Os detalhes podem ser motivo de pequenas divergências na família, principalmente quando o assunto são compras. O problema aparece tanto na hora que a criança faz birra para exigir alguma coisa como na falta de planejamento do casal, mas nada que uma boa conversa não resolva. Algumas famílias usam o ''jogo de cintura'' para resolver alguns poréns antes de sair de casa, esperando que as compras se transformem, realmente, em um momento de descontração.
A comerciante Nilza Peçanha diz que é a responsável pela lista de compras em sua casa, mas toda a família participa - além dela, o marido e três filhos. ''Sou eu quem elabora a relação do que será comprado, mas todo mundo opina, todos acrescentam alguma coisa. Vou fazendo a lista e o pessoal fala preciso disso, preciso daquilo''. Ela estava em um supermercado com as filhas Aline e Angélica e comenta que há pouca discordância na família em relação ao assunto. ''Às vezes, a gente discorda um pouco sobre marcas porque tem uma que é famosa e está com o preço alto e o pessoal fica nervoso porque não quer aquela opção mais em conta''.
Nilza diz ainda que se a segunda alternativa for ''aprovada'' pela família, ''tudo bem'', caso contrário, ela volta à marca tradicional - aquela mais cara, na compra do mês seguinte. Aline e Angélica confirmam que discordam pouco de Nilza. ''A gente não dificulta as coisas'', afirmam.
O casal Eder Willian Merlo, dentista, e Neusa Subtil Merlo, cabeleireira, mora perto de um supermercado, o que garante uma boa frequência ao estabelecimento. ''A nossa compra é apenas para dois ou três dias mesmo. A gente não estoca e nem compra muito produto em promoção'', afirma o dentista. Sobre as compras, o casal garante que a decisão é tomada por ambos: ''é meio a meio''. Merlo diz que às vezes há pequenas divergências sobre o que comprar, mas nada que comprometa o relacionamento. ''A gente decide tudo junto. Se é algo supérfluo, deixamos prá lá''.
Eles estavam no supermercado com a filha Ana Júlia, de seis anos, que recebe uma educação rigorosa. ''Ela não interfere nas compras porque a gente não dá essa liberdade e ela não costuma pedir muitas coisas. Nós também levamos em conta a questão de saúde, evitando comprar o que não faz bem'', afirma Neusa. Merlo completa afirmando que, em comparação com outras crianças, ''Ana Júlia é uma menina muito comportada''.
A dona de casa Ângela Maria da Silva estava no supermercado com o filho Mateus, de nove anos, e o marido, Mauri Borges. Ao ser indagada sobre quem decidia sobre as compras em sua casa, não exitou em responder, bem-humorada. ''Você ainda tem dúvida?'' Brincadeiras à parte, ela garante que o marido também participa. ''Não posso mentir, a relação é ele que faz, mas a palavra final na maioria das vezes é minha''.
Quanto ao filho, Ângela afirma que o menino dá um pouco de trabalho. ''Ele pede muitas coisas, principalmente doces''. Mateus reconhece que ''bate o pé'' quando quer alguma coisa, mas Ângela não deixa extrapolar. ''Tem que ter limite. Se pode comprar tantas coisas, são tantas coisas; e se falo que não, é não!''

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