O almoço em casa custar menos que um refrigerante, ou todas as refeições do dia custar menos que um lanche na esquina. Parece difícil, mas é perfeitamente possível. A nutricionista Aliny Stefanuto fez as contas, a pedido da FOLHA, considerando os valores médios e o rendimento proporcional dos respectivos produtos. O custo de cada uma das seis refeições ao longo do dia está em um infográfico nesta página. No total, a pessoa vai gastar R$ 3,80 com as seis refeições em um dia. ''As pessoas não têm noção de como se alimentar bem e de forma bem mais em conta'', afirma.
A nutricionista acredita que uma boa parte da população brasileira gasta acima do necessário com alimentos porque ''é muito grande'' a variedade de produtos oferecida nos supermercados. ''Na verdade, o supermercado é uma tentação e a pessoa se sente obrigada a testar aquela mercadoria. Antigamente não havia tantos alimentos disponíveis. Hoje, a gente vê muitos alimentos congelados no carrinho e não vê o arroz e o feijão, que são mais baratos''.
Aliny explica que o único segredo para baratear o custo das refeições ''é aproveitar bem os alimentos, é utilizar os produtos que são mais baratos e mais nutritivos''. Ela sugere, por exemplo, que as donas de casa deixem para comprar frutas e verduras no final da feira negociando, sempre que possível, um preço mais em conta com o comerciante. Segundo ela, não há nenhum problema em aproveitar as folhas e os talos de legumes e verduras. Outra sugestão é consumir as frutas de época. ''As frutas como a laranja e a banana estão sempre disponíveis e dá para se fazer vitaminas, doces, bolos... Um bolo de casca de bananas custa menos de um real''.
Outro detalhe que pode baratear o custo da refeição é o tipo de carne escolhida pela dona de casa. Por isso, a nutricionista afirma que, ao invés de carne de primeira, a opção seja pelo músculo. ''As pessoas evitam o músculo por seu aspecto, por achar que tem gordura. Mas o músculo é uma das carnes mais magras que existe, é mais barata e mais nutritiva''. Aliny cita que o músculo pode ser cozido, assado, desfiado com farofa, preparado como pudim de carne ou feito como carne moída.
O prazo de validade dos alimentos também deve fazer parte do planejamento para redução de custos. ''A pessoa tem que prestar atenção no prazo de validade na hora que vai fazer a compra. É muito comum o brasileiro deixar o alimento vencer dentro da geladeira; isto é um desperdício e encarece mesmo''. As verduras são os principais alimentos ''esquecidos'' na geladeira. ''Se a dona de casa tem um bom planejamento, tudo certinho e souber armazenar corretamente, os alimentos duram mais''. (De acordo com alguns estudos, o índice de desperdício de alimentos em casa pode chegar a 30%).
Agora, se é possível a pessoa se alimentar com menos de um real e se existe um programa de governo com o nome ''fome zero'', porque mais de 20 milhões de brasileiros ainda passam fome? A nutricionista Aliny Stefanuto responde com base em observações que fez quando trabalhava em um hospital público de São Paulo. ''As pessoas diziam, ah, eu não tenho dinheiro para consumir, mas na verdade elas priorizavam outras coisas. Por exemplo: a pessoa não tem o dinheiro para se alimentar, mas tem para a cervejinha; não tem dinheiro para comprar uma fruta, mas tem dinheiro para comprar uma roupa nova''.

Promoções
Uma rede de supermercados de Londrina que faz promoções de hortifruti no meio de semana, está praticando os seguintes preços:
- Tomate, R$ 0,49 kg
- Batata, R$ 0,89 kg
- Cenoura, R$ 1,09 kg
- Chuchu, R$ 1,09 kg
- Cebola, R$ 1,29 kg
- Pepino caipira, R$ 1,89 kg
- Quiabo, R$ 1,99 kg
- Vagem, R$ 5,35 kg
- Berinjela, R$ 1,89 kg
- Abobrinha menina, R$ 2,59 kg
- Banana nanica, R$ 1,19 kg
- Maracujá, R$ 1,29 kg
- Laranja pêra, R$ 0,99 kg
- Melancia, R$ 0,99 kg
- Pimentão verde, R$ 0,76

Serviço
- A nutricionista Aliny Stefanuto também elaborou algumas receitas com custos abaixo de R$ 1,00. Elas estão disponíveis no site www.folhadelondrina.com.br

Acesse as receitas aqui.

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