Comprar uma mercadoria por telefone para ser entregue em casa, além da praticidade, representa a geração de empregos para milhares de pessoas. Este serviço foi um diferencial criado por empresas de vários segmentos para facilitar a vida dos consumidores. Mas o que veio para ser um benefício, muitas vezes se transforma em incômodo quando as motos de entrega se excedem no barulho.
  A professora Lucimar Nóbrega, que também é motoqueira, mantém uma certa assiduidade em fazer compras para serem entregues em casa. Ela faz tais pedidos por semana ou quinzena ‘‘dependendo da necessidade da gente e da vontade também’’. Mesmo reconhecendo que o serviço oferece certa comodidade, ela reclama do excesso de barulho causado por algumas motos de entrega. ‘‘Essa poluição sonora incomoda bastante, principalmente a gente que tem criança’’. Ela tem um filho de dois anos e oito meses que não consegue dormir direito por causa do barulho. ‘‘Às vezes, ele está dormindo e acorda assustado. O menino tem medo de motoqueiro’’, afirma.
  Para resolver o problema, a professora apresenta duas sugestões. A primeira é que ‘‘deveria haver a conscientização do próprio motoqueiro de arrumar o escapamento de sua moto’’. E a segunda ‘‘seria as empresas que contratam estas pessoas levar isso também em conta’’.
  Na opinião da arquiteta Denise Canabrava de Castro os problemas causados por motos de entrega não se limitam apenas ao barulho. ‘‘Não se pode generalizar, mas tem uma boa parte que é inconseqüente. Eles abusam do barulho, da velocidade, do trânsito mesmo, vão costurando...’’ Ela cita o caso de duas pessoas conhecidas que foram atropeladas e mortas este ano por motos de entregas, uma em Londrina e outra no interior de São Paulo. ‘‘É muito triste. A pessoa vai buscar um pão e morre desta forma’’, lamenta.
  Denise morava em um apartamento na área central de Londrina, onde havia excesso de ruídos na rua. ‘‘O barulho muito alto era ruim, bem desagradável. E não era só de motoqueiros que fazem entregas não. A gente ficava com o coração na mão com as freadas’’. Agora ela se mudou para um local que define como ‘‘tranqüilo, sossegado’’.
  Para a arquiteta, ‘‘deveria haver uma reeducação das pessoas para reduzir este tipo de problema. A gente sabe que eles estão trabalhando, mas este profissional precisa ter um pouco mais de juízo, de responsabilidade’’. Ainda segundo ela, as empresas que oferecem serviços de entrega deveriam ter um controle maior com este pessoal. ‘‘As empresas deveriam fazer um monitoramento, pensar em uma forma de saber como o funcionário está trabalhando’’, sugere.

Prejuízo é maior para o próprio motoqueiro
  De acordo com a otorrinolaringologista Rosana Emiko Heshiki apesar da poluição sonora causada pelas motos afetar um grande número de pessoas, ‘‘o barulho prejudica mais o próprio motoqueiro que está conduzindo o veículo.’’ Segundo ela, em uma circunstância normal o barulho provocado por uma moto corresponde a 85 decibéis, ‘‘o que teoricamente não faria nenhum mal’’. Porém, acrescenta, a cada cinco decibéis de acréscimo, a capacidade de tolerância do ouvido é reduzida pela metade.
  Rosana explica que a situação é bem diferente quando a pessoa usa a moto apenas para se locomover de casa para o trabalho e quando ela trabalha o tempo todo com moto. ‘‘Após dois ou três anos, esta pessoa terá um prejuízo auditivo bem maior que o outro trabalhador’’.
  Ainda de acordo com a otorrino, ‘‘o nível de tolerância a ruídos varia de acordo com a sensibilidade da pessoa’’, sendo que alguns podem se incomodar mais com certos ruídos enquanto outros nem tanto. Ela cita, por exemplo, algumas profissões onde as pessoas convivem necessariamente com barulhos, tais como costura, marcenaria e construção civil. ‘‘Há pessoas que, mesmo alertadas sobre o risco, preferem trabalhar porque se trata de seu ganha-pão’’.
  Rosana reconhece que a poluição sonora é um mal do mundo industrializado, mas cita que os hábitos alimentares também podem causar problemas à audição, quando a pessoa tem colesterol alto ou tendência à obesidade e diabetes. ‘‘Os ouvidos tem microvasos (sanguíneos) mais finos que um fio de cabelo’’, afirma. (E.A.)

Pirataria garantida
Alguns espaços na feira de domingo na feira do centro de Londrina, que antes eram ocupados por bancas de hortifruti, agora são ocupados por vendedores de CDs e DVDs piratas. O interessado pode comprar 4 CDs ou 3 DVDs por
R$ 10,00. A inovação fica por conta de um dos vendedores que oferece o produto com ‘‘garantia’’.

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