A expressão economia doméstica está ganhando força junto às donas de casa, não apenas na teoria mas principalmente na prática. Numa época em que qualquer imprevisto pode comprometer todo orçamento, as mulheres passaram a encarar a economia doméstica com absoluta prioridade. Embora reconhecendo que compram ''apenas o necessário'' em termos de alimentação, por exemplo, elas acreditam que poderiam economizar ainda mais caso façam alguns ''ajustes'' ou melhorem a ''organização'' em casa.
A comerciante Patrícia Azevedo vai ao supermercado uma vez por mês para comprar o que considera essencial. ''A gente compra o necessário, só o que vai consumir, nada de supérfluo. Acabou um produto, agora só no próximo mês''. Quanto a outros produtos, tipo carnes e verduras, a compra é semanal. ''Faço a feira e compro a carne que vou usar na semana, divido direitinho, deixo no freezer e uso conforme a gente vai precisando. Não compro nada em excesso porque hoje as coisas estão muito caras''.
Patrícia afirma que o desperdício é algo que não existe em sua casa. ''Às vezes sobra alguma coisinha, mas em casa nada é jogado fora. Além disso, tem tanta gente passando fome, necessidade''. Com tanto rigor, a comerciante não sabe se poderia economizar ainda mais em termos de alimentação. ''Não é que seja controlado. É que a gente só compra o que usa mesmo''.
Para a pedagoga Adriana Palu, a alimentação é um item que deve ser prioridade no orçamento de qualquer família. ''A parte de supermercado é extremamente necessária e não pode comprometer o orçamento doméstico''. Adriana diz que faz uma compra mensal e volta ao supermercado uma vez por semana para as compras complementares, levando em conta as melhores ofertas, a qualidade dos produtos e compra exatamente o que a família precisa. ''Compro conforme a minha necessidade. A gente tem uma idéia de que a família consome e não extrapolo. Só às vezes compro uma besteirinha ou outra''.
Adriana se orgulha de ter em casa uma empregada que prepara a maior parte das refeições. E como a funcionária é diabética, o cuidado é maior na hora de preparar os alimentos. ''Ela foi obrigada a se alimentar corretamente. E vai à uma nutriconista que disse que estamos de parabéns porque em casa a alimentação é dez''. E mesmo sendo rigorosa com o orçamento doméstico, Adriana acredita que fazendo ''alguns ajustes'' seria possível economizar até 30% com alimentação, sem perder a qualidade. ''Eu acredito nisso'', afirma.
A advogada Graziela Repiso compra os alimentos prontos para a família quase todos os dias, exceto alguns finais de semana. Segundo ela, esta é a opção mais econômica. ''Na verdade, não é só a comida. A gente tem que preparar a mesa, depois recolher a louça, enfim... E hoje a economia não conta só em termos de alimentação, mas de empregada doméstica também''. Ela diz que antes, quando cozinhava todo dia, sobrava muito alimento. ''Na minha casa, ninguém tem o hábito de aquecer a comida. Então, a gente fazia o almoço e tão somente mas sempre ia comida fora''.
Graziela explica que o desperdício chegava também aos alimentos que poderiam ser conservados. ''É o pão que vai fora, é o presunto, o laticínio, o queijo que fica rançoso e ninguém quer comer. Tudo isso ficava na geladeira dias e dias e depois ia fora''. E mesmo comprando a maior parte dos alimentos já prontos, Graziela ainda mantém uma boa frequência aos supermercados. ''Antigamente, eu fazia a compra todo sábado porque se gasta menos. Agora, comprando aos picadinhos, a gente gasta mais''.
- Amanhã: dicas de uma nutricionista para a família reduzir as despesas com alimentação entre 30% a 35% ao mês, sem reduzir a qualidade do que consome.

‘A poupança é sempre bem-vinda’
  Para o consultor e professor Charles Vezozzo, da PUC Londrina, toda poupança ‘‘é sempre bem-vinda’’. E para poupar, a família precisa antes de mais nada saber qual sua renda. Ele diz que alguns casais têm problemas de relacionamento porque um não sabe quanto o outro ganha. ‘‘O casal precisa conversar também sobre a questão financeira’’, argumenta. De acordo com o consultor, este é o primeiro ponto para se fazer um orçamento doméstico. O segundo, é estabelecer prioridades. Independente da situação, ele sugere que a família economize sempre ao menos 10% da renda mensal.
  Partindo do pressuposto que uma família que gaste
R$ 500,00 por mês com alimentação pode economizar 30% neste ítem, Vezozzo disse que isto representa uma economia de R$ 1.800,00 ao final de um ano. ‘‘É uma boa economia’’, admite, mas observa que ‘‘as pessoas só vêem o imediato, tendo dificuldade em enxergar o horizonte a médio e longo prazos’’. Segundo ele, o apelo consumista ‘‘hoje é muito grande’’.
  De acordo com o consultor, com uma economia de
R$ 1.800,00 no ano a pessoa pode começar uma pós-graduação, usar o recurso para trocar o carro, reformar a casa, ou economizar apenas para o que chama de ‘‘imprevistos’’. Vezozzo diz que o suceso financeiro não está relacionado somente ao que a pessoa ganha, mas principalmente ao que ela economiza. Por isso, é possível encontrar pessoas que ganham relativamente pouco em situação financeira melhor do que outros que ganham mais. (E.A.)

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