Mesmo com a modernização do setor de alimentos, o povo brasileiro ainda mantém alguns costumes típicos da vida no campo. Um deles é o consumo de farofa, que era um produto exclusivamente caseiro, mas a indústria resolveu adotar a receita e embalar as versões pura e temperada. Hoje, a farofa pode ser encontrada nas gôndolas de todos os supermercados e marca presença também em boa parte dos restaurantes.
  Um dos alimentos mais tradicionais da culinária brasileira, a farofa se tornou, inclusive, motivo de gozação por sua simplicidade. Mas os consumidores, bem-humorados, levam o detalhe na brincadeira. O certo, porém, é que a farofa conquistou os imigrantes de todas as partes do mundo que vieram para o Brasil e seus descendentes.
  O fato de não ser um alimento típico da culinária japonesa, não torna a farofa menos saborosa para a família da dona de casa Elaine Shimomura Boccato. Ela estava em um supermercado fazendo a compra do mês com a filha Isadora, de sete anos. A menina fez questão de pedir para mãe não se esquecer da farofa. ‘‘A minha filha gosta muito de farofa. Ela consome de todo jeito: no arroz, no feijão, com carne, com tudo’’. Elaine diz que o consumo do produto é um hábito que a família adquiriu há muito tempo. ‘‘O meu pai ama farofa’’, resume. Ela compra dois ou três pacotes de meio quilo de farofa por mês. Pode ser pura ou temperada. ‘‘A gente costuma preparar a pura com bacon e azeitona, e a temperada é mais para um churrasco’’, afirmou.
  O enfermeiro do trabalho Ricardo Martins estava comprando ingredientes para feijoada. ‘‘A farofa é um produto indispensável; se não tiver, falta alguma coisa’’. Ele gosta da farofa preparada com farinha de mandioca para feijoada e a feita com farinha de milho para churrasco. Martins nasceu na cidade de São Paulo e tem boas recordações da farofa que sua mãe preparava. ‘‘Ela fazia a farofa com farinha de mandioca, colocava ovo, temperava; era outra coisa, farofa de paulista mesmo’’. E com humor, se lembra da origem da expressão ‘farofeiro’: ‘‘O pessoal saía da periferia de São Paulo e ia para a praia em uma kombi, levando junto o frango assado e a farofa. Mas tudo era brincadeira, com certeza’’.
  A secretaria executiva Cely Batista compra farinha de mandioca para preparar a farofa em casa. ‘‘Misturo os ingredientes da minha livre escolha de acordo com a disponibilidade e a circunstância; fica uma farofa bem caseira mesmo’’. Cely afirma que em sua casa todos gostam de farofa - seus pais e os cinco irmãos. ‘‘Tem um, por exemplo, que não gosta de banana, mas a gente se acerta e faz a farofa de acordo com o gosto da maioria’’. Quando é para churrasco, Cely compra a farofa temperada. ‘‘A farofa não pode faltar de jeito nenhum em um churrasquinho. Sem farofa não é churrasco’’, afirma. Ela também se lembra do pessoal que vai à praia com a comida pronta e recebe o apelido ‘carinhoso’ de farofeiro. ‘‘Isso não
tem nada a ver.


Farinhas são ricas em carboidratos
A nutricionista Aliny Stefanuto diz que o consumo de farinhas de milho e mandioca é um hábito que herdamos dos povos indígenas, que tinham a mandioca como uma das principais fontes de alimento. Segundo ela, as duas farinhas são ricas em carboidratos, sendo que a farinha de mandioca tem mais fibras que a milho. Aliny acrescenta que as farinhas, por terem bastante calorias, são importantes para o desenvolvimento das crianças.
  E a farofa, afirma, nada mais é do que a farinha adicionada de outros ingredientes, à vontade do ‘‘freguês’’. Aliny sugere que não se use grandes quantidades de margarinas, manteiga, bacon ou outros produtos gordurosos no preparo da farofa. Ela diz que o bacon, por exemplo, pode ser substituído pelo peito
de peru.
  A nutricionista também dá uma dica que considera interessante, principalmente para as famílias com crianças pequenas: que seja acrescentado o farelo de trigo ou farelo de aveia à farofa. ‘‘Assim, fica um alimento ainda mais rico em fibras’’, afirma. (E.A.)

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