tem banca na feira há 48 anos, confirma o aumento de preços dos produtos que compra na Ceasa, entre eles o chuchu, a vagem, o pepino e a abobrinha. As alfaces ele diz que pega direto do produtor. Aliás, as alfaces crespa, lisa e americana estavam com boa qualidade na banca de Ochiro ontem. Segundo ele, a qualidade se justifica porque ''as plantas já estavam bem formadas quando o frio chegou e assim elas não queimam tanto; as mais novas queimam mais''.
Ochiro confirma também que os preços das alfaces estavam entre R$ 1,00 e R$ 1,50 há duas semanas, dependendo da banca e da origem do produto. ''Quando a banca é do produtor, ele consegue vender um pouco mais baixo''. Na banca do feirante as alfaces crespa e lisa estavam a R$ 2,00 a unidade e a americana a R$ 2,50.

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