O advogado Flávio Henrique Caetano de Paula reconhece que é difícl separar a vida particular da atividade profissional, especialmente quando a pessoa ocupa um cargo público. Ele assumiu a coordenação do Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor no final do ano passado e, por coincidência, se tornou um consumidor com visão mais crítica. ''Entendi, por exemplo, que o fato da loja não colocar o preço na vitrine é um afronta ao consumidor. Se uma loja não respeita uma norma que protege o consumidor, ela desrespeita o próprio consumidor'', justifica.
O novo coordenador do Procon em Londrina mora com os pais e prefere fazer as compras domésticas uma vez por semana, sozinho ou na companhia da mãe. ''Consigo ter um controle melhor fazendo as compras semanalmente. Tem semana que a gente gasta mais, em outra gasta menos. Agora, é importante saber porque gastou menos ou o que fez para aumentar os gastos''.
Caetano de Paula afirma que sempre elabora uma relação antes de ir às compras, mas quase sempre leva algo a mais. ''De maneira geral, obedeço o que está na relação, mas às vezes tem aquilo que a gente esqueceu ou que o consumismo fala mais alto, porque hoje o mercado está repleto de novidades e a gente acaba se encantando por esse ou aquele produto''.
No momento da compra, o coordenador do Procon leva em consideração a qualidade e os preços, além de observar os rótulos quando se trata de um novo produto. ''Se é um produto conhecido, não tem problema, mas infelizmente há casos em que a informação não fica bem clara nos rótulos''. Além da composição, ele diz observar se a mercadoria tem o selo do Inmetro ou da Vigilância Sanitária, dependendo do caso. ''Isso traz mais garantias para o consumidor'', afirma.
Caetano de Paula conta que passou a cuidar com mais rigor do próprio orçamento doméstico depois que assumiu o Procon. ''A gente toma conhecimento de tantos abusos que começa a se defender mais. Você acaba se policiando. Agora, anoto em um caderninho o que gasto, o que não gasto, o que vou guardar para isso ou aquilo e para algum investimento''. Ele diz que é ''sagrado'' reservar uma parte para a vida grastronômica, já que tem por costume alomoçar ou jantar fora.
Por se preocupar mais com o orçamento pessoal, ele avalia a nova experiência no Procon como ''um período de muito aprendizado, muito desafio''. E admite que ele próprio está ''no caminho'' para seguir as normas do órgão, mas admite que tem muito o que aprender. ''Ainda estou longe do ideal, mas estou caminhando para isso''.
E pelo que já assimilou, o coordenador do Procon dá algumas dicas para os consumidores: a primeira é fazer pesquisas de preços, outra é aproveitar as promoções que os supermercados fazem em alguns dias da semana, e mesmo nesses dias, comparar preço e qualidade. ''A pessoa deve comparar preço e qualidade e não sair atrás de promoções sem antes verificar o que precisa'', aconselha.


Consumidor está mais consciente
  O coordenador do Procon, Flávio Henrique Caetano de Paula, afirma que o órgão registrou no ano passado a média de 84 atendimentos por dia e este ano subiu para 100. Ele aponta três motivos para o aumento: o consumidor está mais consciente. ‘‘Ele descobriu que vale a pena lutar por esse direito’’. Outro fator é que o Procon consegue resultados: de todos os atendimentos pessoais ou por telefone, apenas 4% não foram resolvidos. ‘‘Isso gera maior credibilidade’’. E o terceiro ele define como o lado triste da história: ‘‘os fornecedores e comerciantes ainda não se acostumaram a respeitar as normas, a se adequar aquilo que a legislação obriga’’.
  Caetano de Paula também critica as empresas que abusam do que chama de ‘‘marketing agressivo’’ para induzir o consumidor às compras. ‘‘O consumidor compra porque está ‘cabendo’ no bolso. Ele não pensa o valor do produto, o total que vai pagar. Isso é terrível para o orçamento doméstico porque gera inadimplência, o que é prejudicial para o consumidor e o próprio comerciante’’.
  Segundo ele, a única forma de evitar este tipo de problema é a prática do ‘‘consumo consciente’’. Ou seja, de estabelecer uma lista de prioridades e obedecer essa lista. ‘‘A pessoa deve saber quais são seus gastos fixos e deixar uma parte do dinheiro para outras coisas importantes’’. O coordenador do Procon sugere ainda que para evitar problemas e procurar seus direitos quando for preciso, o consumidor deve sempre exigir a nota fiscal. (E.A.)

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