Suas compras
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terça-feira, 27 de março de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O preço do pacote de café com meio quilo superou a casa dos R$ 5,00 nos últimos dias, chegando até R$ 6,00 em alguns supermercados. O aumento médio, em torno de 20%, pegou de surpresa os consumidores. Até então, o pacote de café com 500 gramas das principais marcas estava entre R$ 4,00 e R$ 5,00. O preço, porém, caía de forma significativa nas promoções. Segundo levantamento da FOLHA, o café chegou a ser vendido a R$ 2,98 no final de setembro do ano passado e por R$ 3,59 em fevereiro deste ano.
A dona de casa Odete Françolin mora em Apucarana e fazia compras em supermercado de Londrina. Ela diz que o consumo de café em sua casa é de um quilo por mês. Quanto ao novo preço, ela pensou que o produto estava mais caro em Londrina. Sempre que o preço está legal, eu levo. Inclusive, em minha cidade, o preço está mais em conta, afirmou. Odete disse ter pago, na última compra, cerca de R$ 4,80 o pacote de meio quilo. Agora, o mesmo café estava a R$ 5,99. Para ela, o novo preço poderia ser uma política adotada pelo comerciante. O preço varia de acordo com o mercado. Tem lugar que realmente está mais caro, e a gente percebe essa diferença de mais de 20%.
A dona de casa Irene Teixeira estava no mercado conferindo o preço do produto. O mesmo café que ela comprava por menos de R$ 4,00 há alguns dias, agora está a R$ 5,65. Notei que subiu quase dois reais o pacote de 500 gramas. É um absurdo. O salário não sobe isso, mas as mercadorias continuam subindo, subindo e subindo. Irene diz que consome, em casa, um pacote de meio quilo a cada duas ou três semanas e não consegue entender o motivo do aumento. Não imagino o que seja, mas entressafra não é. E como não é possível deixar de tomar café, a alternativa será mudar de marca. Terei que sacrificar a qualidade. Vou procurar um café mais barato.
O empresário Valdir Eduardo Giocondo observava com atenção as várias marcas de café, mas sob outro ponto de vista. Ele é cafeicultor e, portanto, consome o próprio café que produz. Ao analisar os preços, Giocondo estima que houve um aumento médio de 16% para o consumidor nos últimos dias, mas garante que a diferença não chegou ao produtor. Na verdade, quem fica com o bem-bom é o distribuidor e o supermercado. Infelizmente, as duas pontas são sacrificadas. O produtor tem que vender pela lei de mercado e o consumidor, esse coitado, não tem para quem reclamar.
Apesar destas considerações, o empresário é de opinião que o café ainda está com um preço razoável para o consumidor. Para você ter uma idéia, um quilo de café dá para fazer mil xicrinhas. Então, é um custo-benefício bom, disse.
Corretor diz que há tendência de alta
O corretor de café Carlos Amaral, da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina, justifica o aumento dizendo que as torrefadoras haviam comprado café a um preço mais alto que o atual, em torno de R$ 260,00 a R$ 270,00 a saca de 60 quilos. Segundo ele, os cafeicultores seguraram o produto e o único café disponível no mercado era o de estoques do governo federal, que vão a leilão duas vezes por mês. Só que este café, da safra de 1986/87, não tem qualidade para as torrefadoras, afirma Amaral.
Ainda de acordo com o corretor, com base em análises de mercado, o preço do café pode aumentar um pouco mais para o consumidor final. Como estamos com uma safra menor que a do ano passado, a tendência é que o preço atual seja mantido ou suba até um pouco mais. Ele disse que, no momento, não seria possível estimar de quanto seria esse reajuste.(E.A.)


