Mesmo com toda evolução da tecnologia para facilitar a vida das pessoas, o bolso continua sendo a ‘‘parte’’ mais sensível do corpo humano. O consumidor sabe que a concorrência entre os supermercados é cada vez maior e, por isso, se torna mais exigente até nas promoções. Hoje, além de uma boa diferença de preços, o consumidor exige qualidade. E para alguns, nem compensa ir atrás das promoções que ‘‘cobrem qualquer tipo de oferta’’.
  O advogado Mateus Vergara diz que compra tudo o que precisa em promoções porque hoje está mais fácil acompanhar o preço das mercadorias. ‘‘Antigamente, quando você vinha ao supermercado estava um preço, e alguns dias depois estava outro. Mas agora, como a economia está mais estável que naquela época hiperinflácionária, dá para se ter uma idéia melhor de preços’’. Ele observa também que a mudança de circunstâncias alterou, inclusive, o tamanho dos carrinhos nos supermercados. ‘‘Antes, o supermercado só tinha um tamanho de carrinho e hoje as pessoas sozinhas ou mesmo as famílias compram poucas coisas de cada vez, mas aumentam o número de vezes que vêm ao mercado’’.
  Quanto às promoções, ele considera que é importante o consumidor ficar atento a todos os detalhes. ‘‘Não adianta você comprar um produto que apresenta quantidade menor só porque está na promoção. É fundamental comparar a quantidade e a marca também’’. Na opinião de Vergara, quando um supermercado afirma que cobre a oferta de outro está procurando ‘‘apenas atrair’’ o cliente. ‘‘Você nunca entra no mercado e compra só aquilo que precisa. A própria disposição é feita para que você efetue outras compras’’.
  O dentista Carlos Eduardo Braga costuma aproveitar as promoções nos supermercados com uma condição: ‘‘Desde que os produtos sejam de qualidade’’. Ele também leva em conta o custo-benefício. ‘‘Para a promoção ser atraente, o valor médio deve estar abaixo quando você compara com outros locais’’. Percentualmente, na opinião dele, esta diferença deveria estar entre 20 a 25%.
‘‘É uma diferença considerável e sem uma diferença significativa não vou correr atrás de uma promoção’’.
  Braga também não procura as promoções do gênero ‘‘cobrimos qualquer oferta’’. Segundo ele, ‘‘se a diferença for muito pequena, não compensa todo o processo. Além de ser muito trabalhoso, às vezes demora mais tempo para cobrir a tal oferta do que fazer toda a compra’’.
  O dentista considera que ‘‘não é muito ético’’ fazer este tipo de propaganda, mas reconhece que ela existe em vários setores, inclusive na própria Odontologia, com ofertas de tratamentos a preços irrisórios. ‘‘Infelizmente, as pessoas não levam em conta a qualidade e a formação do profissional. Às vezes, o valor oferecido para algum tratamento não cobre nem o valor do material que você vai usar. A gente não pode julgar sem conhecer, mas é difícil confiar neste trabalho’’.

‘Redução de preços deve ser real’
O professor de Marketing Fabiano Galão, da Unopar, diz que o consumidor deve ficar bem atento às promoções porque ‘‘às vezes a loja baixa o preço de uma mercadoria e aumenta em outras’’. Segundo ele, é muito comum a pessoa ir ao supermercado com uma relação pré-elaborada e comprar alguns produtos que não estão naquela lista. Além do preço baixo, outro motivo que leva o consumidor a comprar em promoções são as ofertas que ele encontra no momento.
  Galão afirma também que a sugestão de cobrir qualquer oferta ‘‘é uma tentativa de atrair o cliente, de torná-lo fiel’’. Ele diz que não existem estudos sobre o assunto, mas pessoalmente não saberia dizer até que ponto isto é válido. ‘‘É o tipo de coisa que gera muitas dificuldades para o consumidor porque cabe a ele provar que o produto está mais em conta em outro lugar’’.
  O professor acredita que o consumidor atual está mais exigente e, por isso, para uma promoção ser atrativa ‘‘deve ter uma redução real de preço’’. (E.A.)

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