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segunda-feira, 09 de abril de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Quando o aquecimento global estava fora de cogitação, o protetor solar era usado quase que exclusivamente para se ir à praia ou à piscina. Mesmo assim, muita gente ignorava o produto, considerando-o até desnecessário. Mas agora, com as temperaturas acima da média, a realidade é outra. Se antes o protetor solar era um luxo ou opção, hoje é algo obrigatório para muita gente.
A nutricionista Solange Iurak estava com os filhos Gabriel, de um ano, e Júlia de sete, em um supermercado. Ela diz que usa o protetor solar regularmente e toma um cuidado ainda maior quando a temperatura está elevada. ''Nós sentimos que o sol está mais quente a cada dia. Quando a gente sai e volta para casa, a pele parece que está 'queimada', está bem mais ressecada'', completa. Solange usa o protetor solar fator 30 uma vez por dia e se precisar, usa mais de uma vez. Embora admita a necessidade, ela usa o protetor solar nas crianças apenas quando elas vão à piscina. ''A gente acha que a criança não vai sentir o sol, o que está errado'', reconhece.
A agente de viagens Lecy Oliveira usa dois tipos de creme produzidos em farmácias de manipulação, um para o dia e outro para a noite. O creme para uso diurno já vem com filtro solar. Lecy usava o protetor solar comum desde criança, mas mudou de produto há dois anos por recomendação médica. ''A dermatologista indicou o creme ideal para o meu tipo de pele, que é oleosa''. Ela afirma que a única diferença que percebe entre os dois produtos é o preço. ''O creme manipulado custa 50% menos''. Lecy usa o produto todos os dias, inclusive quando viaja. ''Passo de manhã logo após o banho. É automático, é como se fosse um desodorante''.
O uso do protetor solar pelo menos duas vezes ao dia é obrigatório para a professora Silvana Moreno Vieira, independente do tempo. Ela passa o protetor pela primeira vez antes de sair de casa e a outra na hora do almoço. Quando fica em casa, ela aplica o fator 30 e quando sai para lecionar usa o fator 100. ''A dermatologista indicou o fator 100 para evitar problemas de pele''. Para se prevenir, a professora sempre carrega as duas embalagens na bolsa, caso haja necessidade de passar outras vezes.
No exemplo de Silvana, o protetor solar é um produto que já faz parte do orçamento doméstico. ''Isto é prioridade'', afirma. O fator 100, que é vendido apenas em farmácias, custa entre R$ 45,00 e R$ 50,00. A professora tem dois filhos, um rapaz de 15 e uma moça de 21, que têm comportamentos diferentes em relação ao assunto. Segundo ela, o rapaz não se protege direito, mas a filha usa o protetor regularmente.
Além do protetor solar, Silvana precisa usar chapéu para se proteger do sol. ''O chapéu não atrapalha, fica até elegante''. Ela diz que não usa sombrinha porque o acessório é feito de nylon, ''o que não protege contra o sol''. Ainda para se prevenir, a professora colocou no carro o limite máximo permitido de insufilm.
Na opinião da professora, a população ainda não se conscientizou sobre os efeitos do aquecimento global. ''As pessoas, principalmente os jovens, acham que não serão prejudicadas pelo sol que tomam hoje, mas isto elas só vão sentir no futuro''.


